Apresentação
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Se você não é ateu, tem grandes chances de
ser cristão. O Cristianismo é a religião mais conhecida
e com mais adeptos entre os brasileiros. Antes mesmo do
Brasil ser descoberto, a Igreja de Roma, com suas paróquias,
mosteiros e conventos espalhados por seus domínios, era
a maior proprietária de terras de toda a Europa.
Tudo ia bem, até que o dinheiro que entrava
cada vez mais nos cofres papais despertou a cobiça de alguns
membros da igreja e acabou por levar a muito abuso e corrupção. "A
falta de vergonha na Cúria Romana atingiu o clímax",
escreveu um intelectual católico holandês, em 1518.
Um ano antes, o monge agostiniano Martinho
Lutero havia pregado 95 teses na porta de uma igreja na
Saxônia (parte da atual Alemanha), e fincado o marco da
Reforma Protestante. Quem quiser saber mais sobre ela,
pode procurar livros de história geral, porque, aqui, já estamos
voltando ao presente.
Hoje, muito tempo depois, a Igreja cristã está dividida.
Encontramos no Brasil os tradicionais católicos, os protestantes
pentecostais, os não pentecostais, as seitas; cada qual
achando que seus métodos são os corretos. A grande maioria
deles tem também outras afinidades: contam com grupos de
jovens e adolescentes e estão prontos a receber quem quiser
conhecer um pouco do que acontece dentro da igreja.
Espalhada por todo o país, os católicos
contam com a Pastoral da Juventude, um órgão que como o
próprio nome sugere trabalha com os jovens. Como conta
o padre Tarcísio dos Santos, coordenador de Pastoral da
Inspetoria Salesiana de São Paulo, as ações da pastoral
têm sido feitas no sentido de convidar os adolescentes
para participar da vida da Igreja e ela está aberta para
todos.
Quem se interessar, pode procurar alguma
paróquia perto de casa e se informar sobre as atividades
dos jovens. Normalmente, encontrará dias de reflexão, retiros,
encontros e viagens.
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Cristianismo
A história da cristandade (âmbito de atividade
sectária dominada por religiões que afirmam ser cristãs. "Cristianismo" refere-se à forma
original de adoração e acesso a Deus ensinada por Jesus
Cristo), com suas guerras, inquisições, cruzadas e hipocrisia
religiosa, não ajudou a causa do cristianismo. Muçulmanos
devotos e outros apontam para a corrupção moral e a decadência
do mundo ocidental "cristão" como base para rejeitar
o cristianismo.
Credenciais de Jesus
O primeiro versículo das Escrituras Gregas
Cristãs, comumente conhecidas como Novo Testamento (veja
o quadro abaixo), declara: "O livro da história de
Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abrão." (Mateus
1:1) trata-se de duma afirmação infundada de Mateus, um
ex-cobrador de impostos judeu, discípulo imediato e biógrafo
de Jesus ? Não. Os 15 versículos seguintes apresentam a
linha de descendentes de Abraão até Jacó, que "tornou-se
pai de José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado "cristo".
Por conseguinte, Jesus realmente era descendente de Abraão,
Judá e Davi, e, como tal, tinha três das das credenciais
do predito "descendente" ["semente"]
de Genêsis 3:15 e de Abraão. Gênesis 22:18; 49:10;
1 Crônicas 17:11.
Outra credencial para a Semente messiânica
seria seu lugar de nascimento. Onde nasceu Jesus ? Mateus
nos diz que Jesus "[nasceu] em Belém da Judéia, nos
dias de Herodes, o rei". (Mateus 2:1) O relato do
médico Lucas confirma isso, dizendo-nos sobre o futuro
pai adotivo de Jesus: "José ... subiu também da Galiléia,
da cidade de Nazaré, e foi à Judéia, à cidade de Davi,
que se chama Belém, por ser membro da casa e família de
Davi, a fim de ser registrado com Maria, que lhe fora dada
em casamento, conforme prometido, nesta ocasião já em estado
avançado de gravidez." Lucas 2:4,5.
Por que era importante que Jesus nascesse
em Belém, e não em Nazaré, ou em outra cidade qualquer
? Por causa duma profecia proferida no oitavo século AEC
pelo profeta hebreu Miquéias: "E tu, Belém Efrata,
pequena demais para chegar a estar entre os milhares de
Judá, de ti me sairá aquele que há de tornar-se governante
de Israel, cuja origem é de desde os tempos primitivos,
desde os dias do tempo indefinido." (Miquéias 5:2)
Assim, seu lugar de nascimento dá a Jesus mais uma credencial
para ser a prometida Semente e o Messias João 7:42.
Quem
Escreveu a Bíblia ?
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A
Bíblia cristã consiste em 39 livros das Escrituas
Hebraicas chamados por muitos de Velho Testamento,
e 27 livros das Escrituras Gregas Cristãs, comumente
chamados de Novo Testamento (A Bíblia Católica
inclui alguns livros a mais, que forma os Apócritos,
e que não são encarados como canônicos pelos
judeus e protestantes). Assim, a Bíblia é uma
biblioteca em miniatura de 66 livros escritos
por cerca de 40 homens, no período de 1.600 anos
de história (de 1512 AEC a 98 EC).
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As
escrituras gregas incluem quatro Evangelhos,
ou relatos da vida de Jesus e das boas novas
que ele pregou. Dois destes foram escritos por
seguidores imediatos de Cristo, Mateus, um cobrador
de impostos, e João, um pescador. Os outros dois
foram escritos por dois primitivos crentes, Marcos
e Lucas, este um médico. (Colossenses 4:14) Depois
dos Evangelhos vem Atos dos Apóstolos, um relato
dos primórdios da atividade missionária cristã,
compilado por Lucas. A seguir, 14 cartas do apóstolo
Paulo a vários cristãos individuais e congregações,
seguidas por cartas de Tiago, Pedro, João e Judas.
O último livro é Revelação, ou Apocalipse, escrito
por João.
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Que
tantas pessoas de formações diversas e que viveram
em diferentes épocas e culturas pudessem produzir
um livro tão harmonioso é forte prova de que
a Bíblia não é mero produto da inteligência humana
mas sim inspirada por Deus. A própria Bíblia
diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus
[literalmente:"soprada por Deus"] e
proveitosa para ensinar." Assim, as Escrituras
foram escritas sob a influência do espírito santo,
ou força ativa, de Deus. 2 Timóteo 3:16,
17, Int.
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As
Três Doutrinas Essenciais do Cristianismo
A própria Bíblia revela que estas doutrinas
são essenciais à fé cristã. Elas são: 1) a Divindade de
Cristo, 2) Salvação pela graça, e 3) a Ressurreição de
Cristo. Estas são as doutrinas que a Bíblia diz que são
necessárias. Certamente existem muitas outras doutrinas
importantes; estas três, porém, são as únicas que são declaradas
pela Escritura como sendo essenciais. O verdadeiro regenerado
pode ser ignorante a respeito de uma ou mais destas doutrinas
no início da sua vida com Cristo, mas ele terá um entendimento
apropriado destes três assuntos assim que ele começar a
estudar a Palavra de Deus. Uma pessoa não regenerada, ou
um membro de uma seita (i.e., Mórmon ou Testemunha de Jeová,
por exemplo), negará uma ou mais destas doutrinas essenciais.
1. A Divindade de Cristo
1. Jesus é Deus em carne (João 8:58
com Êxodo 3:14). Veja também Jo 1:1,14; 8:24; 10:30-33.
1. 1 Jo 4:2-3: "Nisto reconhecereis
o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que
Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito
que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo
contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito
do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no
mundo."
2. i. - Os versos acima precisam
ser cruzados com Jo 1:1,14 (também escrito por João)
onde ele afirma que o Verbo era Deus e que o Verbo
se tornou carne.
ii. - 1 Jo 4:2-3 está dizendo
que se você nega que que Jesus é Deus em carne
então você é do espírito do anticristo.
2. Jo 8:24: "Por isso, eu vos
disse que morrereis nos vossos pecados; porque se não
crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados."
1.- Jesus diz aqui que se você não
crer que "EU SOU" você morrerá nos seus
pecados. Em grego, "eu sou" é 'ego eimi',
que significa 'eu sou.' Estas são as mesmas palavras
usadas em Jo 8:58 onde Jesus diz "... antes
que Abraão existisse, eu sou." Ele estava atribuindo
a si o título divino usado em Êxodo 3:14 na Septuaginta
Grega. (A Septuaginta é o Antigo Testamente hebraico
traduzido para o grego.)
3.Jesus é o próprio objeto da fé.
1.Não é suficiente apenas ter fé.
A fé é válida somente se colocada em alguma coisa.
Você deve colocar a sua fé no objeto apropriado.
As seitas têm falsos objetos de fé; portanto, sua
fé é inútil -- não interessa quanto sejam sinceros.
2.Se você colocar a sua fé em um
tubo de vácuo, então você terá um bocado de dificuldades
no dia do juízo. Você pode ter uma grande fé, mas
só isso não pode salvar você. Ela deve ser colocada
na pessoa certa, Jesus.
4.A doutrina da Divindade de Cristo
inclui:
1.A Trindade - Existe um Deus que
existe em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Eles são co-iguais, co-eternos e da mesma
natureza.
2. Monoteiísmo - Existe um único
Deus e nunca existiu outro (Isaías 43:10; 44:6,8;
45:5). Os Mórmons acreditam que existem muitos deuses
que servem e adoram somente um. Portanto, eles são
politeístas, o que os exclui do campo do Cristianismo.
5. União Hipostática - Jesus é tanto
Deus como homem.
A suficiência do sacrifício de Cristo
- o sacrifício de Cristo é completamente suficiente
para pagar pelos pecados do mundo.
1.Como Deus - Jesus deve ser Deus
para poder oferecer um sacrifício de valor superior
ao de um simples homem.
Ele teve de morrer pelos pecados
do mundo (1 João 2:2). Somente Deus poderia fazer
isso.
2.Como homem - Jesus deveria ser
homem para poder ser um sacrifício pelo homem.
Como homem Ele pode ser o mediador
entre Deus e os homem (1 Tim. 2:5).
2. Salvação pela graça
1."Pois vocês são salvos pela
graça, por meio da fé; e isto não vem de vocês, é dom
de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (Ef
2:8-9, NVI).
2."De Cristo vos desligastes,
vós que procurais justificar-vos na lei; da graça
decaístes" (Gl 5:4).
1a.Este versículo e seu contexto
ensinam claramente que se você crê que será salvo
pela fé e pelas suas obras, então você não será salvo.
Isto é um erro comum nas seitas. Porque eles
têm
um falso Jesus, eles têm uma falsa doutrina da
salvação. (Leia Rm 3-5 e Gl 3-5).
2a.Você não pode acrescentar nada
ao trabalho de Deus. Gálatas 2:21 diz: "Não
anulo a graça de Deus; pois, se a justiça vem
pela lei, Cristo morreu em vão!" (NVI).
3."Portanto, ninguém será declarado
justo diante dele baseando-se na obediência à lei,
pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente
conscientes do pecado" (Rm 3:20, NIV).
1a."Todavia, ao homem que
não trabalha, mas confia em Deus que justifica
o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça" (Rom.
4:5, NIV).
2a."Então, a lei opõe-se às
promessas de Deus? De modo nenhum! Pois, se tivesse
sido dada uma lei que pudesse conceder vida,
certamente, certamente a justiça viria da lei" (Gal.
3:21, NIV).
3. A Ressurreição de Cristo
1."E, se Cristo não ressuscitou, é vã a
nossa pregação, e vã, a nossa fé" (1 Co 15:14). "E,
se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda
permaneceis nos vossos pecados" (1 Co 5:17).
2. Ignorar a ressurreição física
de Jesus é anular a Sua obra, Seu sacrifício e
a nossa ressurreição.
3. Estes versículos afirmam claramente
que se você diz que Cristo não ressuscitou da morte
(no mesmo corpo em que Ele morreu -- Jo 2:19-21),
então a sua fé é inútil.
(Um comentário em Gl 1:8-9: "Mas
ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho
diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!
Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia
um evangelho diferente daquele que já receberam,
que seja amaldiçoado" (NIV). Estes dois versos
de Gálatas poderiam ser considerados a quarta doutrina
essencial. Mas, Gal. 1:8,9 está simplesmente estabelecendo
a necessidade de crer na mensagem do Evangelho que,
na sua integridade, diz que Jesus é Deus em carne,
que Ele morreu pelos nossos pecados, ressuscitou
da morte e dá graciosamente a vida eterna àqueles
que crêem.
1 Co 15:1-4 define o que é o evangelho: "Irmãos,
quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei,
o qual vocês receberam e no qual estão firmes. Por
meio deste evangelho vocês são salvos, se se apegarem
firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário,
vocês têm crido em vão. Pois o que primeiramente
recebi, também lhes transmiti: que Cristo morreu
pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi
sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo
as Escrituras." (NIV). Nestes versículos está a
essência do evangelho: Cristo é Deus em carne (Jo
1:1,14; Cl 2:9); Salvação é recebida pela fé (Jo
1:12; Rm 10:9-10), mediante a graça; e a ressurreição é mencionada
no versículo 4. Por conseguinte, esta mensagem evangélica
inclui as doutrinas essenciais.)
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Cronologia
Bíblica
do
Antigo Testamento
|
|
A
pré-existência de Cristo
|
Jo
1:1
|
|
Criação
|
Gn
1:1
|
|
Satanás
expulso do céu
|
Is
14:12-17
|
|
Seis
dias da criação
|
Gn
1:3-26
|
|
Jardim
do Édem
|
Gn
2:8-17
|
Da
Criação ao
|
Queda
de Adão e Eva
|
Gn
3:1-7
|
Dilúvio
|
Expulsão
do Édem
|
Gn
3:21-24
|
|
Caim
mata Abel
|
Gn
4
|
|
Nascimento
de Noé
|
Gn
5:28-29
|
|
O
Dilúvio
|
Gn
5:28-29
|
|
A
Torre de Babel
|
Gn
11
|
|
Nascimento
de Abrão
|
Gn
11:27
|
|
Jó
|
Jó 1
|
Do
Dilúvio aos
|
Abrão
torna-se Abraão
|
Gn
17
|
Patriarcas
|
Nascimento
de Isaque, Jacó e José
|
Gn
21-30
|
|
José é vendido
como escravo no Egito
|
Gn
37:28
|
|
Fome
e ida dos Hebreus para o Egito
|
Gn
41
|
Dos
Patriarcas até
|
A
população de hebreus Cresce
|
Gn
47:27
|
o Êxodo
|
A
Escravidão e Opressão do povo
|
Ex
8
|
1606
- 1462 a.C.
|
Nascimento
de Moisés
|
Gn
21-30
|
|
A
pragas contra o Egito
|
Ex
7-11
|
|
Os
Hebreus são libertos e depois perseguidos
|
Ex
12
|
O Êxodo
para
|
Atravessando
o Mar Vermelho
|
Ex
13-15
|
Canaã
|
Recebendo
os 10 Mandamentos
|
Ex
20
|
(Ex
13 - Nm 21)
|
Israel
vagueia pelo deserto por 40 anos
|
Nm
14
|
1462
- 1065 a.C.
|
A
conquista e a divisão de Canaã
|
Js
6-12
|
Canaã até o
|
Israel
torna-se uma nação
|
1200-750
a.C.
|
reinado
de Saul
|
Nascimento
de Sansão
|
Jz
13
|
(Js
1 - 1 Sm 8)
|
Saul
torna-se o primeiro rei
|
1
Sm 9
|
1422
- 1065 a.C.
|
Davi
mata Golias
|
1
Sm 17
|
|
Davi
torna-se rei
|
2
Sm 5
|
O
reinado de Davi
|
Davi
com Bateseba
|
2
Sm 11
|
2
Sm 5 - 1 Rs 2
|
A
rebelião de Absalão
|
2
Sm 12
|
1025
- 985 a.C
|
Davi
prepara os materiais para o templo
|
1
Cr 22
|
|
Salomão
torna-se rei
|
1
Rs 1
|
|
Salomão
pede a Deus sabedoria
|
1
Rs 3
|
O
reinado de Salomão
|
A
construção do Templo
|
1
Rs 6
|
1
Rs 2 - 1 Rs 11
|
Declínio
de Salomão
|
1
Rs 11
|
985
- 945 a.C.
|
A
nação de Israel divide-se em duas: Judá ao Sul
e Israel ao Norte. Neste período há uma sucessão
de reis. Muitos eram maus, uns poucos eram louvados.
Durante este tempo Elias realizou seu ministério.
Jonas pregou em Nínive. Roma foi fundada. O templo
foi restaurado.
|
|
O
Reino Dividido (Israel e Judá) de Salomão à Queda
de Israel 945 721 a.C.
|
Israel
e Judá caem ante potências estrangeiras. Profecias
de Miquéias. Martírio de Isaías. Nascimento de
Jeremias. Nascimento de Daniel. Profecias de
Zacarias. Nascimento de Ezequiel. Pregação de
Jeremias.
|
|
A
Queda de Israel e a Queda de Judá
2 Rs 16; Is 21
721 586 a.C.
|
Grécia
torna-se a potência mundial - 333-63 a.C. Roma
torna-se a potência mundial - 63 a.C. - 476 d.C.
Deus não fala por cerca de 400 anos
|
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Período
Inter- testamentário
400 a.C - 5 d.C.
|
A
Trindade
Deus é uma trindade de pessoas: o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa
que o Filho; o Filho não é a mesma pessoa que o Espírito
Santo e o Espírito Santo não é a mesma pessoa que o Pai.
Eles são pessoas distintas; ainda assim, são todos o mesmo único
Deus. Eles estão em perfeita harmonia consistindo de uma única
substância. Eles são co-eternos, co-iguais e co-poderosos.
Se qualquer deles fosse retirado, então não haveria Deus
Os
Primeiros Cristãos
Pôncio Pilatos, procurador da Judeia no
ano 26, nos fins do principado de Tibério, caído no desfavor
de Roma dez anos mais tarde por Ter governado mal a província,
seria hoje lembrado apenas como pobre representante do
serviço imperial se não fosse a sua responsabilidade na
condenação e crucificação de Jesus Cristo. Na arte primitiva
cristã, Pilatos é usualmente representado a lavar as mãos,
personificação da sua fraquesa diante da turba judaica.
Contudo, para os cristãos modernos, este ato simbólico
de descompromisso com a culpa sangrenta é menos dramático
do que a grave entrevista que o precedeu, entre os representantes
da autoridade espiritual e temporal. Estranha oportunidade é o
fato de o primeiro texto existente do Novo Testamento,
um retalho do Evangelho de S. João, em papiro, recordar
algo dessa extraordinária conversa. O fragmento da página
copiada no Egito nos meados do século II, e originalmente
parte de um códice, ou livro encadernado, está agora guardado
na John Rylands Library, em Manchester. A leitura dos dois
fragmentos como partes de S. João, XVIII, vv. 31-33 e 37-38,
não se põe em dúvida, pois, sempre que confrontada, condiz
com o texto estabelecido em códices posteriores. As passagens
são estas:
"Os judeus disseram-lhes,
pois: não é legal entre nós condenarmos um homem à morte para
que se cumprisse a palavra que Jesus dissera, significando
a morte de que devia morrer. Então Pilatos entrou
na sala do julgamento outra vez, chamou Jesus, e
disse-lhe: És o Rei dos Judeus ?"
E depois:
"Para isso nasci e para isso
vim ao mundo, para testemunhar a verdade. Os que
são da verdade ouvem a minha voz. Pilatos perguntou-lhe:
O que é a verdade ? E quando disse isso, foi outra
vez para junto dos judeus e disse-lhes: Não lhe encontro
culpas."
Ambas as passagens, em especial a Segunda,
ficariam momoráveis, mesmo fora do contexto, e foi na fé de
que "os que são da verdade ouvem a minha voz" que
a Igreja primitiva começou a levar a mensagem cristã a
todas as nações.
O principal registro da primeira expansão
da Igreja depende de duas divergentes fontes literárias
complementares: os apologistas cristãos e os autores pagãos.
O esboço do quadro representado por ambos é notavelmente
constante, embora aqui e ali os pormenores possam ser confusos
e sujeitos a mais do que uma interpretação, muito raramente,
contudo, em matéria de substância. Outra feição da história
cristã é a sua continuidade a partir do século I até aos
nossos dias. Claro que se pode dizer da Igreja que nenhuma
outra instituição de comparável antiguidade se encontrada
tão completamente documentada. O total dos manuscritos
originais que sobrevive é naturalmente infinitesimal em
quantidade, comparado com o volume de obras preservadas
por gerações de copistas. No entanto, onde quer que exista,
raramente se contradiz, e quase sempre confirma a tradição
literária e histórica. As inscrições formam um corpo importante
de material original, mas numa era de insegurança, e por
vezes de verdadeira perseguição, os sentimentos puramente
cristãos não eram, asa mais das vezes, expressos claramente.
A regra era antes a linguagem velada e não documentada.
Tal como não há muito tempo os "Bretões
Antigos" eram popularmente indicados em termos de
druidas, coracles e isátis, também a era dos primeiros
cristãos foi frequentemente indicada como a idade das perseguições
constantes. Dentro do Império Romano não aconteceu propriamente
assim, e durante dois séculos a perseguição foi esporádica,
localizada e raramente em grande escala. Só nos meados
do século III, com o rápido declínio da posição militar
e a decadência da situação política do império, os cristãos
foram sistemática e selvaticamente perseguidos.
Nos primeiros anos, os Romanos consideravam
o cristianismo como uma seita do Judaísmo. Suetónio, na
sua Vida de Cláudio, recorda a expulsão dos judeus de Roma,
que "continuamente criavam distúrbios por instigação
de Chrestus". Suetónio nem sequer compreendia que
Chrestus, ou Cristo, não era um chefe judaico vivo desse
tempo. Mesmo os judeus reagiram fortemente contra a nova
religião por a considerarm capaz de derrubar as próprias
bases da sua lei; essa oposição teria sido muito mais terrível
se não estivessem durante algum tempo aniquilado politicamente,
após a destruição do Segundo templo, por Tito, em 70. Há apenas
uma linha a dividir a perseguição religiosa da política,
visto a primeira ser muitas vezes um pretexto para a segunda.
Assim, este capítulo diz respeito principalmente às relações
dos cristãos com o poder civil e, primeiro que tudo, com
o poder civil de Roma.
O grande incêndio de Roma começou em 18
de junho de 64 e durou nove dias. Muitos pensavam que tinha
sido iniciado pelo próprio imperador e que por isso, ""para
afastar os rumores, Nero levou a tribunal e sujeitou às
mais refinadas torturas aqueles que o povo odiava pelos
seus crimes e chamava cristãos". Assim escreveu Tácito,
uns cinquenta anos depois do acontecimento, continuando
a registrar o sentimento de compaixão da população para
com a "grande multidão" denunciada por camaradas
cristãos condenados que depunham contra os seus cúmplices.
O cristianismo, nas palavras de Tácito, era uma "superstição
perniciosa" (exitiabilis superstitio). No entanto,
os sofrimentos das vítimas faziam pena e a "vasta
multidão" continuava a crescer. Não muito depois do
incêndio se na tradição firme, sem nenhuma prova
em contrário, se deve acreditar S. Pedro e S. Paulo
foram martirizados em Roma.
Nem todos os imperadores romanos eram
Neros e, durante quase um século após o assassinato daquele,
os cristãos viveram num estado pouco invejável de incerteza
e insegurança, com a Roma imperial soprando ora quente
ora fria, conforme ditava o interesse político do momento.
Para os defensores do cristianismo, especialmente para
os que escreviam muito depois dos acontecimentos que relatavam,
o papel dos Romanos era com frequência simplicado em termos
de maldade calculada. É óbvio, através de muitos escritos
pagãos, que isso se baseava muitas vezes num total mal-entendido
da posição cristã. A famosa correspondência entre Plínio,
governador da Bitínia, e o imperador Trajano, sugere, mais
do que dois monstros de iniquidade, dois homens embaraçados,
resolvidos a serem escrupulosamente leais para com uma
seita considerada viciosa e ateísta. Qualquer pessoa culpada
de cristianismo, escreveu Trajano, que estivesse preparada
para ser retratar, devia de ser rejeitada "como um
mau precedente e contrário ao espírito dos nossos tempos".
Mesmo assim, foi no principado de Trajano que Sto. Inácio,
bispo de Antioquia, foi trazido a Roma para sofrer, na
arena, uma execução bárbara.
Mas a personalidade divididida de Roma
oficial não é melhor exemplificada em parte alguma do que
no belo relato do martírio que S. Policarpo de Esmirna,
um discípulo de S. João Evangelista, sofreu durante o governo
do mais humano dos imperadores, Antonino, o Pio (138-161).
Depois da sua prisão, Policarpo foi chamado pelo chefe
da política para se retratar. "Na verdade disse
ele que mal há em dizer Senhor César e em oferecer-lhe
incenso e o resto e assim ser salvo ?" Policarpo replicou: "Durante
oitenta e seis anos servi a Cristo e Ele não me enganou.
Como vou agora blasfemar o meu Rei e Salvador ?" Uma
pergunta respondida com outra pergunta, e S. Policarpo
foi queimado. Por esse tempo, uma pequena memória, ou santuário,
em honra de S. Pedro, estava a ser erigida no socalco sul
da colina do Vaticano, em Roma.
Seria errado responsabilizar apenas Antonino
pelo martírio de S. Policarpo e de alguns outros. Em geral,
ele seguiu a política relativamente humana dos seus antecessores,
Adriano e Trajano, pela qual os cristãos não deviam ser
perseguidos nem, se acusados, condenados, a não ser que
se pudesse provar terem infringido as leis um cláusula
na qual se incluía a recusa de sacrificar ao imperador
como a um deus.
Um longo período de relativa paz par a
Igreja terminou abruptamente pela promoção do filho adotivo
de Antonino, Marco Aurélio (161-180). Estóico convicto
e praticante, homem de disposição mansa, afetuoso e leal,
no seu tratamento com os cristãos provou ser implacavelmente
intolerante, e as perseguições que promoveu foram piores
por serem dirigidas por um espírito treinado e eficiente.
Com uma vida assediada por dificuldades familiares e forçado
a consumir-se no confronto com a ameaça dos Bárbaros em
campanhas militares para as quais não tinha inclinação
natural, o imperador via nos cristãos, com o seu suposto
ateísmo, a fons et origo de todos os seus problemas. Nunca
saberemos se ele leu ou não a Embaixada de Atenágoras,
em que todas as acusações apresentadas contra os cristãos ateísmo,
canibalismo e imoralidade sexual eram mais do que
adequadamente refutadas. Atenágoras dedicou o seu livro
a Marco Aurélio e a seu filho Cómodo, como filósofos, não
menos do que como imperadores, entre 176 e 180, nos fins
do principado de Marco, mas a violência da perseguição
não decresceu com o avançar dos anos. Justino, o Mártir,
defensor do cristianismo, foi uma vítima notável do primeiro
período, mas a pior perseguição que estava reservada à Igreja
aconteceu na Gália, em 177, quando Blandina, uma moça escrava,
e os seus companheiros foram executados em Lião com um
sadismo que deve ter poucos paralelos na história humana. Às
vítimas, cuja crença na ressureição do corpo era bem conhecida
das autoridades, até os ritos do enterro foram negados,
e os restos, reduzidos a carvão, foram lançados ao Ródano
como se assim fossem privadas da esperança que as tinha
fortificado no sofrimento.
Num panorama de tão horríveis acontecimentos
o avanço da Igreja continuava firme, e isso prova-o o chamado "Monumento
de Avircius". Por curiosa coincidência, o texto da
inscrição era conhecido antes da descoberta da pedra original
por Sir William Ramsay, em 1883, e já citado no século
IV, numa Vida de Avircius Marcellus, bispo de Hierápolis,
cidade da Pentápole frígia.
O epitáfio, composto pelo próprio Avircius
aos 72 anos, consiste de 22 hexâmetros, caracterizados
como "coxos" pelo arcebispo Carrington e como "elefantes" por
Sir William Calder com um maior sentido de justiça
para um frígio da era cristã --, em que o bispo descrevia
a sua visita a Roma no principado de Marco Aurélio e as
suas subsequentes viagens no Oriente. A linguagem é enigmática,
sendo essa a clara inteção do autor. No entanto, embora
composta de tal jeito que não poderia ter ofendido um pagão,
a interpretação cristã causa poucas dificuldades.
"Cidadãos de uma cidade escolhida,
levanto esta pedra em minha vida para que, a seu devido
tempo, eu possa Ter um lugar de descanso para o corpo.
O meu nome é Avircius, discípulo de um pastor puro com
os olhos que vêem tudo e que pastoreia os seus rebanhos
nas montanhas e nas planícies. Ele ensinou-me o verdadeiro
conhecimento e mandou-me a Roma para observar o poder e
admirar um rainha de vestidos e sandálias de ouro, e aí eu
vi um povo marcado com um claro sinal. Vi também a planície
da Síria e todas as suas cidades, e Nísibis para além do
Eufrates. E em todos os lados encontrei irmãos, com Paulo
nas minhas mãos, e fé por toda a parte. Em toda a parte
também eles me deram de comer do grande peixe puro, da
nascente, que uma virgem sem mácula apanhou, e ela dava
continuamente dessa comida aos irmãos, com bom vinho, e
a taça ao mesmo tempo que o pão. Estas coisas eu, Avircius,
fiz com que, aos 72 anos, fossem escritas na minha presença.
Que cada crente que leia isso reze por Avircius. Mas que
ninguém ponha outro corpo no meu túmulo e, se alguém o
fizer, que pague 2000 pelas de ouro ao Tesouro Imperial,
e mais mil à bela cidade de Hierápolis".
Embora durante alguns anos a dura política
de Marco Aurélio lhe sobrevivesse nas partes mais remotas
do império, foi por acaso, mais do que por desígnio, e
sob o governo de seu filho Cómodo (180-193), que os cristãos
foram deixados em paz. Com maior intensidade houve uma
onda de terror na primeira parte do principado de Severo
(193-211), especialmente no Norte de África (em Alexandria
e em Cartago), mas a primeira metade do século III foi
relativamente pacífica. As várias excentricidades de Caracala
(211-217) e de Heliogábalo (218-222) não os levaram a perseguir
a Igreja, enquanto o gentil Severo Alexandre deu a Cristo
um lugar, ao lado de Abraão e de Orfeu, no seu oratório
particular. De Filipe, o Árabe, constatava que era convertido
ao cristianismo. Houve paz por algum tempo, mas o pior
estava ainda por vir. No entanto, a sua vinda constituiu
a medida do aumento da força da Igreja, à qual nem mesmos
os membros da casa imperial ficaram imunes.
O desenvolvimento do cristianismo coincidiu
com a decadência da velha ordem pagã, e Décio (249-251)
assumiu a púrpura após o assassinato de Filipe num ambiente
sombrio de pressão militar no estrangeiro e declínio de
moralidade pública e privada. Voltando as costas ao presente,
ele tomou o nome de Trajano para frisar o regresso aos
princípios de um imperador cujas qualidades morais se haviam
tornado conhecidas ("mais feliz do que Augusto e melhor
do que Trajado, era o que se dizia"), e expulsou o
mal, conforme o entendia, num ataque ao cristianismo. De
todas as religiões orientais que se supunha minarem a segurança
do Estado Romano e o caráter do seu povo, só o cristianismo
se recusara ao acordo quanto à adoração ortodoxa do imperador.
Ao aceitar a vara da lealdade, Décio concentrou o seu ataque
nos dirigentes da Igreja, isto é, na hierarquia. Uma vez
eliminados ou desacreditados, os bispos deixariam atrás
de si ele assim o esperava uma turba desorganizada
que facilmente se varreria da face da terra. Contudo, o
seu programa falhou, porque a hierarquia, e em especial
Cipriano de Cartago, viu que a sua própria segurança vital
era vital para a sobrevivência da Igreja. Assim, não solicitou,
como S. Policarpo, a prisão e o martírio, antes se pôs
fora do alcance dos perseguidores e continuou de longe
a dirigir o rebanho. A perseguição falou também porque
depois de a onda de apostasia entre os irmãos mais fracos
se ter acalmado, ficou um coração de resistência, prova
certa contra todos os julgamentos. Este curto mas intenso
período de perseguição deixou um legado de amargor no cisma
do antipapa Novaciano e seus adeptos, opositores da generosa
política dos papas Cornélio e Cipriano, pela qual os apóstatas
penitentes podiam ser inteiramente reintegrados na comunhão
da Igreja.
A morte de Décio na batalha contra os
Godos foi seguida de dois anos de anarquia, proporcionando
aos fatigados cristãos tempo para respirar. Finalmente,
depois de dois golpes militares em que os imperadores Triboniano
Galo e Emiliano foram sucessivamente assassinados com os
filhos, Valeriano, um dos mais capazes oficiais de Décio
e homem que tinha representado o difícil papel de censor
durante o mesmo principado, tomou o poder em 253. Tal como
Décio, iniciou uma perseguição geral, um vez mais marcada
por um ataque á hierarquia, e o próprio S. Cipriano foi
perseguido e martirizado em Cartago. Mais tarde, por uma
série de leis cuidadosamente reguladas, reduziu os cristãos
não executados à categoria de cidadãos de segunda classe,
despojando-os de todas as honras que possuíssem e confiscando-lhes
os bens. A violência desta perseguição levara muitos a
crer que a existência do centro do culto de S. Pedro e
S. Paulo na Basílica dos Apóstolos, na Via Ápia foi devida à trasladação
das relíquias dos apóstolos dos seus túmulos tradicionais
na colina do Vaticano e na Porta Óstia com o fim de evitar
a violação dos mesmos. Até onde a política de Valeriano
podia ter resultado, se ele se conservasse imperador, é impossivel
avaliar, pois em 260 foi aprisionado por Sapor I, da Pártia,
e morreu no cativeiro. O seu filho e sucessor, Galiano
(260-268), teve de enfrentar no seu principado uma situação
militar desastrosa e a ameça de colapso de toda a ordem
imperial Nas províncias orientais, além da invasão da Síria
e da Sicília por Sapor, deu-se uma revolta de "imperadores" usurpadores,
enquanto Palmira a rainha Zenóbia se aventurava a uma campanha
que mais tarde separaria o Egito e a Síria da aliança romana.
Na Gália, durante os últimos anos de Valeriano, o usurprador
Postúmio levantou um império com todas as insígnias romanas.
Confrontando com uma situação que teria pesado a um caráter
muito mais forte do que o dele, Galiano não se inclinou
a acrescentar às suas dificuldades a continuação da perseguição
dos cristãos. Daí Ter lançado um rescrito através do qual
a liberdade de culto e as propriedades confiscadas por
Valeriano seriam restituídas à Igreja.
Durante mais de uma geração, os cristãos
ficaram mais ou menos em paz, e a Igreja consolidou a sua
posição até que, como sabemos, se tornou invencível. Na Ásia
Menor e na Síria, uma grande parte da população talvez
uns dez por cento era cristã, enquanto na longínqua
Grã-Bretanha a Igreja tinha feito bastantes progressos
na primeira metade do século III, embora Tertuliano e Orígenes
a censurassem, dizendo que ainda não era o suficiente.
Tanto no Oriente como no Ocidente, a organização interna
estava a tomar a forma hoje familiar. Desenvolveu-se uma
liturgia para a administração dos sacramentos e nasceu
a nova arte inspirada e dedicada ao serviço do cristianismo.
Até mesmo a cisma e a heresia, como um presságio fúnebre
de complicações futuras, constituíam preocupação dos chefes
da Igreja. A última perseguição geral, nos princípios do
século IV, sob o governo de Dioclesiano (284-305), foi
mais feroz do que todas que a precederam. Estava, porém,
predestinada a falhar, derrotada pela própria vastidão
do seu propósito. Claro que as palavras tantas vezes repetidas
no Martirológico Romano: "que encontrou a morte durante
o governo do imperador Diocleciano", são menos um
canto fúnebre do que um estribilho triunfante.
Após a morte de Galiano, o principado
tornara-se cada vez mais um exercício puramente militar
a ser desempenhado por um dos comandantes famosos na ocasião.
Alguns desses imperadores-soldados, homens como Cláudio,
o Gótico, o brilhante Aureliano e Probo, eram generais
de grande craveira e, sob o seu governo, o império gozou
um descanso temporário. Aureliano (270-275), canalizando
a observância religiosa, com excepção da cristã, para o
seu novo culto ao Sol Vitorioso, infundiu por algum tempo
nova vida ao paganismo. Todavia, com o inconsiderado assassinato
de Probo em 282 e a sucessão, por um golpe militar, de
Caro, estabeleceu-se, quase imediatamente, a anarquia.
Em 284, Caro e o filho, Numeriano, foram mortos, o último
devido a uma conjura de um tal Áper, prefeito da Guarda
Pretoriana. Áper foi preso e sujeito a julgamento mas,
antes de o processo ser iniciar, Dioclesiano, um jovem
oficial ilírico, de nascimento humilde mas de grande capacidade
militar, que fora aclamado princeps pelo exército na sucessão
de Numeriano, matou o assassino com a sua lança. Assim
diz a história que Dioclesiano cumpriu a profecia de uma
sacerdotisa gaulesa de que ele se tornaria imperador depois
de Ter matado um javali bravo. O exército de Carino, o
filho sobrevivente de Caro, estava ainda em campo, mas,
após uma curta campanha que só durou alguns meses, reuniu-se
a Dioclesiano, e Carino foi executado. O imperador tinha
agora a aliança de todo o exército, e com o seu principado
começou uma nova era na história do Velho Mundo. Porém,
ao passo que o corpo do Estado rejuvenescia, o paganismo,
o espírito que o devia ter animado, enfraquecia. Foi o
gênio de Constantino que converteu essa fraqueza fundamental
numa nova ordem e que protegeu o principado com a única
força espiritual bastante bem organizada para assegurar
a sobrevivência do império.
As reformas políticas e econômicas de
Dioclesiano foram revolucionárias. Rejeitando qualquer
princípio de hereditariedade de sucessão, dividiu o mundo
romano para fins administrativos em quatro regiões sobre
as quais ele e Maximiano governaram como imperadores mais
velhos, com dois subordinados, Constâncio Cloro e Galério,
chamados Césares. Foram tomadas medidas para a abdicação
dos Augustos após um período de vinte anos, quando os Césares
deviam tomar os seus lugares de imperadores, com dois subordinados,
como antes. Os pormenores territoriais não vêm aqui a próposito,
bastando recordar que, enquanto Maximiano e Constâncio
eram responsáveis pelo Império Ocidental, Dioclesiano e
Galério governavam as províncias orientais. Considerando
a natureza turbulenta da época, isto diz muito das qualidades
de Dioclesiano, pois, até à ocasião da abdicação dos dois
Augustos, todos quatro se conservaram nos territórios destinados
sem abrirem rivalidades ou interferências. Também, a princípio,
não existiu qualquer animosidade para com os cristãos,
muitos dos quais ocupavam posição de confiança na casa
do imperador.
A grande perseguição começou no ano de
19 do tempo-limite imposto pelo próprio Dioclesiano e,
por estranho que pareça, as suas origens nunca foram devidamente
esclarecidas. Lactâncio, no seu tratado vitriólico De
Mortibus Persecutorum, dá pretextos que parecem absurdos,
ao passo que Eusébio não é claro em tão importante episódio
da história da Igreja. De acordo com Lactâncio, Dioclesiano
exasperou-se contra os cristãos quando, em 297, foi consultar
os augúrios acerca do progresso da campanha parta de Galério.
Não obtendo resposta dos áugurios, e querendo saber a razão,
disseram-lhes que alguns cristãos presentes tinham feito
o sinal da cruz. É uma história incrível, um pretexto trivial
para um grande ressentimento. E como o imperador não tomou
quaisquer medidas contra a Igreja durante mais seis anos,
talvez se suponha que a história fosse para se arrastar
o nome de Galério, detestado por Lactâncio. Neste contexto, é notável
o fato de Galério ser novamente apresentado como o gênio
mau do velho imperador quando os decretos selvagens foram
promulgados contra os cristãos após o início oficial da
perseguição em Nicomedia, em 303. Houve também uma acusação
contra os cristãos, a de terem lançado fogo ao palácio
imperial, mas represálias em tão vasta escala são inconsistentes
com o que, por outro lado, se conhece do caráter de Dioclesiano,
de fontes menos oblíquas do que as de Lactâncio. Parece
mais aceitável que a decisão de lançar a grande perseguição
marcasse o auge de um período de ressentimento crescente
(possivelmente fomentado por Galério) contra os cristãos,
para o qual acontecimentos anteriores forneciam pretexto.
Dioclesiano foi o primeiro imperador de
Roma a modelar o seu comportamento oficial segundo o dos
governantes do Velho Oriente, a vestir-se de sede e ouro,
a usar diadema de pérolas e até a exigir que se prostrassem
ante a presença imperial. Tal como Domiciano e Aureliano,
antes dele, adaptou o estilo de "Senhor e Deus" domius
et deus no Ocidente, enquanto no Oriente lhe
chamavam simplesmente "Rei". Com ele começou
o cesaro-papismo que mais tarde marou o governo dos imperadores
cristãos de Bizâncio. Que Dioclesiano acreditasse ser um
deus é muito improvável, embora pareça Ter tido a consciência
de uma missão divina para salvaguardar Roma e o seu império.
Tendo escapado à perseguição durante o governo de Aureliano,
um imperador de pretensões semelhantes a Dioclesiano, os
cristãos não precisavam de se sentir em perigo iminente,
mas em 296 aconteceu algo que lançou uma longa e pressaga
sombra.
Em dois anos sucessivos (268 e 269) Cláudio,
o Gótico, tinha derrotado os invasores góticos e alemães.
Vinte e cinco anos depois, embora não houvesse ameaça comparável,
novos perigos assolaram as orlas do império. No Ocidente,
a Grã-Bretanha havia sido dominada pelo usurpador Caráusio,
enquanto nas fronteiras orientais surgiam outra vez os
problemas com a Pérsia. O "César" de Maximiano,
Constâncio Cloro, restaurou devidamente a posição na Grã-Bretanha
mas, 296, Galério foi infeliz na campanha da Pérsia, e
nesse ano Dioclesiano instituiu a sua primeira perseguição
a uma religião organizada, os maniqueus, que combinavam
a aceitação da doutrina persa do dualismo com crenças heréticas
cristãs. Seguindo precedentes, o imperador dirigiu o seu
ataque contra os chefes da seita, decretando que eles e
os seus livros fossem queimados e que os subordinados fossem
degolados ou enviados para as minas com a perda dos bens.
A verdadeira causa da perseguição era o sentimento antipersa,
fomentado pelos militares, embora Dioclesiano fosse influenciado
pelo dever de campeão do paganismo oficial contra a atração
insidiosa de uma nova religião, cujos adeptos, tal como
os cristãos, eram acusados de todos os vícios. Talvez o
paralelo cristão tenha ocorrido ao imperador, nessa altura,
pois os cristãos, muito mais do que os maniqueus, representavam
uma ameaça à ordem estabelecida. Ele deve Ter sabido, sem
qualquer sugestão de Galério, que os cristãos eram inflexivelmente
opostos à religião do Estado e que o seu Cristo desafiava
a própria autoridade do imperador.
No ano seguinte, Galério saiu vitorioso
e foi erigido um arco em Salonica a comemorar o seu triunfo
sobre os Persas. Se se pode acreditar em Lactâncio, o incidente
dos áugures aconteceu no mesmo ano, antes de o resultado
ser decidido, e, se assim foi, a ira de Dioclesiano numa época
tão angustiosa seria aceitável, embora não o bastante para
o levar à perseguição.
Em 301, só dois anos antes do seu primeiro
ataque à Igreja, Dioclesiano publicou o seu famoso decreto
que tinha por fim manter os preços das mercadorias e dos
serviços em todo o império. Havia já tentado uma reforma
da moeda para ir contra a ameça de inflação crescente,
dando um valor fixo às suas novas moedas de ouro, de prata
e de cobre mas sem sucesso. O decreto incluía castigos
e até morte para os que excedessem os preços máximos prescritos,
mas infelizmente parece Ter dado resultado só no Oriente.
Tanto antes como a partir de Dioclesiano, a perseguição
a bodes expiatórios distraiu a opinião pública, desviando-a
do falhanço econômico. Dogmas políticos impopulares e crenças
religiosas são a marca do bode expiatório, e os cristãos
podiam com facilidade ser tomados como culpados em ambos
os casos.
Qualquer que fosse a razão, ou razões,
para o ato, no dia 23 de fevereiro, em 303, festa das Terminalia,
a Igreja de Nicomedia foi arrasada. No dia seguinte, foi
promulgado um decreto que exigia aos cristãos o regresso à religião
dos seus antepassados, sob a pena de perda de direitos
cívicos, se cidadãos, e regresso à escravidão dos que tinham
sido libertados. Como tais medidas falhassem, o governo
promulgou uma série de decretos, cada qual mais severo
do que o anterior. Para enfraquecer a resistência dos leigos,
foram presos os clérigos, primeiro, e logo em seguida obrigados
a sacrificar ao imperador ou morrer. Sob esta pressão extrema,
alguns apostataram. A retratação sob tortura era reconhecida
como válida pelas autoridades, cujo principal interesse
consistia em romper a fidelidade dos leigos. Finalmente,
antes de um ano, saiu o notável Quarto Decreto, segundo
o qual os cristãos deviam sacrificar ou morrer. Nessa altura,
a perseguição espalhava-se por todo o império, e tanto
Maximiano como Constâncio cloro dirigiam a política oficial.
Em 305, de acordo com as leis que tinham
imposto a si próprios, Dioclesiano e Maximiano abdicaram
solenemente, a favor de Galério e de Constâncio. Diocleciano,
que estava doente, fê-lo com gosto. Maximiano, com relutância.
Os dois novos Augustos escolheram como seus subordinados,
ou Césares, Maximino Dácio e Valério Severo, para o serviço
no Oriente e no Ocidente, respectivamente. Dioclesiano
tinha assegurado vinte anos de governo estável, especialmente
pela força da sua personalidade, e, com a sua abdicação,
o mundo romano voltou ao caos.
Somente em 313 os imperadores lançaram
novas instruções respeitantes aos tratamentos dos cristãos,
geralmente conhecidas como o Edito de Milão. Nos novos
regulamentos, os cristãos gozavam de direitos legais sob
garantia dos imperadores, e a propriedade confiscada era-lhes
totalmente restituída.
Baseado nos trabalhos de Michael Gough
Igreja
Cardeal Paulo Evaristo Arns escreveu a
seguinte introdução em um dos seus livros:
"Quando São Pedro terminou
o primeiro sermão, os ouvintes perguntaram a ele
e aos demais apóstolos: Irmãos, que devemos fazer
?
A resposta de Pedro foi esta: "Convertei-vos
e seja cada um de vós batizado, em nome de Jesus
Cristo, para a remissão dos pecados. Recebereis então
o Dom do Espírito Santo".
Cerca de três mil pessoas aceitaram
o conselho.
A partir desta data, eles se mostraram
assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão
fraterna, à fração do pão e às orações.
Os fiéis, unidos entre si, tinham
tudo em comum.
Isto aconteceu em Jerusalém, depois
da morte, ressureição e ascensão de Jesus, no dia
de Pentecostes.
Mais ou menos 19 séculos depois,
na periferia de uma de nossas grandes cidades, um
grupo de pessoas se reúne todas as semanas, para
ler os Evangelhos, em que se encontram os ensinamentos
dos Apóstolos, para praticar a solidariedade entre
si, que é a comunhão fraterna, para celebrar a Eucaristia,
chamada antigamente "fração do pão" e para
rezarem juntos.
No fim de cada reunião, distribuem
tarefas, como visitas a doentes, ajuda a favelados
e a menores abandonados, e recolhem as encomendas
para as compras em comum.
Se você perguntar a este grupo
por que faz isto, responderá sem hesitar: "nós
somos Igreja".
Talvez nem todos saibam explicar
o que é a Igreja. Mas têm dela, como lembra o Papa
Paulo VI, "uma experiência conatural, mesmo
antes de formar por si noção reflexa".
Assim a Igreja não se apresenta
como corpo estranho. Antes, realiza com os homens
o que eles próprios, em seu íntimo, desejam fazer."
A palavra "Igreja" originou-se
do latim "Ecclesia", que representa o termo hebraico "qahal" ou "qehal",
que significa o ato de reunir ou também o próprio grupo
reunido.
A igreja era entendida pelos cristãos
como uma comunidade reunid em algum lugar, como Igreja
da Judéia, Igreja da Galiléia, etc..., que são parte da
terra de Jesus.
Cardeal Paulo Evaristo Arns define que
a Igreja Católica é a comunidade de fiéis batizados, que
hoje se encontram no mundo todo.
Missão
da Igreja
Resume-se em três as missões da Igreja,
são estas:
-
Evangelizar: que é levar a Boa Nova a todos
os homens, de qualquer país e de qualquer meio,
para transformá-los, a partir de dentro, e assim
tornar nova a própria humanidade.
-
Santificar: que é tornar o homem santo ou cristão,
ou seja, levá-lo a assemelhar-se a Cristo.
-
Pastorear: é saber conduzir o homem ao seu
fim último. No entanto, este precisa estar unido
e organizado, estando sempre a serviço dos demais
homens. Cito alguns dos grandes líderes, ou pastores
do povo, antes da chegada de Cristo foram Abraão,
Moisés e Davi.
A
Hierarquia na Igreja
Quem mais bem apresentou os responsáveis
da Igreja para que eu pudesse resumí-los para você caro
leitor, mais uma vez foi o Cardeal Paulo Evaristo Arns.
- Leigos são os fiéis incorporados em Cristo, constituídos
no Povo de Deus, e a seu modo feitos participantes
do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo.
Assim exercem sua parte na missão de todo o povo
cristão, na igreja e no mundo. Entende-se por múnus
a tarefa sagrada do leigo, consiste em ser sacerdote,
profeta e rei, e por cristãos todos aqueles adeptos
a Cristo logo após a sua morte.
- Religiosos são todos os padres e ou pessoas que
pertencem a uma congregação ou ordem religiosa de
maior ou menor tradição, podendo ser de ambos os
sexos. Parte deles se dedicam exclusivamente à oração.
- Padres têm a missão de abrir novos horizontes para
o elã da Igreja e manter a fé entre os fiéis e de
renová-la, nas novas condições em que estes se encontram.
- Bispo é um padre que cumpriu, por quinze ou vinte
anos, sua missão com amor e certo êxito; quando,
além disso, passou pela experiência de Coordenador
da Postoral na Diocese; quando possui alguma especialização
ou talento especial; quando, afinal, é apreciado
por seus colegas, pelo Bispo e muito aceito pelos
leigos; pode acontecer que, um dia, seja chamado
pelo Núncio Apostólico, representante do Papa no
País, e receba dele a proposta de ser Bispo de uma
determinada Igreja.
- Papa tem a responsabilidade última na Igreja Católica.
O Anuário Pontifício, que representa o elenco das
pessoas e instituições de maior vulto na Igreja,
abre suas páginas com o nome do atual Pontífice,
indicando as atribuições e títulos seguintes: Bispo
de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe
dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal,
Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália, Arcebispo
e Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado
da Cidade do Vaticano, e Servo dos servos de Deus.
Baseado nos trabanos do Cardeal Paulo
Evaristo Arns
A
História da Igreja
Transcrito com autorização do Padre
José Oscar Beozzo do Livro
O Que é Igreja de Paulo Evaristo Arns
A História da Igreja não pode ser simples
relato dos fatos que aconteceram na Igreja e muito menos
a biografia de Bispos ou Papas.
Cada época deve recolher o que lhe inspira
o período precedente e comparar os dados com o que Cristo
propôs no seu Evangelho. Com esta dupla síntese, a Igreja
enfrenta sempre novos períodos. Portanto, a História da
Igreja, além de conservar a memória dos homens cristãos
e de seus feitos, é fonte de atividade e vida, incentivo
e interpretação, para enfrentar desafios novos.
Para facilitar a compreensão da História,
nós a dividiremos em quatro períodos, cada um com características
bem marcantes:
Dos Séculos I a VII
Foi a fase decisiva para a organização
e o fortalecimento da Igreja. Naquele tempo, a cultura
helenística ou grega dominava o Oriente próximo, como,
por exemplo, Israel, Egito e Síria de hoje.
No tempo apostólico, que compreende duas
primeiras gerações de cristãos, os doze Apóstolos, junto
com São Paulo, enchem o cenário. Já falamos de seus escritos
e estes testemunham suas vidas.
Mesmo os escritos chamados apócritos não
autênticos também se referem a Jesus e seus primeiros
discípulos.
Sem dúvida, um período denso de heroísmo
e também de perseguições constantes.
Os livros que descrevem a Igreja neste
tempo falam sobretudo da doutrina, culto, constituição
e disciplina.
Nos primórdios percebemos neles a influência
da Igreja-mãe de Jerusalém e do próprio Judaísmo.
Os estudos modernos insistem nos contatos
com os essênios, uma espécie de ordem religiosa, que procura
manter a força tradicional do judaísmo. Por causa do seu
rigor, os essênios podem ter atraído São João Batista e
influenciado os demais discípulos, para o que hoje se chama
de judeu-cristianismo. Este, no entanto, é bem mais amplo,
uma espécie de espírito de espírito a dominar a época da
transição do judaísmo ao cristianismo.
Merecem especial destaque, nesta época,
três livros: a Didaqué, ou Doutrina dos Apóstolos,
pequeno manual de pastoral; as sete Cartas de Santo
Inácio de Antioquia, testemunhos da Igreja organizada
e sustentada na hierarquia; e a Epístola de São Clemente
de Roma, sintetizando valores judaicos e helênicos
para os novos tempos.
Os dois últimos escritos também são evocados
para provar o primado do Bispo de Roma e a organização
completa da Igreja.
Desde o começo, existem cristãos que se
separam. Serão chamados, no futuro, de heréticos ou cismáticos,
ou porque negam alguma doutrina, ou porque não aceitam
a grande Igreja.
Charles Péguy, autor moderno da França,
muito interessado na evolução da História, afirmou, uma
vez: "Tudo se inicia como mística e termina em
política". Divisão, causando feridas e provocando
escândalos.
Os desvilos do II século brotarão de corrente
mística chamada gnosticismo. Doutrinas antigas e novas,
que se misturam com revelações e exaltações pessoais. A
Igreja prefere o caminho da sobriedade, mantendo porém
alguns valores surgidos nas profundezas do tempo.
Aparece neste II século a lista oficial
dos Livros da Sagrada Escritura, que recebem o nome
de cânon, porque serão norma de fé.
Para provar sua autenticidade como Igreja
de Cristo, volta-se ela para a Tradição Apostólica e até para
a sucessão dos Apóstolos.
Neste ponto, têm valor inestimável os
escritos de Santo Irineu de Lião e São Justino e os autores
chamados Apologetas, que se esforçam por provar que a Igreja
não é estranha à História e à evolução da cultura filosófica.
Já na metade do II século, os Bispos se
reúnem em assembléias maiores, chamadas Sínodos, para enfrentarem
os movimentos doutrinários estranhos e as tentativas separatistas.
Quanto mais alastrada a falsa doutrina,
mais amplo o Sínodo.
Só no IV século, teremos o primeiro Sínodo
Universal, chamado Concílio Ecumênico de Nicéia (325).
Mas, antes dele, aparecem grantes escritores
no Oriente. Entre eles, Clemente de Alexandria, que tenta
a síntese entre a cultura grega e o cristianismo, elaborando
uma pedagogia humana e cristã. Entre todos, destaca-se
Orígenes. Apesar de alguns erros, um dos maiores gênios
cristãos de todos os tempos. Dono da mais vasta cultura
que se possa imaginar, estabelece as regras de conservação
e interpretação da Bíblia e lança os fundamentos da reflexão
cristã para os próximos séculos.
Os escritores latinos de maior fôlego,
como Tertuliano e Cipriano, foram mais práticos e se ocuparam
das virtudes cristãs, das escrituras eclesiásticas e de
educação cristão.
Realizou-se, pela Igreja, o que Cristo
havia prometido: o fermento acabou por penetrar em toda
a massa imensa do Império Romano e aí estabeleceu os germes
fortes da civilização do amor.
Não foi, porém, aceito sem contestação. "Como
me perseguiram a mim, também a vós hão de perseguir".
Isso valeu para os Apóstolos, mas também para as novas
gerações de cristãos. Os mártires, que regaram com o
sangue quase todas as áreas do domínio absoluto dos romanos,
foram sementes de novos cristãos.
A palavra mártir tem o seu equivalente
no termo testemunha, do português. Esse testemunho foi
recolhido em escritos e em tradições orais, para reanimar
as novas gerações.
Os motivos das perseguições foram os mesmos
que levam Cristo à cruz. Os cristãos eram chamados de subversivos.
De fato, não queriam outra coisa, senão levar a mensagem
e o amor à Pessoa de Cristo até o coração das pessoas e
da sociedade.
Servirão de exemplo e estímulo para gerações
futuras.
Em meio às perseguições mais cruentas,
já nasciam os sucessores dos mártires, os monges.
Para preservarem a autenticidade de seu
testemunho, homens e mulheres se separavam dos demais e
levavam vida austera, em meio à oração e aos trabalhos
manuais de sustentação. Protesto radical contra o consumismo
do tempo, é verdade, mas também luta perseverante em favor
da vida radicalmente evangélica.
Uns monges viviam inteiramente isolados
da humanidade. Os anacoretas. Em torno de diversos deles
formaram-se lendas. Suas lutas contra o comodismo e as
forças do mal atraíram imitadores e povo. Santo Antão,
São Paulo, chegaram a ser símbolos de um tempo.
Outros formaram comunidades de orantes
e penitentes. Os cenobitas.
Com a vinda de jovens doutos e sábios,
prepara o cenobitismo verdadeiras escolas de espiritualidade
e inicia a tradição teológica dos mosteiros. No seu apogeu,
foi a melhor Escola de Bispos e Pastores da época. Também
de mestres da nova organização social cristã.
Basta lembrar nomes como os de Pacômio,
Basílio e Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo.
No ocidente, melhor na Itália, São Bento
será o Mestre consumado e Pai do monaquismo que chegou
até nós.
Quando aparecer o primeiro imperador que
reconhece na prática a força dos cristãos, Constantino
Magno, os cristãos enriquecidos de mártires, teólogos,
ascetas e grandes pastores constituirão os 10% da população
mais ativa do mundo então conhecido.
Também em época posterior haverá perseguições
sangrentas e outras, mais políticas e sutis.
Os séculos IV e V ficaram marcados para
sempre, na História da Igreja, por escritores de primeira
plana, tanto no Oriente como no Ocidente. Verdadeira literatura
cristã, fonte de pesquisas em todos os séculos, modelos
de renovação de vida e verdade. São os assim chamados Padres
da Igreja.
Aqui deixamos apenas consiganos os nomes
dos gênios, como de Agostinho e Jerônimo no Ocidente. Ocidente,
porque escreveram em latim, vivendo um na África do Norte
e o outro parte na Itália, parte na Palestina. Abarcaram
e dominaram praticamente todos os assuntos que explodiriam
nos séculos futuros, como desafio ao gênio cristão.
Os escritores cristãos de língua grega
foram ainda mais profundos, porque provinham de uma cultura
que domina o pensamento humano até os dias de hoje. Além
disso, eram místicos e filósofos. Alguns deles também extremamente
práticos quando abordavam os problemas de estruturas injustas
e da repartição desigual dos bens necessários aos homens.
Se nos pedirem alguns nomes, citaremos
São Basílio Magno e seu amigo São Gregório Nazianzeno.
Também lembramos Gregório de Nissa e sobretudo São João
Crisóstomo. Mas não se pode esquecer Cirilo de Alexandria
e Santo Atanásio, anterior a ele.
Os fatos que mais influenciaram a história
daquele tempo e do nosso são os sete primeiros Concílios
Ecumênicos. Embora reunissem normalmente só os Pastores
da Igreja, foram influenciados e por sua vez influenciariam
a vida civil e religiosa. Apaixonavam o povo mais simples,
não só porque as figuras dos bispos eram muito populares.
Mas igualmente porque os assuntos envolviam o cerne mesmo
e o coração da Igreja: a divindade de Cristo, a Trindade
Santa, Maria, Mãe de Deus, a autoridade na Igreja e outros.
No mesmo período deu-se também a maior
revolução da história da antiguidade, chamada Invasão dos
Bárbaros: o encontro dos povos de cultura primitiva, os
germanos, com o império greco-romando de pensamento e costumes
mais sofisticados.
Na hora em que o cristianismo parecia
submergir, renasceu das cinzas.
Nesta época também surgiu o movimento
missionário renovador, a partir da intuição e da fibra
do Papa Gregório Magno e dos monges da Irlanda. Anuncia-se,
desta forma, o período cristão medieval, que desloca o
centro de interesse de Roma para a Europa Central.
Também as estruturas da Igreja se confirmam,
não só pela legislação, mas igualmente pelo gênio dos Papas,
como Leão e Gregório Magno, por exemplo.
A Igreja, naquele tempo, sofreu igualmente
a maior de suas tentações: a de navegar nas águas do poder
civil. De adaptar-se aos costumes e às veleidades das cortes.
De confiar mais no poder do que na sua autoridade interna.
No fim deste período, afinal, inicia-se
um movimento de divisão na História, que se projetará sobre
os próximos milênios. Maomé, que criou vigorosa corrente
religiosa, com grandes valores éticos e sociais, baseando-se
em parte na Bíblia, mas sobretudo em suas revelações. Inicia
a corrente histórica dos muçulmanos, que infelizmente separou
a humanidade, tirando-lhe o germe precioso da unidade cristã.
Dos anos 700 a 1300
Desenvolveu o germe do período anterior.
A era missionária, iniciaada na antiguidade e continuada
no Columbano, Bonifácio e outros, trará modificações substanciais
entre os povos anglosaxões.
Estes dominarão a história, por séculos.
A aliança da dinastia dos Pepinos com
o Papado, sobretudo a coroação de Carlos Magno (ano 800),
ocasionou uma espécie de comunidade ocidental. União dos
germanos com o cristianismo. Nova face da igreja. Também
simbioso entre Império e Estado. Chegam a desaparecer as
fronteiras entre ambos. Mas origina-se também, daí, a luta
entre o Império e o Sacerdócio.
Qual seria a relação entre os dois poderes:
o civil e o religioso ?
Esta questão deixará marcas para muitos
séculos. Até para o nosso.
No Oriente conhecido, também se tenta
o encontro entre a cultura bizantina e a islâmica. Surge
até nova aurora para a filosofia e a teologia. Esta acabará por
definir-se dentro de uma corrente que chamamos hoje de
Escolástica. Lá pelos anos de 1200 apareceram de fato as
Escolas Teológicas, começando pela primeira universidade,
que é a de Paris. Outras foram surgindo, em cidades então
muito ativas, como Bolonha, Pádua, Oxford, Cambridge e
Salamanca. Mais ao norte, já no século XIV, virão as escolas
de Praga, Viena, Heidelberg e Colônia. Foi um florescimento
de cultura religiosa nunca visto. Elaboração de gênios,
como Alexandre Magno, Alexandre de Hales, Santo Tomás,
Duns Escoto, São Boaventura e outros, de primeira grandeza.
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