O Espiritismo segue as teorias codificadas
por Allan Kardec.
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Allan Kardec , pseudônimo de Léon-Hippolithe-Denizart Rivail, nasceu
em Lyon a 3 de outubro de 1804 e morreu, em Paris, em 1869. De família
católica, foi educado em país de religião protestante, onde sofreu intolerâncias
religiosas que o motivaram a pensar, desde cedo, numa alternativa que visava à unificação
das crenças. Estudou em Iverdum, Suiça, e foi professor de química, matemática,
astronomia, fisiologia, física, retórica e anatomia comparada. Em 1850,
ele começou a se dedicar a estudos mais profundos de fenômenos, que começaram
a chamar a atenção, a partir de 1848, nos Estados Unidos. Essas primeiras
manifestações espíritas consistiam em ruídos, batidas e movimentos de objetos
sem causa conhecida, que ocorriam com freqüência. Uma vez controladas,
percebeu-se que se tratava de fenômenos inteligentes. |
Os resultados
dessas observações foram recolhidos nas seguintes obras: O Livro dos Espíritos,
publicado em Paris, em 1857, e que tornou o texto base do movimento espírita
Kardecista, em seu aspecto filosófico; O Livro dos Médiuns, publicado em
1861, para a parte experimental e científica; O Evangelho Segundo o Espiritismo,
publicado em 1864 para a parte moral; O Céu e o Inferno, publicado em 1865
que trata da justiça de Deus segundo o Espiritismo; A Gênese, os Milagres
e as Predições, publicado em 1868, que trata do princípio do mundo. A partir
do Livro dos Espíritos, funda-se o Espiritismo, que até então se constituía
apenas de elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance não havia
sido compreendido.. |
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Definição
Tão logo surge do reino animal um ser diferenciado,
que articula as primeiras palavras e esboça princípios de consciência,
esse ser diferencia-se dos demais pela capacidade de pensar
em Deus. O homem primitivo que agia como um animal, matava
e escravizava com a finalidade única de preservar sua existência,
passa a indagar sobre a causa dos acontecimentos e sente-se
sozinho, esmagado pela grandeza do Universo.
A idéia de Deus, iniciando a Religião, a indagação
prenunciando a Filosofia, a experimentação anunciando a Ciência,
o instinto de solidariedade prefigurando o amor, eram pensamentos
nebulosos que ecoavam entre os primeiros homens.
Surgem então, princípios religiosos nas comunidades,
onde os fenômenos da Natureza então inexplicáveis, eram associados
a divindades. Os deuses eram concebidos à semelhança dos homens,
com virtudes e vícios.
Posteriormente um povo diferencia-se dos demais,
o povo hebreu, por possuir conceitos mais avançados em relação à Deus.
Criam no Deus único, na imortalidade da alma e tinham grande
fé na justiça divina. Moisés, após libertar os hebreus da escravidão
no Egito, torna-se seu condutor. Recebe a lei de Deus no Monte
Sinai, contida nos dez mandamentos, estabelecendo a primeira
grande revelação de Deus aos homens. Os dez mandamentos são
leis de todos os tempos e de todos os povos, o que é demonstrado
pela grandeza de seus ensinamentos. Porém, para disciplinar
seu povo, Moisés criou várias outras leis, aplicáveis a situação
em que se encontrava e para dar-lhes autoridade, atribuiu a
origem dessas regras de conduta a Deus, tido como enérgico
e inflexível.
A moral ensinada por Moisés era apropriada
ao estado de adiantamento no qual se encontravam os povos que
ela foi chamada a regenerar, e esses povos, semi-selvagens
quanto ao aperfeiçoamento de sua alma, não teriam compreendido
que se deve perdoar a um inimigo, ou amar ao próximo como a
si mesmo. Sua inteligência notável sob o ponto de vista da
matéria, e mesmo sob o das artes e das ciências, era muito
atrasada em moralidade, e não se teriam convertido sob o império
de uma religião inteiramente espiritual.
Outra grande revelação de Deus estava por
vir, sendo ela predita por vários profetas na figura do Messias.
Deus na sua infinita caridade permite então ao homem ver a
verdade dissipar as trevas; era Jesus Cristo que vinha ao mundo
para mostrar aos homens a extensão que deve ser dada ao amor
e a consolação às aflições humanas, dizendo que aquele que
perseverar até o fim será salvo.
Jesus, que é o maior exemplo de perfeição
que conhecemos e cuja autoridade provinha da natureza excepcional
de seu espírito, ensinou aos homens que a verdadeira vida não
está sobre a Terra mas no reino dos céus; mostrou o caminho
que para lá conduz, os meios de se reconciliar com Deus, e
nos preveniu sobre a marcha das coisas futuras para o cumprimento
dos destinos humanos. Entretanto, não disse tudo, e sobre muitos
pontos se limitou a depositar o germe de verdades que ele próprio
declara não poderem ser ainda compreendidas; falou de tudo,
mas em termos mais ou menos explícitos, para compreender o
sentido oculto de certas palavras, seria preciso que novas
idéias e novos conhecimentos viessem dar-lhes a chave, e essas
idéias não poderiam vir antes de um certo grau de maturidade
do espírito humano. Porém, Jesus afirmou que enviaria outro
Consolador, a fim de que ficasse eternamente conosco: o Espírito
de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e
acrescentou: "Tenho muitas coisas a dizer-vos, mas presentemente
não podeis suportar. Quando vier esse Espírito de Verdade,
ele vos ensinará toda a verdade, porquanto não falará de si
mesmo, más dirá tudo o que tenha escutado e vos anunciará as
coisas porvindouras. Ele me glorificará, porque receberá do
que está em mim e vo-lo anunciará."
Conjuntamente com a vinda de Moisés e os dez
mandamentos, e o advento da Boa-Nova trazida por Jesus Cristo,
outros povos da Terra também tiveram missionários a lhes revelarem
as leis divinas.
Podemos citar, por exemplo, Maomé com a sua
missão entre os árabes; Buda cuja influência atingiu grande
parte da Ásia e os filósofos Sócrates e Platão que viveram
na Grécia, a grande dissiminadora de cultura nesta época. Baseadas
em filosofias propostas pelos enviados de Deus, vários povos
estabelecidos no Oriente, nas Américas e na África desenvolveram
religiões espiritualistas que se apoiavam na reencarnação e
no corpo espiritual e em algumas dessas religiões os fenômenos
mediúnicos eram conhecidos e praticados. Porém a humanidade
não havia ainda atingido o grau de conhecimento necessário
e o espiritualismo era revestido pelo caráter de maravilhoso
e de sobrenatural.
De outras vezes as manifestações dos Espíritos
eram explicadas como obra demoníaca, por princípios religiosos
que até hoje persistem, desencorajando e mesmo proibindo, através
do poder religioso constituído, toda pesquisa e estudo que
viesse esclarecer a causa dos referidos fenômenos.
Na idade média, quando a religião predominava,
os valores da suposta fé prevaleciam sobre a razão. Foi necessário
que o tempo passasse; que o homem amadurecesse e, como consequência,
houvesse a libertação do conhecimento, para que a explicação
racional desses fatos pudesse ser encontrada.
Como consequência da libertação do pensamento
nos tempos modernos, o homem passou a questionar os princípios
filosóficos impostos de forma dogmática, considerados incontestáveis
e indiscutíveis. De um lado o ateísmo científico; de outro,
a ilusão religiosa. O avanço alcançado pelas ciências, especialmente
a química, a física e a astronomia, o surgimento dos grandes
pensadores nos séculos XVIII e XIX, concorreram para mostrar
a fragilidade de alguns princípios estabelecidos pela teologia.
Da crença cega chegava-se a negação absoluta.
Foi nesse clima que surgiu a Revelação Espírita,
trazendo ao mundo a explicação lógica para os grandes enigmas
da vida, da morte, da dor, da felicidade, etc.
As bases da Doutrina Espírita foram estabelecidas
por Allan Kardec através da análise e seleção das comunicações
dos Espíritos, usando os critérios da universalidade e concordância
do ensino dos Espíritos, à luz da razão.
Como não poderia deixar de ser, o Espiritismo é uma
doutrina de livre exame, propugnando pela fé raciocinada. Nascia
uma nova filosofia, apoiada na ciência, cujas consequências
morais, do mais alto alcance, preparam a humanidade para uma
nova era, onde os valores espirituais preponderarão sobre os
valores materiais.
Vemos agora, que o universo se define pela
tríade Deus, Espírito, Matéria. A matéria, porém, não é somente
o elemento palpável, havendo o fluido universal, intermediário
entre o plano espiritual e o plano material. "Tudo se
encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo,
que também começou por ser átomo", como vemos na questão
nº 540 do Livro dos Espíritos. Para chegar a perfeição, temos
que passar pelas provas da existência material, através do
mecanismo das reencarnações, ao qual se associa a lei de causa
e efeito, que permite ao Espírito quitar-se perante sua própria
consciência dos débitos que contrai, à medida que seu progresso
lhe permite estabelecer a diferenciação entre o bem e o mal.
As condições de vida após a morte do corpo
físico são estudadas com detalhes, ressaltando desse estudo
o processo natural de aprendizado do Espírito, através da experiência.
A morte, simplesmente, não o liberta das paixões, dos vícios,
da ignorância, como também não define o seu futuro, tal como
ensinava até então a teologia. Cai por terra a falsa concepção
de inferno, céu e purgatório.
O Espiritismo, não tendo formas exteriores
e adoração, nem sacerdotes, nem liturgia, nem dogmas, não é entendido
por muitos como religião. Todavia, tendo como exemplo o Cristianismo
no seu nascedouro, reconhecemos que para uma doutrina ter o
caráter religioso não é necessária nenhuma estrutura complicada,
senão um conjunto de princípios capazes de transformar o homem
para melhor.
Espiritismo: Filosofia, Ciência ou Religião?
Podemos dizer que a Doutrina Espírita se resume
nos seguintes princípios fundamentais: Deus, o Espírito e sua
imortalidade, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação,
a pluralidade dos mundos habitados e as leis morais.
Espiritismo ou Espiritualismo? Espiritismo
e espiritualismo são duas definições que não se confundem.
Todas as religiões são espiritualistas, uma vez que acreditam
na existência de algo além da matéria. Porém, o espiritualismo
não implica necessariamente na crença nos espíritos e nas suas
manifestações. A aceitação , compreensão e estudo metódico
destes fenômenos é o Espiritismo.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência experimental
e doutrina filosófica de conseqüência religiosa. Como ciência
prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer
com os espíritos; como filosofia e religião compreende todas
as conseqüências morais decorrentes dessas relações.
Os Elementos Gerais do Universo
A MATÉRIA é o corpo palpável que retém o espírito.
O espírito utiliza a matéria para agir e é sobre a própria
matéria que recai a sua ação.
O ESPÍRITO é "o princípio inteligente
do universo", independente da matéria. Não é de natureza
palpável e a inteligência é o seu atributo essencial. Apenas
a união da matéria e do espírito concede "inteligência"a
matéria. Pode também ser chamado de Alma , quando utilizando
a matéria.
O FLUÍDO UNIVERSAL é o intermediário entre
o espírito e a matéria, possibilitando a união dos dois. Sem
esse fluído, o espírito não exerceria seus efeitos sobre a
matéria, condenando-a a um permanente estado de inércia. Podemos
chamar esse envoltório fluídico de perispírito. É através deste
corpo etéreo que os espíritos conseguem produzir fenômenos
e chamar a atenção dos encarnados.
A TRINDADE UNIVERSAL é o princípio de tudo
o que existe. É formada pela matéria, pelo espírito e, acima
de tudo, por Deus, criador de todas as coisas. "Deus é eterno, é imutável, é imaterial, é único, é Todo-Poderoso
e é soberanamente justo e bom".
O ESPAÇO UNIVERSAL é infinito, não existe
o vazio pois há sempre ocupação, mesmo que seja por matéria
desconhecida aos nossos sentidos..
A Vida e a Morte
A morte, para nós os espíritas, é a exaustão
dos órgãos, da matéria.
É necessária porque com a morte a matéria
se decompõe, sendo possível formar novos seres. A vida é a
matéria, animada pelo princípio vital que tem como fonte o
fluído universal. É ele que dá atividade à matéria inerte.
A quantidade deste fluído segundo as espécies e não é sempre
igual em um mesmo indivíduo. Essas diferenças permitem um intercâmbio
deste fluído entre os seres humanos, possibilitando, em casos
especiais, o impedimento da morte de uma pessoa. Ao romperem-se
os laços, a morte da matéria permite ao espírito recuperar
a sua liberdade e sua identidade, conservada pelo perispírito,
seu corpo etéreo.
Os Médiuns
Médiuns são todos que sentem, de alguma maneira,
a presença dos espíritos, independente da intensidade e da
diversidade dessas manifestações. Segundo a doutrina, essa
faculdade é inerente ao ser humano e não constitui privilégio
de ninguém, pois todas as pessoas possuem mediunidade mesmo
que em "estado rudimentar".
Os médiuns mais desenvolvidos acabam se sobressaindo
e recebem a denominação com mais freqüência, dando a falsa
impressão de que são a minoria. Os médiuns tem, na sua maioria,
faculdades especiais de captação das manifestações espirituais,
fazendo que eles se tornem diferentes entre si ao se expressarem.
As principais variedades dessas manifestações estão relacionadas
a seguir:
- Médiuns de efeitos físicos: produzem fenômenos materiais
como movimentação de objetos, ruídos, batidas, etc.
-
Médiuns videntes: possuem a faculdade de ver os espíritos.
Raramente esse tipo de mediunidade se manifesta por um
longo período. Essa visão não é propiciada pelos olhos,
e sim pela alma, o que torna possível a alguns cegos
desenvolverem esta sensibilidade.
-
Médiuns sonâmbulos: são dois tipos de sonâmbulos: os
sonâmbulos propriamente ditos, que antecipam seu estado
de espírito ignorando a matéria, e os médiuns que servem
de instrumentos, nos quais as vontades manifestadas não
são as vontades dos seus próprios espíritos.
-
Médiuns curadores: são capazes de curar com um simples
toque, uma prece, um olhar e sem qualquer medicação. É uma
faculdade espontânea, não havendo necessidade do médium
estar preparado por estudos de medicina ou formas de magnetização.
-
Médiuns pneumatógrafos: são aqueles que recebem diretamente
dos espíritos mensagens por escrito. Essas mensagens podem
ser frases completas, desenhos ou alguns poucos traços.
Para o médium pneumatógrafo, o lápis é dispensável, o que
o difere do médium escrevente. É uma mediunidade muito
rara que requer oração e concentração.
-
Médiuns escreventes: são aqueles que recebem mensagens
por escrito. A psicografia, mais comum, fornece uma vasta
literatura e possibilita uma comunicação, entre os encarnados
e os desencarnados, essencial ao estudo e formação espírita.
A Classificação dos Espíritos
TERCEIRA ORDEM - Espíritos Imperfeitos
Características gerais: Predominância da matéria
sobre o espírito. Propensão ao mal, ignorância, orgulho, egoísmo
e todas as más paixões que lhes são conseqüentes. Tem a intuição
de Deus, mas não o compreendem. Não são essencialmente maus.
Em alguns há mais inconseqüência e malícia, do que maldade.
Uns não fazem o bem, nem o mal, e por não fazerem o bem demonstram
sua inferioridade. Outros, procuram a maldade, aliam sua malícia à inteligência
e qualquer que seja seu desenvolvimento intelectual, suas idéias
são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos inferiores.
Só podem nos dar impressões falsas e incompletas, pois o pouco
que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida
corpórea. O seu caráter se revela pela linguagem. Observam
a felicidade dos bons e isso, para eles, é um tormento incessante,
porque experimentam todas as angústias que a inveja e o ciúme
podem produzir. Pode-se dividi-los em cinco classes especiais:
-
DÉCIMA CLASSE - Espíritos Impuros - São inclinados ao mal.
Como espíritos, dão conselhos desleais, fomentam a discórdia,
a desconfiança e se mascaram de todas as formas para melhor
enganar. Ligam-se aos homens de caráter bastante fraco para
cederem às suas sugestões, a fim de prejudicá-los, satisfeitos
em poderem retardar o seu progresso e fazê-los sucumbir nas
provas por que passam. Quando encarnados, são inclinados
a todos os vícios das más paixões.
-
NONA CLASSE - Espíritos Levianos - São ignorantes, maliciosos,
inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem
a tudo, sem se preocuparem com a verdade. Sentem prazer em
causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, atormentando,
induzindo maliciosamente ao erro por meio de mistificações
e travessuras. Nas comunicações com os homens, sua linguagem é algumas
vezes espiritual e engraçada, mas , quase sempre, sem conteúdo.
Compreendem os defeitos e o ridículo humanos, exprimindo-os
em tiradas mordazes e satíricas. Se usam nomes supostos, é mais
por malícia do que maldade.
-
OITAVA CLASSE - Espíritos Pseudo-Sábios - Seus conhecimentos
são bastante amplos, mas crêem saber mais do que realmente
sabem. Sua linguagem tem um caráter sério que pode iludir
sobre suas capacidades e sua iluminação interior. Em geral,
porém, isso não passa de um reflexo dos preconceitos e idéias
sistemáticas da vida terrena. É uma mistura de algumas verdades
ao lado dos erros mais absurdos, nos quais se percebe a presunção,
o orgulho, a inveja e a obstinação das quais puderam se
desvincular.
-
SÉTIMA CLASSE - Espíritos Neutros - Não são muitos bons
para fazerem o bem, nem tão maus para fazerem o mal, inclinando-se
tanto para um como para o outro. Apegam-se às coisas do mundo,
cujas alegrias grosseiras não têm mais.
-
SEXTA CLASSE - Espíritos Batedores e Perturbadores - Esses
espíritos não formam, propriamente falando, uma classe distinta,
podendo pertencer a todas as classes da terceira ordem. Eles
manifestam, freqüentemente, a sua presença por meio de efeitos
sensíveis e físicos, tais como pancadas, o movimento e o
deslocamento anormal dos corpos sólidos, agitação do ar,
da água e do fogo. Reconhece-se que estes fenômenos não são
devidos a uma causa fortuita ou física, quando tem um caráter
intencional e inteligente.
SEGUNDA ORDEM - Bons Espíritos
Características gerais: Predominância do espírito
sobre a matéria e desejo de fazer o bem. Suas qualidades e
seu poder de fazer o bem estão relacionados com o adiantamento
que atingiram: uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade.
Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam,
mais ou menos, segundo sua categoria, os traços da existência
corpórea, seja na forma de linguagem, seja nos seus hábitos
onde se descobrem mesmo algumas de suas manias; de outro modo,
seriam Espíritos perfeitos. Compreendem Deus e o infinito e
já desfrutam da felicidade dos bons; sentem-se felizes quando
fazem o bem e quando impedem o mal. Todavia, todos ainda têm
provas a suportar, até que alcancem a perfeição. Como suscitam
bons pensamentos e desviam os homens do caminho do mal, neutralizam
a influência dos Espíritos imperfeitos. A esta ordem pertencem
os Espíritos designados pelas crenças vulgares sob o nome de
gênios bons, gênios protetores e Espíritos do bem. Nos tempos
de superstições e ignorância, foram considerados divindades
benfazejas. Pode-se dividi-los em quatro classes principais:
QUINTA CLASSE - Espíritos Benevolentes - Sua qualidade dominante é a
bondade. Alegram-se em prestar serviço aos homens e protegê-los,
mas seu saber é limitado. Seu progresso é mais efetivo no
sentido moral do que no sentido intelectual.
QUARTA CLASSE - Espíritos Sábios - São os que se destinguem,
principalmente, pela extensão dos seus conhecimentos. Preocupam-se
menos com as questões morais do que com as científicas, para
as quais têm mais aptidão. Não consideram a Ciência senão
pelo ponto de vista de sua utilidade, e não a misturam com
nenhuma das paixões que são próprias dos Espíritos imperfeitos.
TERCEIRA CLASSE - Espíritos da Sabedoria - Caracterizam-se
pelas qualidades morais de natureza mais elevada. Sem possuírem
conhecimentos ilimitados, são dotados de uma capacidade intelectual
que lhes possibilita um julgamento sadio sobre os homens.
SEGUNDA CLASSE - Espíritos Superiores - Reúnem a ciência,
a sabedoria e a bondade. Sua linguagem, que só transpira
benevolência, é sempre digna, elevada e freqüentemente sublime.
Sua superioridade os torna, mais que os outros, aptos a nos
proporcionar as mais justas noções sobre as coisas do mundo
incorpóreo, dentro dos limites do que nos é dado a conhecer.
Comunicam-se voluntariamente com os que procuram de boa fé a
verdade, e cujas almas estejam bastante libertas dos laços
terrenos para o compreender; mas afastam-se dos que são movidos
apenas pela curiosidade, ou que , pela influência da matéria,
desviam-se da prática do bem. Quando por exceção, se encarnam
na Terra, é para cumprir uma missão de progresso, e então
nos oferecem o tipo de perfeição a que a humanidade pode
aspirar neste mundo.
PRIMEIRA ORDEM - Espíritos Puros
Características gerais: Não sofrem influência
da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta em relação
aos Espíritos das outras ordens.
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PRIMEIRA CLASSE - Classe Única - Percorreram todos os graus
da escala evolutiva e se despojaram de todas as impurezas
da matéria. Havendo atingido a soma de perfeições de que é suscetível
a criatura, não tem mais provas nem expiações a sofrer. "Não
estando mais sujeitos à reencarnação em corpo perecíveis,
vivem a vida eterna, que desfrutam no seio de Deus. Gozam
de uma felicidade inalterável, porque não estão sujeitos
nem às necessidades nem às vicissitudes da vida material,
mas essa felicidade não é a de uma ociosidade monótona, vivida
em contemplação perpétua. São os mensageiros e os ministros
de Deus , cujas ordens executam, para a manutenção da harmonia
universal. Dirigem a todos os Espíritos que lhes são inferiores,
ajudam-nos a se aperfeiçoarem e determinam as suas missões.
Assistir os homens nas suas angústias, incitá-los ao bem
ou à expiação de faltas que os distanciam da felicidade suprema, é para
eles uma ocupação agradável. São as vezes designados pelos
nomes de anjos, arcanjos ou serafins. Os homens podem comunicar-se
com eles, mas bem presunçoso seria o que pretendesse tê-los
constantemente às suas ordens." (O Livro dos Espíritos)
Anjos e Demônios
Os anjos e os demônios estão presentes em
todas as crenças, recebendo os mais diferentes nomes e causando
os mais diferentes efeitos entre seus seguidores. Para o Espiritismo,
trata-se de uma evolução espiritual. Nem os anjos nem os demônios
são anteriores à humanidade, porque Deus criou todos os espíritos
puros e bons e criou também
uma lei de conduta voltada para o bem. Como
os espíritos tem o direito de exercer o livre arbítrio, é a
aproximação ou o distanciamento em relação às essas leis que
determinam a condição da espiritualidade, popularmente denominada
angelical ou demoníaca. Essa condição não é permanente, pois
o espírito tende sempre à evolução, com maior ou menor rapidez,
porém constante, porque o efeito do aprendizado é cumulativo
e tem como alvo a perfeição. Essa evolução segue a escala espírita
de classificação dos espíritos, na qual os espíritos imperfeitos,
identificados popularmente por "demônios", estariam
na terceira Ordem e os espíritos puros, ou "anjos"na
Primeira Ordem.
Penas Futuras
O Espiritismo não se apoia numa teoria preconcebida
para apresentar o seu "código penal da vida futura".
As leis que compõem esse código não são frutos da imaginação
e nem de imposições dogmáticas, mas sim, relatos de espíritos
desencarnados, manifestados através de médiuns, em diferentes
partes do planeta. Esses espíritos relataram suas aflições
e alegrias decorrentes de suas vidas terrenas. Compiladas,
essas manifestações geraram um "código penal da vida futura".
Essas leis podem ser resumidas em:
1. A Alma ou Espírito sofre na vida espiritual
as conseqüências de todas as imperfeições de que não se libertou
durante a vida corpórea. Seu estado feliz ou infeliz é inerente
ao grau de sua depuração ou das suas imperfeições.
2. A felicidade perfeita é inerente à perfeição,
quer dizer a purificação do Espírito. Toda imperfeição é ao
mesmo tempo uma causa de sofrimento e de privação de ventura,
da mesma maneira que toda qualidade adquirida é uma causa
de ventura e de atenuação dos sofrimentos.
3. Não há uma só imperfeição da alma que
não acarrete conseqüências desagradáveis, inevitáveis, e
não há uma só qualidade boa que não seja fonte de ventura.
A soma das penas é assim proporcional à soma das imperfeições,
como a dos gozos é proporcional à soma das boas qualidades.
4. Em virtude da lei de progresso, tendo
cada alma a possibilidade de conquistar o bem que lhe falta
e libertar-se do que possui de mal, segundo os seus esforços
e a sua vontade, resulta que o futuro está aberto para qualquer
criatura. Deus não repudia nenhum dos seus filhos. Ele os
recebe em seu seio à medida que eles atingem a perfeição,
ficando assim a cada um o mérito das suas obras.
5. O sofrimento sendo inerente à imperfeição,
como a felicidade é inerente à perfeição, a alma leva em
si mesma o seu próprio castigo onde quer que se encontre.
Não há pois, necessidade de um lugar circunscrito para ela.
O inferno está assim por toda a parte, onde quer que existam
almas sofredoras, como o céu esta por toda a parte, onde
quer que as almas estejam felizes.
6. O bem e o mal que praticamos são resultados
das boas e das más qualidades que possuímos. Não fazer o
bem que se pode fazer é uma prova de imperfeição. Se toda
imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer
não só por todo o mal que tenha feito, mas também por todo
bem que podia fazer e que não fez durante a sua vida terrena.
7. O Espírito sofre segundo o que fez sofrer,
de maneira que sua atenção estando incessantemente voltada
para as conseqüências desse mal, ele compreende melhor os
inconvenientes, do seu procedimento e é levado a se corrigir.
8. A justiça de Deus sendo infinita, todo
o mal e todo o bem são rigorosamente levados em conta. Se
não há uma única ação má, um só pensamento que não tenha
conseqüências fatais, também não há uma única ação boa, um
só bom movimento da alma, numa palavra, o mais ligeiro mérito
que fique perdido. E isso, mesmo entre os mais perversos,
porque representam um começo de progresso.
9. Toda falta que se comete, todo mal praticado é uma
dívida contraída e que tem que ser paga. Se não for nesta
existência, será na próxima ou nas seguintes, porque todas
as existências são solidárias entre si. Aquilo que se paga
na existência presente não será cobrado na seguinte.
10. O Espírito sofre de acordo com as suas
imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no corporal.
Todas as misérias, todas as dificuldades que ele enfrenta
na vida corpórea são as conseqüências de suas próprias imperfeições,
as expiações de faltas cometidas nesta mesma existência ou
nas existências anteriores. Pela natureza dos sofrimentos
e das dificuldades que ele enfrenta na vida corpórea, podemos
julgar a natureza das faltas cometidas numa existência anterior
e quais as imperfeições que as causaram.
11. A expiação varia segundo a natureza
e a gravidade da falta. A mesma falta pode assim provocar
expiações diferentes, segundo as circunstâncias atenuantes
ou agravantes nas quais ela foi cometida.
12. Não há, no tocante à natureza e a duração
do castigo, nenhuma regra absoluta e uniforme. A única lei
geral é a que toda falta recebe uma punição e toda a boa
ação tem a sua recompensa segundo o seu valor.
13. A duração do castigo está subordinada
ao melhoramento do Espírito culpado. Nenhuma condenação é pronunciada
conta ele por tempo determinado. O que as leis que regem
o universo exige para o fim dos sofrimentos é uma melhora
verdadeira, efetiva com um retorno sincero ao bem. O Espírito é sempre
o árbitro do seu próprio destino. Pode prolongar os seus
sofrimentos pelo seu endurecimento no mal e abrandá-los e
até mesmo abreviá-los pelos seus esforços em praticar o bem.
14. A duração do castigo estando subordinada
ao melhoramento do Espírito, disso resulta que o culpado
que não se melhorasse continuaria sofrendo sempre, e que
para ele a pena seria eterna.
15. Uma condição que inerente à inferioridade
dos Espíritos é a de não ver o fim de sua situação e acreditar
que sofrem para sempre. Isso faz que para eles o castigo
pareça eterno.
16. O arrependimento é o primeiro passo
para o melhoramento. Mas ele apenas não basta, sendo necessárias
ainda a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação
e reparação são as três condições necessárias para apagar
os traços de uma falta e as suas conseqüências. O arrependimento
suaviza as dores da expiação, porque desperta esperança e
prepara a reabilitação, mas somente a reparação pode anular
o efeito ao destruir a causa. O perdão seria uma graça e
uma anulação da falta.
17. O arrependimento pode ocorrer em qualquer
lugar e tempo. Se ele for tardio, o culpado sofre por mais
tempo. A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais
que são a conseqüência da falta cometida, seja desde a vida
presente ou seja após a morte, na vida espiritual, ou ainda
numa nova existência corpórea, até que os traços da falta
tenham desaparecido. A reparação consiste em praticar o bem
para aquele mesmo a quem se fez o mal. Aquele que não repara
os seus erros nesta vida, por fraqueza ou má vontade, tornará a
encontrar-se , numa outra existência, com as mesmas pessoas
que ofendeu, e em condições escolhidas por ele mesmo para
poder provar-lhes o seu devotamento, fazendo-lhes tanto bem
quanto o mal que havia feito. É dessa maneira que o Espírito
progride, tornando proveitoso seu passado.
18. Os Espíritos imperfeitos são afastados
dos mundos felizes porque perturbariam a sua harmonia. Permanecem
nos mundos inferiores onde expiam as suas faltas pelas tribulações
da vida e se libertam das suas imperfeições, até merecerem
encarnar-se em mundos moral e fisicamente mais adiantados.
Se podemos conceber um lugar de castigo determinado é precisamente
nos mundos de expiação, pois é ao redor desses mundos que
multiplicam-se os Espíritos imperfeitos desencarnados, esperando
uma nova existência que permitindo-lhes a reparação do mal
que fizeram, os ajudará a progredir.
19. Como o Espírito conserva sempre o seu
livre arbítrio, melhora às vezes de maneira lenta e sua obstinação
no mal é bastante tenaz. Pode persistir nessa situação durante
anos e séculos, mas chega sempre o momento em que sua teimosia
em desafiar as Leis Divinas se abate diante do sofrimento, é então,
ele reconhece o poder superior que o domina. Nenhum espírito
está na condição de nunca se melhorar. Se assim fosse ele
estaria fatalmente destinado a uma eterna situação de inferioridade
e escaparia a lei da evolução que rege providencialmente
todas as criaturas.
20. Sejam quais forem as inferioridades
e a perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona.
Todos tem o seu espírito protetor que vela por eles, vigia
as expansões de sua alma e se esforça para despertar-lhes
bons pensamentos, desejos de progredir e de reparar numa
nova existência o mal que tenham feito. Não obstante o guia
ou protetor age na maioria das vezes de maneira oculta, sem
exercer nenhuma pressão. O Espírito deve agir bem ou mal
em virtude de seu livre arbítrio.
21. Cada um só é responsável pelas suas
próprias faltas. Ninguém sofre penalidades pelas faltas alheias,
a menos que para isso tenha dado algum motivo, seja provocando-as
pelo seu exemplo, seja deixando de impedi-las quando podia
fazê-lo. É assim, por exemplo, que o suicida é sempre punido,
mas aquele que, por sua dureza de coração, leva um indivíduo
ao desespero e daí ao suicídio, sofre uma pena ainda maior.
22. Embora a diversidade de punições seja
infinita, existem as que são inerentes à inferioridade dos
Espíritos e cujas conseqüências, salvo algumas diferenças,
são mais ou menos idênticas. A punição mais comum, entre
os que são sobretudo apegados à vida material e negligenciam
o progresso espiritual, consiste na lentidão que com que
se processa a separação da alma e do corpo, e portanto nas
angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida,
na duração das perturbações que podem então durar desde meses
até anos. Entre os que, pelo contrário, tendo uma consciência
pura, identificam-se durante a vida corpórea com a vida espiritual
e libertam-se das coisas materiais, a separação é rápida,
sem dificuldades, e o despertar aprazível, sendo a perturbação
quase inexistente.
23. Um fenômeno muito freqüente entre os
Espíritos de um certo grau de inferioridade moral consiste
em se acreditaram ainda vivos após a morte, e essa ilusão
pode se prolongar durante anos, através dos quais eles experimentam
todas as necessidades, todos os tormentos e todas as perplexidades
da vida.
24. Para o criminoso, a visão incessante
de suas vítimas e das circunstâncias do crime é um suplício
cruel.
25. Alguns Espíritos são mergulhados em
trevas espessas. Outros são postos num isolamento absoluto,
no mundo espiritual, atormentados pelo fato de não saberem
qual a sua condição e o seu destino. Muitos ficam privados
de verem os seus entes queridos. Todos, em geral, passam
por sofrimentos cuja intensidade é relativa aos males que
praticaram, às dores e necessidades que fizeram os outros
sofrer, até que o arrependimento e o desejo de reparação
venham trazer-lhes um abrandamento de fazê-los entrever a
possibilidade de dar, por si mesmos, um fim a essa situação.
26. É um suplício para o orgulhoso ver acima
dele, gloriosos e radiantes de alegria, os que ele havia
desprezado na Terra, ao mesmo tempo que ele é relegado aos últimos
lugares. Para o hipócrita, ver-se trespassado pela luz que
revela os seus mais secretos pensamentos, que todos podem
ler, não havendo para ele nenhum meio de esconder ou se disfarçar.
Para o sensual é um suplício passar por todas as tentações,
todos os desejos, sem poder satisfazê-los. Para o avarento,
ver o seu ouro desperdiçado e não poder retê-lo. Para o egoísta,
ser abandonado por todos e sofrer tudo aquilo que os outros
sofreram dele, pois ele só pensou em si durante a vida e
ninguém agora pensa nele nem o lamenta após sua morte.
27. O meio de evitar ou atenuar as conseqüências
de suas faltas na vida futura é desfazer-se o mais possível
dos seus defeitos na vida presente, reparar aqui mesmo o
mal para não ter de repará-los mais tarde e de maneira mais
terrível. Quanto mais demorarmos a deixar os nossos defeitos,
mais as suas conseqüências se tornarão penosas e mais rigorosas
será a reparação que tivermos que fazer.
28. A situação do Espírito, desde a sua
entrada na vida espiritual, é aquela que ele mesmo se preparou
durante a sua vida corporal. Mais tarde, outra encarnação
lhe é concedida para expiar e reparar a anterior, passando
por novas provas. Mas ele a aproveitará em maior ou menor
grau, segundo o seu livre arbítrio. Se não a aproveitar,
terá um trabalho de recomeçar, e cada vez em condições mais
penosas.
29. A misericórdia de Deus é sem dúvida
infinita, mas não é cega. O culpado que ela perdoou não está dispensado
de satisfazer a justiça, passando pelas conseqüências de
suas faltas. Por misericórdia infinita é necessário entender
que Deus não é inexorável, deixando sempre aberta ao culpado
a porta de retorno ao bem.
30. As penas sendo temporárias e subordinadas
ao arrependimento e à reparação, que dependem da livre vontade
do homem, acontece o mesmo com os castigos e os remédios
que devem ajudar a curar as feridas do mal. Os Espíritos
em punição não se encontram na situação dos antigos condenados às
galeras, mas como os doentes no hospital. Sofrem a doença
que freqüentemente decorre de suas próprias faltas e passam
por meios dolorosos de cura de que necessitam, mas tem a
esperança de ser curados e se curam mais rapidamente se observarem
com exatidão as prescrições do médico que solicitamente vela
por eles. Se eles prolongam os sofrimentos por sua própria
culpa, o médico nada tem com isso.
31. Às penas que o Espírito sofre na vida
espiritual juntam-se às da vida corporal, que são a conseqüência
das imperfeições dos homem, de suas paixões, do mal emprego
de suas faculdades e a expiação de suas faltas presentes
e passadas. É na vida corporal que o Espírito repara o mal
de suas existências anteriores que põe em prática as resoluções
tomadas na vida espiritual. É assim que se explicam as misérias
e as dificuldades que, à primeira vista, parecem não ter
razão de ser, mas na verdade são justas desde que foram determinadas
no passado e servem para o nosso adiantamento.
32. "Deus, pergunta-se, não demonstraria
maior amor por suas criaturas se as criasse infalíveis e
portanto isentas das vicissitudes decorrentes da imperfeição?
Seria necessário para isso, que ele criasse seres perfeitos,
nada tendo a conquistar, nem em conhecimentos e nem em moralidade.
Os homens são imperfeitos e, como tal, sujeitos às vicissitudes
mais ou menos penosas. Este é um fato que temos que aceitar.
Mas inferir disso que Deus não é bom, nem justo, seria uma
rebeldia. Todos tem o mesmo ponto de partida; não há nenhum
que seja, na sua formação, mais bem dotado que os outros.
A via da felicidade está aberta a todos, o objetivo de todos é o
mesmo, as condições para atingi-lo são as mesmas para todos
e a lei gravada em todas as consciências foi ensinada à todos.
Deus fez da felicidade o prêmio do trabalho
e não do favoritismo para que cada um tenha o seu mérito.
Todos são livres para trabalhar ou nada fazer para seu adiantamento.
Aquele que trabalha bastante e com rapidez é recompensado
mais cedo, mas aquele que se desvia do caminho ou perde o
seu tempo, retarda a sua chegada e só pode lamentar de si
mesmo. O bem e o mal são facultativos e dependem da vontade
de cada um. O homem por ser livre, não é fatalmente levado
nem para um, nem para o outro"(O Céu e o Inferno).
Passes e Radiações
Os passes e radiações são recursos de cura
física ou espiritual muito difundidos nas seções espíritas.
Esse método de socorro espiritual tem na imposição das mãos,
na força da oração e radiações magnéticas suas principais ferramentas.
Os passistas, médiuns que aplicam os Passes, devem permanecer
em estado de profunda concentração onde a fé, a prece e mente
pura, e os sentimentos de amor são indispensáveis à finalidade
do ato.
Existem dois tipos de Passes:
1) O Passe ministrado com recursos
magnéticos do próprio médium;
2) O Passe ministrado com recursos
provenientes do Plano Espiritual.
Quanto à aplicação, os Passes podem ser:
a) Passes individuais, no qual as aplicações
são feitas individualmente;
b) Passes coletivos, quando o Passe é aplicado
em grupo;
E existem dois tipos de receptores:
1) O receptor direto, presente no momento
do Passe;
2) O receptor indireto, ausente no momento
do Passe, porém atingido através das irradiações magnéticas.
Esses fluídos magnéticos serão automaticamente aceitos
ou não pelo receptor. Se consciente e sincero na sua fé há a
chamada receptividade desses fluídos, se descrente e ignorante às
leis de Deus , há a chamada refratariedade à recepção do
passe, ocasionando uma perda de intensidade e de absorção
dos fluídos.
Perispírito
Do grego péri, ao redor. Envoltório semi-material
do Espírito. Nos encarnados serve de laço ou intermediário
entre o Espírito e a matéria; nos desencarnados, constitui
o corpo fluídico do Espírito. Por ter sido o termo criado pelo
espiritismo, ninguém melhor que Kardec para o definir: "Perispírito é o
traço de união entre a vida corpórea e a espiritual". É por
seu intermédio que o Espírito encarnado se acha em relação
continua com os desencarnados; é em suma, por seu intermédio
que se operam no homem os fenômenos especiais, cuja causa fundamental
não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão,
parecem sobrenaturais.
O Perispírito é extraído pelo Espírito do
meio onde se encontra, isto é, esse envoltório ele o forma
dos fluídos ambientais conforme seja mais depurado o Espírito,
seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais
grosseiras do fluído peculiar ao mundo onde ele encarna. Tem
um número muito grande de funções, das quais podemos citar:
- Como aparelho de comunicação do Espírito para o corpo
e vice-versa.
- Fazer com que o Espírito possa atuar sobre a matéria
e reciprocamente.
- Armazenar, registrar, conservar todas as percepções,
vontades e idéias da alma.
- Deter sem falhas, os mais fugidios pensamentos e sonhos.
- Conservar nossa personalidade, pois é nele que reside
a nossa memória.
Tendo a matéria que ser objeto do trabalho
do Espírito para desenvolvimento de suas faculdades, era necessário
que ele pudesse atuar sobre ela, pelo que veio habitá-la, como
o lenhador habita a floresta. Tendo a matéria que ser ao mesmo
tempo objeto e instrumento de trabalho, Deus em vez de unir
o Espírito à "pedra rígida", criou para seu uso o
Perispírito, capaz de receber todos os impulsos de sua vontade.
Conhecido pelos estudiosos desde a mais remota antigüidade
, tem sido identificado numa gama de rica nomenclatura, conforme
as funções que lhe foram atribuídas nos diversos períodos que
duravam as investigações. Veja quadro abaixo:
ESCOLAS / CIENTISTAS
|
DENOMINAÇÃO
|
|
Aristóteles
|
Corpo
sutil e etéreo
|
Budismo
esotérico
|
Kama-rupa
|
Cabala
hebraica
|
Rouach
|
Leibniz
|
Corpo
fluídico
|
Orígenes
|
Aura
|
Pitágoras
|
Carne
sutil da alma
|
Paracelso
|
Corpo
astral
|
Paulo
de Tarso
|
Corpo
espiritual
|
Dentro de um universo de particularidades
que envolvem o Perispírito, três merecem um pouco de nossa
atenção:
1 - CORDÃO FLUÍDICO - Chamado de Cordão
de Prata, liga o corpo ao Espírito, normalmente em desdobramentos
vemos o Cordão de Prata, esta ligação se faz necessária para
que se achem sempre em contato. Por meio dele podemos identificar
o Espírito de um encarnado no plano espiritual.
2 - DUPLO ETÉRICO - Campo energético apropriado
entre o Perispírito e o corpo físico, é uma zona vibratória
ocupando posição de destaque nos fenômenos conhecidos de
materialização. É semi-material, porém formado duma matéria
mais grosseira que o Perispírito. Podemos considerar o duplo
como uma extensão mais grosseira que o Perispírito, sendo
que o mesmo retém uma maior quantidade fluídica de consistência
organo-molecular (Fisiológica) que psíquica, ele é um campo
mais denso que o perispiritual por onde as energias espirituais "condensam" em
direção ao corpo.
3 - AURA - É claramente compreensível que
todas a s agregações celulares emitam radiações e que essas
radiações se articulam através de sinergias funcionais a
se constituírem de recursos que podemos nomear "tecidos
de força", em torno dos corpos que as exteriorizam.
Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos
mais complexos, se revestem de um "halo energético" lhes
correspondem a natureza. No homem, contudo, semelhante projeção
surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores
do pensamento continuo que, em se ajustando às emanações
do campo celular lhe modelam em derredor da personalidade
o conhecido duplo etérico. Aí temos nessa conjugação de forças
físico-químicas e mentais , a aura humana, peculiar a cada
indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir
dele, à maneira de um campo ovóide, não obstante a feição
irregular em que se configura. Valendo por espelho sensível
em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos
e as idéias se evidenciam , plasmando telas vivas.
"O Cordão de Prata tem este nome porque,
sendo composto de partículas em rotação rápida, de todas as
cores em existência, parece prateado. As cores em miríades
refletem-se para o clarividente como um prateado puro, azulado-branco." L.Rampa.
A leitura da aura é uma técnica de avaliação
das condições espirituais das pessoas através da vidência.
O Perispírito por sua tessitura, organização, flexibilidade
e expansibilidade, fornece inúmeras condições de ação ao Espírito,
mesmo quando encarnado, condições essas que podemos chamar
propriedades do Perispírito, sem com isso, desconhecermos que
o propulsor de todas e qualquer ação é o Espírito. Sistematicamente
temos:
Aparições - por sua natureza e em seu estado
normal, o Perispírito é invisível. Pode ele sofrer modificações
que o tornam perceptíveis à vista, quer por meio de condensação,
quer por meio de uma mudança da disposição das moléculas.
Aparecendo então sob uma forma vaporosa.
Tangibilidade - Conforme o grau de condensação
do fluído perispíritico pode, mesmo chegar a tangibilidade
real, ao ponto de o observador se enganar com relação à natureza
do ser que tem diante de si.
Transfiguração - O fenômeno da transfiguração
pode operar-se com intensidade muito diferentes, conforme
o grau de depuração do Perispírito , grau que corresponde
a evolução moral do Espírito. Cinge-se , às vezes, a uma
simples mudança no aspecto geral da fisionomia, enquanto
que doutras vezes dá ao Perispírito uma aparência luminosa
e esplêndida.
Biocorporiedade - Quer o homem esteja encarnado,
quer desencarnado, traz sempre o envoltório semi-material
que pode tornar-se visível. Isolado do corpo o Espírito pode
mostrar-se com todas as aparências da realidade. Este fenômeno é conhecido
pelo nome de bicorporiedade. Uma ressalva: - não devemos
confundir a bicorporiedade com a bilocação. Para ocorrer
a bicorporiedade, carece que o Espírito se desloque e , onde
se manifeste, necessário produza transformações em sua constituição
molecular perispiritual; já para bilocação, é necessário
que se dê apenas a primeira parte do fenômeno, pois o Espírito
pode se desprender sem contudo ser visto ou percebido pelos
sentidos comuns.
Penetrabilidade - O Perispírito pode atravessar
todos os tipos de matéria, como a luz atravessa os corpos
transparentes. O Perispírito pode sofrer marcas, mutações
e lesões que só um trabalho fluídico pode reparar, seja pela
ação fluídico-magnética, seja pela mentalização equilibrada.
comprova o fato de vermos, ouvirmos e sabermos de tantos
Espíritos desencarnados que trazem profundas marcas, fortes
deformações em seus Perispíritos como decorrência de desvios
pretéritos, regeneráveis pela assimilação moral de uma doutrina
cristã, conjugada à terapia do passe, e todo um processo
de arrependimento e reforma íntima que, no seguimento , se
estabiliza via etapas reencarnatórias corretivas. Quando
o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação,
um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu
Perispírito, o liga ao gérmen que o atraí por uma força irresistível,
desde o momento da concepção. A medida que o gérmen se desenvolve
, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material
do gérmen, o Perispírito, que possui certas propriedades
da matéria, se une, molécula a molécula ao corpo em formação,
donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do
seu Perispírito, "se enraíza, de certa maneira neste
gérmen como uma planta na terra". Quando o gérmen chega
ao seu pleno desenvolvimento, nasce então o ser para a vida
exterior. Segundo dizem estudiosos conceituados (e que merecem
o nosso crédito) a união completa com o Perispírito se dá numa
fase que vai dos 06 a 08 anos aproximadamente. No desencarne
o Perispírito se desprende molécula a molécula conforme se
unira, porém numa aceleração maior, e ao Espírito é restituída
a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa
a morte física; esta é que determina a partida do Espírito.
Sendo um dos elementos constitutivos do homem, o Perispírito
desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos
e, até certo ponto , nos fenômenos fisiológicos e patológicos.
O invólucro fluídico do ser, depura-se, ilumina-se ou obscurece-se
, segundo a natureza elevada ou grosseira dos pensamentos
em si refletidos. Qualquer ato, qualquer pensamento, repercute
e grava-se no Perispírito. Daí as conseqüências inevitáveis
para situação da própria alma, embora esta seja sempre senhora
de modificar o seu estado pela ação que exerce sobre o seu
invólucro. Reverte-se , portanto, de significativa importância
o Perispírito nos campos energéticos da evolução por este
urdir não só de fluídos eminentemente físicos, densos, mas
por igualmente ser atingido com as emanações psicomentais
do Espírito, seu detentor. No passe o Perispírito tem um
papel importante, pois desempenha a vontade em todos os fenômenos
de magnetismo, assim se explica a faculdade de cura pelo
contato e pela imposição das mãos. Podemos inserir que, como
o Perispírito é o meio de veiculação da vontade do Espírito,
cabe a ele o papel transformador e reativo nos e dos fluídos
, especialmente quando movimentados nos trabalhos de passe.
O Perispírito, este nosso companheiro de estrada ou, melhor
dizendo, este nosso indumento, necessita ser bem conhecido;
afinal, não se trata de uma mera vestimenta física ou de
uma insígnia para fazer registrar o "status" de
seu possuidor. Muito mais que isso, é uma "máquina" multiuso,
de poderes tão variados e para atendimento de finalidades
tão diversas que desconhecê-lo é , no mínimo, desperdício
injustificável, mormente por quem quer extrair-lhe os "melhores
produtos". Assim como um computador, que quase nada
vale se não sabemos usá-los, o Perispírito perde muito de
suas potencialidades se lhe atribuirmos apenas a importante,
mas limitada, função de gerenciar as atividades diretas e
exclusivas de ligar o Espírito ao corpo. Assim como o computador
não é, em si mesmo, inteligente, o Perispírito igualmente
não o é por não ser o Espírito; enquanto o computador guarda
funções e executa tarefas tão avançadas e de maneira tão
eficiente, por resoluções que evidenciam a inteligência do
homem que concebeu e o opera, o Perispírito por um automatismo
divino, interpreta o Espírito que lhe preside a vida. Através
do Perispírito podemos avaliar funcionamento, limites e regências
de leis na elaboração do relacionamento que temos, cada um
de nós, com a matéria; e por ser fluídico, temos como comprovar
que sua estrutura funcional obedece às leis dos fluídos e
portanto, dirigido pela ação psíquica do seu senhor, o Espírito.