Provavelmente você já ouviu falar dos islâmicos, muçulmanos
e os xiitas. Pois bem, eles seguem a religião que é uma das que mais
cresce hoje no mundo. Em nome do Deus Alá, centenas de milhões de pessoas
abraçam o islã, termo que significa ao pé da letra submissão.
O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão e a primeira
tarefa de quem segue o islamismo é rezar cinco vezes ao dia, em árabe.
Tal idioma é obrigatório porque as escrituras sagradas teriam sido reveladas
nele por Alá ao profeta Maomé, por meio do anjo Gabriel.
Qualquer pessoa pode se tornar um muçulmano. Basta que
entre de fé e coração no Islamismo, aceite Alá como o criador de todas
as coisas e faça um testemunho de fé. Quem diz isso é Armando Hussein
Saleh, intérprete do xeque egípcio Rabi Ahmad Al-Abadi, sábio da Mesquita
Brasil. (Os xeques são considerados os sábios da religião, algo como
os sacerdotes cristãos ou os monges budistas).
Hussein Saleh diz ainda que é importante procurar os
sábios e praticar o que diz o Alcorão, individualmente ou em grupo, sem
esquecer das orações da alvorada, do meio-dia, da tarde, do crepúsculo
e da noite.
Islamismo significa abandono a Deus, fundado por Maomé na
Arábia Saudita, com mais de 939 milhões de adeptos. Na sua religião encontra-se
um livro sagrado, o Alcorão, sendo ditado literalmente por Deus. Para
a religião Islâmica, DEUS é o todo poderoso, absoluto. Para o homem tudo
está previsto ou marcado, Deus ordena tudo e não há mais liberdade. Se
eu sou rico ou pobre é porque Deus quer. Deus é o soberano Juiz, manda
os bons para o Céu onde há o jardim das delícias. Tudo de bom está ali,
e manda os maus para o inferno onde existe o vento que queima, escuridão
e fumaça e há também um juízo final onde virá a restauração do Islã,
todos serão islamita. Em Anjos e Demônios o Islamismo crê que são seres
puramente espirituais. A idéia de Guerra Santa para o Islamismo surgiu
quando Maomé encontrava-se em Medina, lugar para onde tinha fugido. Era
preciso defender-se dos habitantes de Meca e, portanto, organizar um
exército, mas para isso era preciso muito dinheiro. Foi aí que surgiu
o arcanjo Gabriel e lhe disse para assaltar as caravanas. Sendo bem sucedido
nos assaltos, viu nisso a aprovação divina. Daí a promessa: quem morre
nessa guerra santa vai direto para o céu. Hoje ela é concebida como uma
guerra espiritual. Na religião Islâmica, o homem tem direito a ter quatro
mulheres, a mulher não tem recurso legal contra o marido, ele a pode
punir de infidelidade, provada por quatro testemunhas, com a morte pela
fome. Mulher era considerada como escrava, devia ficar sempre em casa
e quando saía tinha que cobrir o rosto com véu. Nas comidas e bebidas,
não comem sangue de animais, nem carne de porco, nem bebem bebidas alcoólicas,
somente refrigerantes. O lugar sagrado de oração denomina-se de Mesquita,
onde não há imagens, nem cadeiras para se sentar (somente tapetes), nem
instrumentos musicais como órgão. Ao entrar na Mesquita, o fiel descalça
o sapato e reza acocorado sobre os calcanhares, chegando a encostar a
cabeça no tapete. Muezin: É aquele que do alto convida em voz alta, os
fiéis à oração. Não há clero hierarquizado, nem papa, nem concílio. Há apenas
o diretor das preces públicas.
As cincos principais obrigações religiosas:
- A profissão de fé; Alá é Deus e Maomé é o seu profeta.
- Recitar 5 vezes por dia uma oração, voltado para Meca. Para isso
lava as mão, os braços até os cotovelos, os pés até os tornozelos.
- Esmolas aos pobres. Alguns Muçulmanos haviam instituídos uma determinada
taxa para os pobres, é uma taxa de salvação.
- Jejuar no mês de Ramadã, desde o surgir e o desaparecer do sol. Mês
que cai nos fins de Setembro e início de Outubro.
- Peregrinação a Meca: tem obrigação de uma vez na vida fazer essa
peregrinação, são sete quilômetros, partem para Muzdalifa passando
uns três dias ali e depois voltam para a Meca , onde cumprem quatro
cerimônias: dar sete voltas , no início e no fim da visita , em redor
a Casa Santa; beijar a pedra negra; beber a água Zenzem; ir e voltar
correndo entre as duas colinas as-Safa e al-Marva.
Introdução ao Islam
O Islam e Os Muçulmanos
O nome desta religião é Islam, cuja raiz do
termo é Salam, ou seja,
PAZ. Salam também significa o cumprimento pacífico entre as pessoas. Significa
submissão, isto é, submissão à vontade de Deus. A palavra muslim (muçulmano)
tem a
mesma raiz árabe e significa aquele que se submete à vontade de Deus, ou seja,
aquele
que acredita no Islam. Assim, muçulmano é aquele que se submete a Deus e vive
em paz com o Criador, consigo mesmo, com as outras pessoas e com o seu meio ambiente.
O Islam é um
sistema completo de vida e o muçulmano vive em paz e harmonia com todos estes
segmentos.
Portanto, um muçulmano é qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, cuja obediência,
fidelidade e lealdade são para Deus, o Senhor do Universo.
Os seguidores do Islam são chamados de muslims.
Os muslims não devem ser confundidos com os árabes. Turcos,
persas, paquistaneses, europeus, americanos, canadenses, brasileiros,
ou qualquer outra nacionalidade, podem ser muslims.
Um árabe tanto pode ser muslim como cristão,
judeu ou ateu. Qualquer pessoa que adota a língua árabe é chamada
de árabe.
A língua do Alcorão (o livro sagrado do Islam) é o árabe,
razão pela qual muslims de todo o mundo tentam aprender esta
língua, a fim de poderem ler o Alcorão e compreenderem melhor
o seu significado. Os muslims rezam a Deus na língua do Alcorão,
isto é, em árabe, o que não quer dizer que as súplicas a Deus
não possam ser em qualquer outra língua.
Atualmente, os muslims somam mais de 1 bilhão
e 200 milhões no mundo todo, enquanto que a população árabe
está em torno de 200 milhões. Entre estes, 10% não são muslims,
o que significa dizer que, do total de muçulmanos, hoje em
dia, os árabes muslims representam apenas 15% do total.
Allah, O Deus Único
A palavra árabe que designa o Deus Uno e Único é Allah,
e não
admite gênero masculino ou feminino, e muito menos plural.
Ele é o Senhor e Soberano do universo, criador
de todas as coisas, e nada existe que não seja por Sua vontade.
Diz o Alcorão: "Ele é Deus, o Único! Deus! O absoluto!
Jamais gerou ou foi gerado! E ninguém é comparável a Ele!"
Ele é o Criador de todos os seres humanos.
Ele é o Deus dos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, e
outros.
O Islam acredita na Unicidade Absoluta de
Deus e prescreve uma forma de culto e de oração que não admite
imagens ou símbolos. No Islam, as relações entre o homem e
o seu Criador são diretas e pessoais e dispensam qualquer intermediário.
O Alcorão cita 99 atributos de Deus, tais
como, o Clemente, o Misericordioso, o Perdoador, o Criador,
o Senhor do Universo, o Primeiro, o Último e outros.
Mohammad
Mohammad foi escolhido por Deus para levar
Sua mensagem de paz, isto é, o Islam, à humanidade. Ele nasceu
em 570 DC, em Macca, na Arábia. A mensagem do Islam foi-lhe
confiada quando ele tinha a idade de 40 anos. A revelação recebida
tomou o
nome de Alcorão e a mensagem é chamada de Islam.
Mohammad começou a anunciar a sua missão,
sempre insistindo na crença de um Deus único, na Ressurreição
e no Juízo Final. Ele foi perseguido e maltratado. Sofreu,
ele e seus seguidores, terrível boicote em sua própria terra
natal, por mais de três anos. Ninguém podia falar, manter relações
comerciais ou matrimoniais com eles e as maiores vítimas foram
crianças, velhos, doentes e fracos.
Diante da tentativa de assassinato pelos pagãos
de Macca, ele deixou secretamente a cidade e foi para Madina,
onde uma comunidade islâmica incipiente já estava instalada,
e lá permaneceu por 13 anos. Isto aconteceu no ano de 622,
ano no qual começa o calendário da Hégira.
Mohammad é o último Profeta de Deus para a
humanidade. Sua mensagem foi dirigida a todos os seres humanos,
independentemente de serem cristãos, ou judeus, ou ateus. Ele
purificou as mensagens anteriores de toda adulteração e completou
a Mensagem de Deus para toda a humanidade. Foi-lhe concedido
o poder de explicar, interpretar e viver os ensinamentos do
Alcorão.
Ele legou à posteridade uma religião de puro
monoteísmo. Criou um estado disciplinado, estabeleceu um equilíbrio
entre os assuntos espirituais e temporais, deixou um novo sistema
de leis, a sharia. Acima de tudo, o Profeta Mohammad deixou
um exemplo nobre pela prática integral de tudo o que ensinava
aos outros.
As Fontes do Islam
As fontes legais do Islam são o Alcorão e
os Hadis. O Alcorão é a palavra fidedigna de Deus; sua autenticidade,
originalidade e totalidade estão intactas.
Os Hadis são os relatos dos ditos, atos e sanções do Profeta Mohammad. Os ditos
e atos
do Profeta são chamados de Sunnah. A Sirah é o relato dos companheiros do Profeta
sobre
a sua vida. Portanto, é a biografia do Profeta e fornece exemplos da vida diária
para os
muslims.
4.1 - O Alcorão significa, literalmente,
leitura ou recitação. O Profeta Mohammad ditava os versículos
aos seus discípulos e ele afirmava que eles eram a revelação
divina. Ele não ditou tudo de uma só vez, mas sim na medida
em que as revelações eram feitas. Tão logo as recebia, ele
as comunicava aos companheiros e pedia que eles decorassem,
escrevessem e produzissem cópias. O Profeta era analfabeto,
não sabia ler ou escrever. O original do Alcorão foi escrito
em árabe e o mesmo texto continua em uso até os dias de hoje,
sem qualquer alteração.
O Alcorão é notável porque é um texto no
idioma original, cuja preservação contínua se faz há gerações,
através do controle da memorização. Seu texto não sofreu,
no decorrer de séculos, qualquer adulteração ou alteração
em seu conteúdo. Ele é destinado a toda a humanidade, independentemente
de raça, condição social, região ou época. É um código de
comportamento porque abrange todos os segmentos da vida,
espiritual, temporal, individual e coletivo.
4.2 - Os Hadis, na verdade, representam
a aplicação prática dos preceitos, detalhes e explicações
necessárias do Alcorão, e sua importância para os muçulmanos é muito
grande. Os hadis são a prática do Profeta. Era através de
seu dia-a-dia que o Profeta aproveitava para ensinar, e por
em prática, os ensinamentos em todos os assuntos importantes
da vida. Pelos hadis sabemos como fazer as abluções para
as orações, por exemplo. Havia casos em que o Profeta, não
tendo recebido uma revelação, formulava uma opinião baseada
no bom senso.
Alguns Princípios Islâmicos
- Unicidade de Deus: Ele é Uno e Único. Não são dois ou três,
por isso o Islam rejeita a idéia da trindade ou de qualquer
unidade que implique na existência de mais de um Deus em
um.
- Unicidade da humanidade: as pessoas são criadas iguais
perante a Lei de Deus. Não há superioridade de uma raça sobre
a outra.. Ninguém pode afirmar que é melhor do que o outro.
Somente Deus conhece quem é o melhor, segundo os Seus critérios.
- Unicidade dos Mensageiros e da Mensagem: os muçulmanos
acreditam que Deus enviou diferentes mensageiros através
da história da humanidade. Todos vieram com a mesma mensagem
e os mesmos ensinamentos, que foram sendo adulterados através
dos tempos. Os muçulmanos acreditam em Noé, Abraão, Isaac,
Ismael, Jacó, Moisés, David, Jesus e Mohammad.
- Os anjos e o Dia do Julgamento: os muçulmanos acreditam
que existem criaturas invisíveis, como os anjos, criadas
por Deus para missões especiais. Os muçulmanos também acreditam
que haverá o Dia do Julgamento, quando toda a humanidade,
desde Adão até o final dos tempos, será julgada e recompensada
ou punida de acordo com os seus méritos.
- A inocência do homem na hora do nascimento: os muçulmanos
acreditam que o ser humano nasce livre de pecado. Somente
quando alcança a idade da puberdade, e somente quando comete
pecados, é que ele será cobrado por seus erros. Ninguém é responsável
pelos pecados de outros. Contudo, a porta do perdão através
do arrependimento sincero está sempre aberta.
- Estado e Religião: os muçulmanos acreditam que o Islam é um
modo de vida completo. Portanto, seus ensinamentos não separam
a religião da política, e tanto o estado como a religião
estão sob a tutela de Deus, através dos ensinamentos do Islam.
Por consequência, as transações comercial, econômicas e sociais,
assim como os sistemas político e educacional também são
parte dos ensinamentos do Islam.
A História do Alcorão*
Neste Livro, a vida do Profeta Mohammad, a
história dos árabes e dos acontecimentos ocorridos durante
o período da revelação do Alcorão, não se misturam
com os versículos divinos, como no caso da Bíblia. O Alcorão é a verdadeira palavra
de
Deus. Não há nele uma só palavra que não seja de origem divina e nenhuma palavra
foi
retirada de seu texto. O Livro foi transmitido para as gerações seguintes em
sua forma
completa e original, como apresentado na época do Profeta Mohammad.
Desde a época em que ele começou a ser revelado,
o Profeta ditava seu texto aos escribas. Sempre que a mensagem
divina era revelada, o Profeta chamava um companheiro e ditava
as palavras. O texto escrito era, então, lido ao Profeta que,
se certificando de que não havia sido cometido qualquer erro
no registro, colocava o manuscrito a salvo. Era o Profeta quem
instruía o escriba sobre a sequência na qual uma mensagem revelada
deveria ser colocada num determinado capítulo. Desta forma,
ele continuou organizando o texto, numa ordem sistemática,
até o final da cadeia de revelações. Outrossim, foi ordenado,
desde o início do Islam, que a recitação do Santo Alcorão deveria
ser uma parte integrante da adoração. Assim, os companheiros
do Profeta se preocupavam em memorizar os versículos divinos
tão logo eram revelados. Muitos deles aprenderam todo texto
desta forma e um grande número memorizou suas diferentes partes.
Métodos de Preservação do Alcorão
Durante a Existência do Profeta
Além disso, alguns companheiros, que eram
alfabetizados, costumavam manter um registro escrito de muitas
partes do Alcorão. Portanto, o texto integral foi preservado
de 4 maneiras diferentes, durante a vida do Profeta:
a) o Profeta tinha todo o texto das mensagens
divinas, desde o início até o fim, escrito pelos escribas.
b) muitos dos companheiros sabiam todo o
texto do Alcorão, cada letra, cada sílaba, cada palavra,
de cor.
c) todos os ilustres companheiros, sem exceção,
memorizaram, pelo menos, partes do Alcorão, pelo simples
fato de que era obrigatório para eles a sua recitação durante
a adoração. Uma estimativa do número desses companheiros
pode ser feita do fato de que 140 mil participaram da Última
Peregrinação feita pelo Profeta.
d) um número considerável de companheiros
alfabetizados mantinha um registro particular do texto do
Alcorão e se certificavam da pureza de seus registros, lendo-os
para o Profeta.
Métodos de Preservação do Alcorão
Depois da Morte do Profeta
É uma verdade histórica indiscutível que o
texto do Alcorão
existente hoje é, sílaba por sílaba, exatamente o mesmo que o Profeta ofereceu
ao mundo
como sendo a Palavra de Deus. Após a sua morte, Abu Bakr, primeiro Califa, reuniu
todos
os Huffaz e os registros escritos do Santo Alcorão, dando-lhes a forma final
de um livro.
Na época de Uthman, cópias da versão original
foram feitas e enviadas oficialmente para todas as capitais
do mundo islâmico.
Duas dessas cópias ainda existem hoje, uma
em Estambul e outra no Tashkend. Quem quer que queira pode
comparar qualquer texto impresso do Alcorão com aquelas duas
cópias e não encontrará alterações. E como alguém poderia esperar
encontrar alguma discrepância se, por gerações desde a época
do profeta, existiram, e existem, milhões de Huffaz. Se alguém
alterasse uma sílaba do texto original do Alcorão, esses Huffaz
imediatamente apontariam o erro. No século passado, um instituto
da Universidade de Munique, na Alemanha, coletou 42 000 cópias
do Alcorão, inclusive manuscritos e textos impressos, produzidos
em cada período da história do Islam, nas várias partes do
mundo islâmico. Um trabalho de pesquisa foi efetuado nesses
textos, durante meio século, ao final do qual, os pesquisadores
concluíram que, fora alguns erros de cópia, não havia qualquer
discrepância no texto destas 42 000 cópias, muito embora elas
pertencessem a diferentes épocas entre os séculos 1 e 14 da
Hégira, e tivessem sido obtidas em diversas as partes do mundo.
Este instituto foi destruído durante os bombardeios sobre a
Alemanha, na 2a. Guerra Mundial, mas os resultados dessa pesquisa
sobreviveram. Um outro ponto que devemos ter em mente é que
a língua na qual o Alcorão foi revelado é uma língua viva,
ainda hoje. Ela é falada por milhões de pessoas, do Iraque
ao Marrocos, e também no mundo não árabe, onde milhares de
pessoas a estudam e a ensinam.
A gramática da língua árabe, seu léxico, seu
sistema fonético e sua fraseologia, permaneceram intactos por
1 400 anos.
Uma pessoa de língua árabe nos dias de hoje
pode compreender o Alcorão com muito mais competência do que
os árabes de 14 séculos atrás. Esta é uma qualidade importante
de Mohammad, que não foi partilhada por nenhum outro profeta
ou líder religioso. O Livro que Deus revelou a ele, para orientação
da humanidade, está hoje em sua língua original sem a menor
alteração em seu vocabulário.
* Tirado
do discurso "Mensagem da Sirah do Profeta", de
Syed Abul'Aala Maududi. Ele compara a história e autenticidade
das três escrituras, a Tora, o Evangelho e o Alcorão.
O Alcorão, Literatura ou Revelação ?
Baseado nos trabalhos de Haidar Abu Talib A
evolução intelectual, por vezes, atravessa pontes que, nem
sempre,
são seguras ou confiáveis, devido às dificuldades de percepção, compreensão e
raciocínio que todos nós, humanos, possuímos, guardadas as proporções de mais
ou de
menos.
A lucidez e o estudo são elementos de grande
importância que, quando adicionados ao líquido da boa intenção,
formam a argamassa necessária à edificação do sólido conhecimento
humano que, por vezes, resta prejudicado, em consequência de,
por exemplo, alguns estudarem a matéria cálculo estrutural
em livros de culinária. A intelectualidade humana não deve
estar dissociada da utilidade e do seu utilizador final, que
devidamente direcionado para o fim a que se propõe, labora
e progride, rumo ao conhecimento sadio e eficaz.
Assim sendo, o verdadeiro conhecimento é indispensável
e muito se distancia daquilo que possa ser identificado como "cultura
inútil". A transitoriedade dos fatos, isto é, o aspecto
cronológico, ou temporal, dimensionando os acontecimentos,
ora nesse período, ora naquele século, somente nos fazem confirmar
a validade e a qualidade que identificam, e em que estão constituídos,
efetivamente, os aprendizados que trafegam entre a teoria estudada
e a prática realizada.
A análise da problemática humana hoje, próxima
do século XXI e do 3º milênio, demonstra, a quem quiser ver
e enxergar, que o comportamento humano, ainda hoje, não se
diferencia muito daquele havido na Idade da Pedra. As questões
sociais de todo o complexo identificado como Sociedade Humana,
formada por indivíduos, componentes de numerosas diversidades,
apesar das teorias publicadas e pesquisadas, e ainda em fase
de pesquisa, que são formuladas ao público das mais variadas
maneiras, para todos os gostos, são a expressão do que conceitualmente
poderíamos chamar de "Segunda Época" (aquele período
em que o aluno, ao invés de entrar n gozo das férias, fica
obrigado a rever e aprender tudo aquilo que não aprendeu em
todo o ano letivo).
As desigualdades, dia após dia, surgem como
o cupim que corrói a Humanidade. Fatores como a fome, a violência,
as doenças de diversos tipos e a adoção de medidas que tratam
os sintomas, deixando de tratar a moléstia que os origina,
por vezes nos fazem pensar que alguns acreditam que, se todos
morrerem, não adoecerão mais. Quem de nós, ainda vivos, nos
dias atuais, não vivenciou essa ou aquela problemátaica, esse
ou aquele resultado do desconhecimento e da ignorância? Quem
de nós, humanos, não viu esse ou aquele segmento identificado
com "X", "Y" ou "Z", falar em
nome dessa ou daquela teoria de ensino, desconhecendo efetivamente
a disciplina sobre a qual acredita lecionar? Evidentemente,
a validade do aprepndizado se depreende da sua aplicação ao
longo da existência transcorrida na etapa da vida humana.
Com a clareza desses pressupostos, podemos
compreender que DEUS, o ALTÍSSIMO, o CLEMENTE, o MISERICORDIOSO,
CRIADOR DE TODOS OS SERES E DE TODAS AS COISAS, permitiu e
determinou a todos nós, criaturas, a SENDA RETA, isto é, o
caminho que não leva aos abismos da ignorância. Para tanto,
enviou a todos aqueles que têm boa vontade ou não, como ajuda
e aviso, os ensinamentos do que é verdadeiro, do que é certo
e do que é justo.
Essa metodologia de vida, portada por muitos
Profetas e vários Mensageiros de Deus, constitui o que se chama
ISLAM, que não é uma salada de frutas de várias ideologias.
Esse Sistema Completo de Vida, o ISLAM, que foi revelado à humanidade
através de profetas, como aqueles da chamada Cadeia Semítica,
sejam nominados como ADÃO, JONAS, JÓ, NOÉ, ABRAHÃO e seus filhos
ISMAEL e ISAAC, DAVID, MOISÉS, JOÃO BATISTA, JESUS e MAOMÉ,
ou de tantos outros quantos a humanidade não se preocupou em
seus nomes preservar, como de outros oriundos de etnias, raças
ou povos distantes, em épocas diferentes. O Alcorão Sagrado
não é obra das criaturas, mas sim do CRIADOR, como tantas outras
Mensagens Reveladas aos seres humanos, tal como o Torá, na
forma original e intocável com a qual DEUS, o ALTÍSSIMO, determinou à humanidade,
através de MOISÉS, o caminho da Retidão, como também foi apresentada
nos Salmos revelados a DAVID, a expressão da Misericórdia do
CRIADOR, também na forma original com que o Evangelho foi revelado
a Jesus, filho de Maria. A Mensagem trazida à humanidade pelo
Profeta e Mensageiro de Deus, Muhammad (Maomé) foi transmitida
pelo Arcanjo Gabriel, aprendida através da tradição oral, e
tal qual foi ouvida, recitada e confirmada, se encontra preservada,
sem qualquer tipo de alteração ou reinterpretação e seus originais
se encontram preservados e custodiados como confirmação de
tudo isto.
Diz DEUS, o Altíssimo nos versículos 2 a 5,
da surata A Vaca: "2. Eis o livro que é indubitavelmente
a orientação dos tementes a Deus; 3. que crêem no incognoscível,
observam a oração e gastam daquilo com que os agraciamos; 4.
que crêm no que te foi revelado (revelado a Maomé), no que
foi revelado antes de ti e estão persuadidos da outra vida.
5. Estes possuem a orientação do seu Senhor, e estes serão
os bem aventurados."
Ainda na surata A Vaca, nos versículos 37
e 38, lemos: "37. É impossível que este Alcorão tenha
sido elaborado por alguém que não seja Deus. Outrossim, é a
confirmação das revelações anteriores a ele e a elucidação
do Livro indubitável do Senhor do Universo. 38. Dizem (os que
duvidam do milagre do Alcorão): Ele o forjou! Dize: Componde
pois, uma surata semelhante às dele; e podeis recorrer, para
isso, a quem quiserdes, em vez de DEUS, se estiverdes certos."
Consequentemente, a expressão que alguns utilizam
como sendo Literatura, em especial Literatura árabe, não se
aplica ao milagre havido pela manifestação da Mensagem de DEUS
revelada à humanidade, através do Mensageiro Maomé, no idioma árabe.
O Alcorão, última Mensagem Revelada do ISLAM não foi, não é,
não será, uma manifestação étnica ou de um agrupamento social.
Na Surata Az Zúmar, versículos 27, 28 e 41, temos: "27.
E expomos aos homens, neste Alcorão, toda a espécie de exemplos
para que meditem. 29. É um Alcorão árabe, irrepreensível, quiçá,
assim temam a Deus. 41. Em verdade, temos-te revelado o Livro
para (instruíres) os humanos. Assim, pois, quem se encaminhar
será em benefício próprio; por outra, quem se desviar, será em
seu próprio prejuízo." (1)
Por outro lado, literatura é o resultado da
consolidação de escritos, devidamente encadernados ou, ainda,
de acordo com dicionários de língua portuguesa, dentre eles,
o Novo Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, LELLO UNIVERSAL,
de João Grave & Coelho Neto, publicado na cidade do Porto,
Portugal, por LELLO;O, que nos ensina o seguinte: LITTERATURA,
ou LITERATURA, substantivo, feminino, do latim litteratura.
Conhecimento das obras e das regras literárias, com especialidade
as de eloquência e poesia. Carreira das letras, profissão do
homem de letras, do escritor. Conjunto das produções literárias
de um país, de uma época."
Além dessa temática, dentrte muitas outras
não estudadas, ou ditas sem compromisso com a razão, temos
algumas afirmações, como por exemplo aquela que diz, dentre
outros enganos, existir no Islam preceitos tais como "guerra
santa". O Fundamento do Islam está alicerçado nos seguintes
Pilares:
a) crença na unicidade de DEUS, sabendo-se
que não há outro deus ou divindade além Dele;
b) crença na existência dos anjos;
c) crença em que Deus enviou Profetas e
Mensageiros para ensinar à Humanidade o Caminho da Senda
Reta;
d) crença nos Livros Revelados, desde que
em suas formas originais.
Quanto aos Pilares da Prática do Islam, estes
são representados pela obrigatoriedade da prática das orações,
que são 5, diariamente; no cumprimento do jejum, de acordo
com os parâmetros revelados durante o período do mês de Ramadan
(9º mês do calendário lunar); no pagamento do zakat, que é uma
importância tirada das quantias, dos estoques ou dos bens acumulados
e sem utilização durante cada período anual, para distribuição
aos necessitados; a obrigatoriedade da Peregrinação à Caaba,
situada na cidade de Meca, na medida da possibilidade de cada
pessoa.
A própria utilização da expressão "guerra
santa", tem, quase sempre, origem nas fantasias vindas
verdadeiramente da literatura humana, até e porque, para o
muçulmano (palavra oriunda do vocábulo árabe "muslim",
que significa submisso), DEUS é o Único Santo e a Ele somos
submissos.
A necessidade e a obrigatoriedade, em havendo
circunstâncias que autorizem qualquer tipo de luta, se dá, única
e exclusivamente, pela defesa da dignidade humana e, nunca,
como forma de opressão ou conquista com fins de dominação.
Por último, gostaríamos de lembrar que muitas
pessoas encontraram nos textos de Alcorão Sagrado fatos e detalhes,
inclusive relativos às descobertas atuais da ciência humana,
que ali já estavam relatadas há 1.400 anos atrás. Como exemplo,
referenciamos a obra do eminente cientista francês, Prof. Dr.
Maurice Bucaille, intitulada La Bible, Le Coran el la Science,
editada em Paris, em 1987.
Encerramos nossa palavra, conclamando a todos à obediência
aos princípios estabelecidos por DEUS, o Altíssimo, lembrando
suas palavras no 13º versículo da Surata dos Aposentos, no
Al Acorão Sagrado, que são: "Ó humanos, em verdade, Nós
vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos,
para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado
dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo
e está bem inteirado.
(1)
- Textos reproduzidos da obra O SIGNIFICADO DOS VERSÍCULOS
DO ALCORÃO SAGRADO, do Prof. Samir El Hayek, Marshal Editora
- SP, 1984)
Mohammad na Bíblia
Baseado nos trabalhos do Dr. Jamal Badawi
"Aqueles que seguem o Apóstolo,
o Profeta iletrado, a quem>
eles acham mencionado em sua Tora e no
Evangelho..." (Alcorão 7:157)
As Profecias Bíblicas sobre o Advento de Mohammad
Abraão é amplamente respeitado como o Patriarca do monoteismo e o pai
comum de judeus, cristãos e muçulmanos. Através de seu segundo filho, Isaac, vieram
todos os profetas, inclusive os mais proeminentes, como Jacó, José, Moisés, Davi,
Salomão e Jesus. Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre todos eles. O advento
desses grandes profetas foi um cumprimento parcial das promessas de Deus, de abençoar as
nações da terra através dos descendentes de Abrão (Gênesis 12:2.3). Este fato é
sinceramente aceito pelos muçulmanos, cuja fé considera a crença e o respeito a todos
os profetas um artigo de fé.
As Bençãos de Ismael e Isaac
Estaria o primogênito de Abraão (Ismael) e seus descendentes
incluídos no pacto e na promessa de Deus? Alguns versículos da Bíblia podem ajudar a
esclarecer um pouco esta questão:
1) Gênesis 12:2-3 fala da promessa de Deus a Abraâo e seus
descendentes antes que qualquer filho seu nascesse.
2) Gênesis 17:4 reitera a promessa de Deus após o nascimento de
Ismael e antes do nascimento de Isaac.
3) Gênesis, cap. 21 Isaac é especialmente abençoado, mas
Ismael, a quem Deus prometeu transformar em uma "grande nação", também é
especialmente abençoado, principalmente em Gênesis 21:13, 18.
4) De acordo com Deuteronômio 2l:15-17, os direitos e privilégios
tradicionais do primogênito não podem ser alterados por causa do "status" de
sua mãe (seja uma mulher livre, como Sara, a mãe de Isaac, ou uma escrava, como Hagar, a
mãe de Ismael). Este fato, apenas confirma os princípios humanit´rios e morais de todas
as fés reveladas.
5) A legitimidade completa de Ismael como filho e "semente"
de Abraão, e a legitimidade completa de sua mãe, Hagar, como esposa de Abraão, estão
claramente declaradas em Gênesis 21:13 e 16:3.
Depois de Jesus, como o último profeta e mensageiro israelita, chegou
a hora de a promessa de Deus, de abençoar Ismael e seus descendentes, ser cumprida. Menos
de 600 anos anos depois de Jesus, chegou o último mensageiro de Deus, Mohammad, da
descendência de Abraão, através de Ismael. As bênçãos de Deus sobre os dois
principais ramos da árvore genealógica de Abraão estavam agora cumpridas. Mas, haverá
outras provas que corroborem o fato de que a Bíblia, na verdade, predisse a chegada de
Mohammad?
Mohammad: O Profeta como Moisés
Muito tempo depois de Abraão, a promessa
de Deus de enviar um tão esperado Mensageiro foi repetida,
desta vez nas palavras de Moisés.
Em Deuteronômio 18:18, Moisés assim falou
sobre o profeta a ser enviado por Deus:
- Dentre os famialiares dos israelitas, numa clara referência
aos seus primos ismaelitas porque Ismael era o outro filho
de Abraão, a quem foi prometido, explicitamente, se tornar
uma "grande nação".
- Um profeta como Moisés. Jamais houve dois profetas tão
semelhantes entre si como Moisés e Mohammad. Ambos receberam
um extenso código legal de vida, ambos enfrentaram seus
inimigos e foram vencedores de forma miraculosa, ambos
eram aceitos como profetas/autoridades e ambos migraram
em razão de conspirações para assassiná-los. As analogias
emtre Moisés e Jesus deixam passar, não somente essas semelhanças
mas, também, outras importantes (por exemplo, o nascimento
natural, vida familiar e morte de Moisés e Mohammad, mas
não de Jesus, que era respeitado por seus seguidores como
o Filho de Deus e não como um mensageiro de Deus, exclusivamente,
como Moisés e Mohammad o eram e como os muçulmanos acreditam
que Jesus era).
O Profeta Esperado tinha que vir da Arábia
O Deuteronômio 33:1.2 combina as referências
a Moisés, Jesus e
Mohammad. Fala de Deus (isto é, da revelação de Deus) chegando do Sinai, surgindo
de
Seir (provavelmente a cidade de As'ir, próxima a Jerusalém) e brilhando além
de Paran.
De acordo com Gênesis 2l:2l, o deserto de Paran era o lugar onde Ismael acampou
(isto é,
a Arábia, especificamente Macca).
Na verdade, a versão da Bíblia do Rei James,
menciona os peregrinos passando pelo vale de Ba'ca (um outro
nome de Macca) nos Salmos 84:4-6. Isaías 42:1-13, fala do amado
de Deus. Seu eleito e mensageiro que trará a lei a ser aguardada
nas ilhas e que "não fracassará nem desanimará até que
ele tenha fixado o julgamento sobre a terra." O versículo
11, liga aquele mensageiro aguardado aos descendentes de Ke'dar.
Quem é Ke'dar? De acordo com o Gênesis 25:13, Ke'dar era o
segundo filho de Ismael, o antepassado de Mohammad.
O Alcorão foi Profetizado na Bíblia ?
Durante 23 anos, as palavras de Deus
(o Alcorão) foram sendo postas na boca de Mohammad. Ele
não foi o autor do Alcorão. O Alcorão foi ditado a ele
pelo Anjo Gabriel, que pedia que Mohammad simplesmente
repetisse as palavras, conforme ele as ia ouvindo. Estas
palavras foram, então, guardadas na memória e escritas
por aqueles que as
ouviram durante a existência de Mohammad, e sob sua supervisão.
Seria, então, uma coincidência, que
o profeta "como Moisés", da "família " dos
israelitas (isto é, dos ismaelitas), fosse também descrito
como aquele, em cuja boca Deus poria suas palavras,
e que falaria em nome de Deus? (Deuteronômio 18:18)
Também teria sido coincidência que o "Paracleto" ,
cuja chegada Jesus profetizou, fosse descrito como
aquele que "não falar´ por ele, mas por aquilo
que ele ouvirá, que ele falará ..." ?(João 16:13)
Teria sido uma outra coincidência,
que Isaías fizesse a conexão entre o mensageiro, ligado
a Ke'dar, e uma nova canção (uma escritura numa nova
língua) para ser cantada pelo Senhor? (Isaías 42:10-11).
Mais explicitamente, Isaías profetiza "com lábios
balbuciantes, e uma outra língua, falará a seu povo" (Isaías
28:11). Este último versículo, descreve corretamente
os "lábios balbuciantes" do Profeta Mohammad,
refletindo o estado de tensão e concentração que ele
atingiu durante o tempo da revelação. Um outro ponto é que
o Alcorão foi revelado em pequenas doses, durante 23
anos. É interessante comparar este fato com Isaías
28:19, que fala a mesma coisa.
A Mulher no Islam: Mito e Realidade
Baseado nos trabalhos do Dr. Sherif AbdelAzeem
Mohamed
Há 5 anos atrás, li no Toronto Star, edição
de 3.7.90, um artigo
intitulado "O Islam não está sozinho nas doutrinas patriarcais", de
Gwyne
Dyer. O artigo descrevia as reações furiosas das participantes de uma conferência
sobre
mulheres e poder, realizada em Montreal, aos comentários da famosa feminista
egípcia,
Dra. Nawal Saadawi.
Suas declarações "politicamente incorretas",
incluíam: "os elementos mais restritivos em relação às
mulheres, podem ser encontrados, primeiro no Judaísmo, Velho
Testamento, depois no Cristianismo e, finalmente, no Alcorão"; "todas
as religiões são patriarcais porque elas provêm de sociedades
patriarcais"; e "o véu das mulheres não é uma prática
especificamente islâmica mas, sim, um herança cultural antiga,
com analogia nas religiões irmãs". As participantes não
puderamam ficar sentadas, enquanto suas crenças estavam sendo
igualadas ao Islam. Assim, a Dra. Saadawi recebeu uma avalanche
de críticas.
"Os comentários da Dra. Saadawi eram
inaceitáveis. Suas respostas revelavam uma falta de compreensão
acerca da fé das outras pessoas" , declarou Bernice Dubois,
do Movimento Mundial de Mães. "Eu tenho que protestar",
disse a participante Alice Shalvi, da televisão feminina de
Israel, "não existe o conceito do véu no Judaísmo".
O artigo atribuía esses furiosos protestos à uma forte tendência
no Ocidente de culpar o Islam por práticas que são muito mais
uma parte da própria herança cultural do Ocidente.
"As feministas cristãs e judias não irão
se sentar para discutir, em igualdade de condições, com as
más muçulmanas", escreveu Gwyne Dyer.
Não me surpreendeu que as participantes da
conferência tivessem uma tal visão negativa do Islam, especialmente
por envolver questões femininas. Acredita-se, no Ocidente,
que o Islam é o símbolo da subordinação das mulheres por excelência.
A fim de compreendermos como está enraizada tal crença, basta
mencionar que o Ministro da Educação da França, a terra de
Voltaire, recentemente ordenou a expulsão, das escolas francesas,
de todas as jovens muçulmanas que vestissem o Hijab! Na França é negado
a uma jovem muçulmana, que usa um lenço, o direito à educação,
enquanto que estudantes católicos podem usar uma cruz ou um
estudante judeu pode usar o solidéu. A cena de policiais franceses,
impedindo jovens muçulmanas com as cabeças cobertas de entrarem
no colégio, é inesquecível. Este fato nos traz à memória outra
cena igualmente triste, do Governador George Wallace, do Alabama,
em l962, em pé, defronte ao portão da escola, entando bloquear
a entrada de estudantes negros, a fim de impedir a desagregação
das escolas do Alabama. A diferença entre as duas cenas é que
os estudantes negros tiveram a simpatia de muitas pessoas nos
EUA e no mundo inteiro. O presidente Kennedy enviou a Guarda
Nacional Americana para forçar a entrada dos estudantes negros.
As moças muçulmanas, por outro lado, não receberam a ajuda
de ninguém. Sua causa parece ter muito pouca simpatia, tanto
dentro da França como fora. A razão é a incompreensão e o medo
de tudo que seja islâmico no mundo atual.
O que mais me intrigou sobre a conferência
de Montreal foi uma questão: As declarações feitas por Saadawi,
ou qualquer de suas críticas, são verdadeiras? Em outras palavras,
o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam têm o mesmo conceito sobre
as mulheres? São tais conceitos diferentes? O Judaísmo e o
Cristianismo, na verdade, oferecem às mulheres um tratamento
melhor do que o Islam? Qual é a verdade?
Não é tarefa fácil pesquisar e encontrar respostas
para estas questões difíceis. A primeira dificuldade é que
a pessoa tem que ser honesta e objetiva ou, pelo menos, fazer
o máximo para o ser. Isto é o que o Islam ensina. O Alcorão
instruiu os muçulmanos a dizerem a verdade, mesmo que aqueles
que estejam próximos a eles não gostem disso: "... e se
falardes, sede justo, mesmo que se refira a um parente próximo" (6:152); "Ó aqueles
que creram, erijam a justiça na partilha, como testemunhas
de Alá, ainda que contra vós mesmos, ou seus pais ou seus parentes,
..."
A outra grande dificuldade é o fôlego irresistível
do assunto. Por essa razão, durante os últimos poucos anos,
despendi muitas horas lendo a Bíblia, a Enciclopédia da Religião,
e a Enciclopédia Judaica, na busca de respostas. Também li
muitos livros que discutem a posição das mulheres nas diferentes
religiões, escritos por exegetas, apologistas e críticos. O
material apresentado nos capítulos seguintes, representa as
descobertas importantes dessa humilde pesquisa. Eu não sou
objetivo, absolutamente..
Isto está além da minha limitada capacidade.
Tudo que posso dizer é que tentei, através dessa pesquisa,
me aproximar do ideal alcorâmico de "falar imparcialmente".
Gostaria de enfatizar nesta introdução, que
minha proposta para este estudo não é denegrir o Judaísmo ou
o Cristianismo.
Como muçulmanos, acreditamos nas origens divinas
de ambos. Ninguém pode ser muçulmano sem acreditar em Moisés
e Jesus como grandes profetas de Deus. Meu intento é somente
reivindicar o Islam e pagar um tributo para a última mensagem
verdadeira de Deus para a raça humana. Também gostaria de enfatizar
que me preocupei somente com a Doutrina. Quer dizer, minha
preocupação é, principalmente, a posição das mulheres nas três
religiões, como aparece em suas fontes originais, e não como é praticada
por seus milhões de seguidores no mundo de hoje. Por causa
disso, a maior parte das evidências citadas vêm do Alcorão,
dos ditos do Profeta Mohammad, da Bíblia, do Talmud e dos ditos
de alguns dos mais influentes padres da Igreja, cujos pontos
de vista contribuíram imensamente para definir e desenhar o
Cristianismo. Muitas pessoas confundem cultura com religião,
e outras não sabem o que seus livros religiosos dizem, e outras
ainda, sequer cuidam disso.
O Erro de Eva ?
As três religiões concordam com um fato básico:
Tanto as mulheres como os homens foram criados por Deus, o
Criador de todo o Universo. Contudo, a
divergência começa logo após a criação do primeiro homem, Adão, e da primeira
mulher, Eva. A concepção judaico-cristão da criação de Adão e Eva está narrada
detalhadamente em Gênesis, 2:4-3:24. Lá está relatado que Deus proibiu o homem
de comer
do fruto da árvore proibida. O Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: "Podes
comer de todas as árvores do jardim. 17 Mas da árvore do conhecimento do bem
e do mal
não deves comer, porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer".
Também
deu a mesma ordem à mulher. A serpente seduziu Eva para o que o comesse. E a
mulher
respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do jardim, Deus nos disse 'não
comais
dele nem sequer o toqueis, do contrário morrereis." A serpente replicou à mulher: "De
modo algum morrereis 5 vezes que Deus sabe: no dia em que dele comerdes, vossos
olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal". E
Eva, por sua
vez, seduziu Adão para comer com ela. Gênesis 6 A mulher notou que era tentador
comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar inteligência.
Colheu
o fruto, comeu-o e deu também ao marido, que estava junto. E ele comeu. E quando
Deus
repreendeu Adão pelo que ele havia feito, ele colocou a culpa em Eva. Gênesis
11
Disse-lhe Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então, comeste da árvore,
de cujo
fruto te proibido?" 12 E o homem disse: "A mulher que me destes por
companheira,
foi ela que me fez provar do fruto da árvore e eu o comi". Consequentemente,
Deus
disse a Eva Gênesis 16: "Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Entre
dores
darás à luz os filhos, a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te dominará".
Para Adão Ele disse Gênesis 17 "Porque ouviste a voz da mulher e comeste
da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa.
Com fadiga
tirarás dela o alimento durante toda a vida. 18 Produzirá para ti espinhos e
abrolhos e
tu comerás das ervas do campo. 19 Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra,
de onde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar".
O conceito islâmico da primeira criação é encontrado
em muitas passagens do Alcorão, como por exemplo: "E dissemos ó!
Adão, mora tu e tua zauj (mistura companheira) no Paraíso e
comam dele prosperamente onde lhes aprouver, e não vos aproximeis
desta árvore e então sereis dos injustos." (Alcorão 2:35).
Então, Satanás sussurrou para eles, a fim
de revelar a ambos o que lhes havia sido ocultado de SAUÉTIHIMÉ (suas
ambas e outras igualmente presentes, invisíveis, não bons atributos)
e, então, disse: "Não vos proibiu a ambos, Vosso Senhor,
desta árvore senão de seres ambos convertidos em anjos ou de
serem ambos dentre os imortais". E jurou-lhes que era
um conselheiro sincero. Assim, a ambos, DALLÉHUMÉ
(indicou a ambos em confiança, porém, com enganos, arrancando-os
e enviando-os para baixo, no que intencionou). Quando ambos
provaram da árvore, divisaram ambos suas nudez; e começaram
a cobrir-se com folhas do paraíso. E seu Senhor chamou a ambos: "Eu
não vos havia proibido daquela árvore e dito a ambos que Satanás é vosso
inimigo declarado?" Eles disseram: "Senhor Nosso.
Nós injustiçamos a nós mesmos e se Tu não nos perdoares, Te
apiedares de nós, certamente estaremos dentre os perdedores." (7:20:23).
Um exame mais cuidadoso dos dois relatos sobre
a Criação, revela algumas diferenças essenciais. O Alcorão,
ao contrário da Bíblia, coloca a culpa igualmente em Adão e
Eva erro de ambos. Não há no Alcorão a mais leve sugestão de
que Eva tentou Adão, ou mesmo que ela tenha comido do fruto
antes dele. Eva, no Alcorão, não é insinuante, sedutora ou
vencida. Além do mais, Eva não pode ser culpada pelas dores
do parto. Deus, de acordo com o Alcorão, não pune ninguém pelas
faltas do outro. Ambos, Adão e Eva, cometeram um pecado e então
pediram a Deus o perdão, e Ele os perdoou.
O Legado de Eva
A imagem de Eva na Bíblia, como uma mulher tentadora, teve um impacto
extremamente negativo para as mulheres através da tradição judaico-cristã.
Acreditava-se que todas as mulheres haviam herdado de sua mãe, a bíblica Eva, tanto a
sua culpa como a sua astúcia. Consequentemente, as mulheres não eram dignas de
confiança, eram moralmente inferiores e más.
Menstruação, gravidez e parto eram considerados punições justas
para uma culpa eterna do amaldiçoado sexo feminino.
A fim de examinarmos como foi negativo o impacto da Eva bíblica sobre
sua descendência feminina, temos que olhar para os escritos de alguns do mais importantes
judeus e cristãos de todos os tempos. Comecemos pelo Velho Testamento, e olhemos para
alguns excertos da chamada Literatura da Sabedoria, onde encontramos: "Eu acho a
mulher um pouco pior do que a morte, porque ela é uma armadilha, cujo coração é um
alçapão e cujas mãos são cadeias. O homem que agrada a Deus foge dela, mas ao pecador
ela o aprisionará ... enquanto eu estava procurando, e não estava encontrando, achei um
homem correto entre mil, mas não encontrei uma só mulher correta entre todas elas"
(Eclesiastes 7:26-28).
Em outra parte da literatura hebraica, que é encontrada na bíblia
católica, nós lemos: "Nenhuma maldade está mais próxima do que a maldade de uma
mulher" ... "O pecado começa com a mulher e, graças a ela, todos nós devemos
morrer". (Eclesiastes 25:19,24).
Os rabinos judeus listaram nove maldições infligidas às mulheres,
como resultado da Queda: "Para a mulher Ele deu nove maldições e a morte: o peso do
sangue da menstruação e o sangue da virgindade; o peso da gravidez; o peso do parto; o
peso de educar crianças; sua cabeça é coberta como no luto; ela fura a orelha como uma
escrava permanente, ou escrava que serve ao seu senhor; ela não deve ser tomada por
testemunha; e depois de tudo -- a morte". (2)
Nos dias atuais, judeus ortodoxos, em suas preces matinais diárias,
recitam "Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez mulher". As
mulheres, por outro lado, agradecem a Deus cada manhã por "me fazer de acordo com
Tua vontade". (3) Outra oração encontrada em muitos livros de preces judeus:
"Louvado seja Deus que não me criou gentio. Louvado seja Deus que não me criou
mulher. Louvado seja Deus que não me criou ignorante". (4)
A Eva bíblica desempenhou um papel mais importante no Cristianismo do
que no Judaísmo. Seu pecado foi a base de toda a fé cristã, porque a concepção
cristã da razão da missão de Jesus Cristo na terra provém da desobediência de Eva.
Ela pecou e, então, seduziu Adão para seguí-la em seu propósito. Consequentemente,
Deus expulsou a ambos do Céu para a Terra, que foi amaldiçoada por causa deles. Eles
herdaram seus pecados, os quais não foram perdoados por Deus e, assim, todos os humanos
nascem em pecado. A fim de purificar os seres humanos do "pecado original", Deus
teve que sacrificar, na cruz, Jesus, que é considerado o filho de Deus. Em razão disso,
Eva é culpada de seu próprio pecado, do pecado de seu marido, do pecado original de toda
a humanidade e da morte do Filho de Deus. Em outras palavras, uma só mulher, agindo por
conta própria, causou toda a queda da humanidade (5). O que dizer sobre suas filhas? Elas
são pecadoras como Eva e devem ser tratadas como tal. Ouçam o tom severo de São Paulo
no Novo Testamento: Uma mulher deve aprender em calma e total submissão. Eu não permito
a uma mulher ensinar ou ter autoridade sobre um homem; ela deve ser calada. Porque Adão
foi feito primeiro, e depois Eva. E Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e
se tornou pecadora (I Timóteo 2:11-14).
São Tertuliano foi mais brando que São Paulo, quando ele falava
"às queridas irmãs" na fé. Ele dizia (6): "Vocês sabem que cada uma de
vocês é uma Eva? A sentença de Deus sobre o sexo de vocês subsiste até agora: a culpa
necessariamente subsiste também. Vocês são a porta de entrada para o Diabo: Vocês são
a marca da árvore proibida: Vocês são as primeiras desertoras da divina lei: Vocês
são aquelas que persuadiram o homem de que o diabo não precisava ser atacado. Vocês
destruíram tão facilmente a imagem de Deus, o homem. Por causa de sua deserção, o
Filho de Deus teve que morrer".
Santo Agostinho foi fiel ao legado de seus antecessores. Ele escreveu a
um amigo: "Qual é a diferença, seja uma esposa, ou uma mãe, ainda assim é da Eva
tentadora que devemos nos precaver em qualquer mulher. Eu não consigo ver qual o uso que
uma mulher pode ter para um homem, exceto a função de dar à luz crianças".
Séculos mais tarde, São Tomás de Aquino ainda considerava a mulher
como um defeito: "Com relação à natureza individual, a mulher é defeituosa e mal
feita, porque a força ativa na semente masculina tende para a produção de uma perfeita
semelhança no sexo masculino; enquanto que a produção da mulher provém de um defeito
na força ativa ou de alguma indisposição material, ou mesmo de algumas influências
externas".
Finalmente, o famoso reformador Martinho Lutero não conseguia ver
qualquer benefício em uma mulher, a não ser trazer ao mundo tantas crianças quanto
possível, apesar das conseqüências: "Se elas se cansarem ou mesmo morrerem, isto
não é problema. Deixe-as morrer no parto, é para isso que estão aqui".
Muitas vezes as mulheres foram denegridas por causa da imagem de Eva
como a tentadora, graças ao relato em Gênesis. Para resumir, a concepção
judaico-cristã sobre as mulheres foi envenenada pela crença na natureza pecaminosa de
Eva e de sua descendência feminina.
Se agora voltarmos nossa atenção para o que o Alcorão diz
sobre as
mulheres, cedo perceberemos que a concepção islâmica sobre elas é radicalmente
diferente daquela encontrada no conceito judaico-cristão. Deixemos que o Alcorão
fale
por si mesmo: "Quanto aos muçulmanos e muçulmanas, aos fiéis e às fiéis,
aos
devotados e às devotadas, aos verdadeiros e às verdadeiras, aos homens e mulheres
que
são perseverantes, aos homens e mulheres que são humildes, para os homens e mulheres
que fazem a caridade, para os homens e mulheres que jejuam, aos homens e mulheres
que guardam
a castidade, e aos homens e mulheres que se comprometem em louvar Alá, para todos
eles
Alá preparou o perdão e uma grande recompensa" (33:35).
"Os crentes, homens e mulheres, são protetores uns dos outros:
usufruem do que é justo e proíbem o mal, observam as preces regulares, praticam a
caridade regularmente e obedecem a Alá e Seu Mensageiro. Sobre eles Alá despejará Sua
Misericórdia: porque Alá é Exaltado em poder e sabedoria" (9:71)
"E seu Senhor respondeu a eles: Verdadeiramente, jamais perderei a
obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher, porque procedeis uns do outros"
(3:195)
"Quem cometer uma iniquidade será pago na mesma moeda e aquele
que praticar o bem, seja homem ou mulher, e é um crente, entrará no Jardim de
felicidade" (40:40).
"Quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel,
concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com o melhor
de suas ações" (16:97).
Está claro que a visão do Alcorão a respeito da mulher não difere
da do homem. Ambos são criaturas de Deus e têm como sublime meta adorar seu Senhor,
fazer boas ações e evitar o mal e por isso serão avaliados harmoniosamente. O Alcorão
jamais menciona que a mulher é a porta de entrada para o mal ou que ela é uma enganadora
por excelência. O Alcorão também jamais menciona que o homem é a imagem de Deus. Todos
os homens e mulheres são suas criaturas e só.
De acordo com o Alcorão, o papel da mulher na terra não está
limitado somente ao parto. Dela se exige fazer boas ações, tanto quanto é exigido dos
homens. O Alcorão nunca diz que jamais existiu uma mulher correta. Pelo contrário, o
Alcorão instruiu a todos os crentes, homens e mulheres, a seguir o exemplo daquelas
mulheres , tais como a Virgem Maria e a esposa do Faraó:
"E Deus dá, como exemplo aos fiéis, o da esposa do Faraó, que
disse: Ó Senhor meu, construí, junto a ti, uma morada no Paraíso e livra-me do Faraó e
de suas ações, e salva-me dos iníquos! E com Maria, filha de Imram, que conservou seu
pudor e a qual nos alentamos com o nosso Espírito; e ela testemunhou a verdade das
palavras de seu Senhor e de Suas revelações e era uma das devotas" (66:11/13).
Filhas Vergonhosas ?
Realmente, a diferença entre a atitude bíblica e a alcorâmica, em
relação ao sexo feminino, começa logo que a mulher nasce.
Por exemplo, a Bíblia estabelece que o período do ritual materno da
impureza é duas vezes mais longo se uma menina nasce do que no caso de um menino
(Levítico 12:2-5) . A Bíblia Católica estabelece explicitamente que: "O nascimento
de uma filha é uma prejuízo" (Eclesiastes 22:3). Em contraste com essa absurda
declaração, os meninos recebem especial louvor: "Um homem que educa seu filho será
invejado por seu inimigo" (Eclesiastes 30:3).
Os rabinos judeus tornaram uma obrigação para os homens produzirem
uma descendência, a fim de propagar a raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua
preferência por meninos: "É bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é
mau para aqueles cujas crianças são meninas", " no nascimento de um menino
tudo é alegria ... no nascimento de uma menina tudo é tristeza", e "Quando um
menino chega ao mundo, a paz chega ao mundo ... Quando uma menina chega ao mundo, nada
chega". (7)
Uma filha é considerada um peso doloroso, uma fonte potencial de
vergonha para seu pai: "Sua filha é teimosa? Mantenha um olhar firme para que ela
não faça de você um motivo de gargalhada para seus inimigos, de falatório na cidade,
objeto de fofocas e coloque você em situação de vergonha pública" (Eclesiastes
42:11). Mantenha uma filha teimosa sob firme controle ou ela abusará de qualquer
indulgência que receba. Mantenha vigilância sobre seu olho sem-vergonha, não se
surpreenda se ela o desgraçar" (Eclesiastes 26:10-11). Foi esta mesma idéia, de
tratar as filhas como fonte de vergonha, que levou os árabes pagãos , antes do advento
do Islam, a praticar o infanticídio feminino. O Alcorão condena vigorosamente esta
prática hedionda:
"Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha o seu
semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que
lhe foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Que péssimo é
o que julgam." (16:58/59).
Deve ser dito que, este crime sinistro, jamais teria parado na Arábia,
não fora a força dos termos que o Alcorão usou para condenar tal prática (l6:59,
43:17, 8l:8/9).
Além disso, o Alcorão não faz distinção entre meninos e meninas.
Em contraste com a Bíblia, o Alcorão considera o nascimento de uma mulher como um
presente e uma bênção de Deus, da mesma forma que o nascimento de um menino. O Alcorão
sempre menciona o presente do nascimento feminino primeiro:
"A Alá pertence o domínio dos céus e da terra. Ele cria o que
lhe apraz. Concede filhas a quem quer e filhos a quem lhe apraz" (42:49).
A fim de apagar qualquer traço do infanticídio feminino na nascente
sociedade muçulmana, o Profeta Mohammad prometeu àqueles que fossem abençoados com
filhas uma grande recompensa, se eles as tratassem gentilmente: "Aquele que se ocupa
da educação das filhas e as trata benevolentemente, estará protegido contra o
Inferno" (Bukhari e Muslim). "Aquele que mantém duas meninas, até que elas
atinjam a maturidade, ele e eu chegaremos no dia da ressurreição desse modo: e ele
juntou seus dedos" (Muslim).
A Educação Feminina ?
A diferença entre os conceitos bíblicos e os alcorâmicos sobre a
mulher não está limitada apenas ao seu nascimento, ela se extende muito mais adiante.
Comparemos suas atitudes em relação à mulher, tentando aprender sua religião. O
coração do judaísmo é a Tora, a lei. Contudo, de acordo com o Talmud, "as
mulheres estão isentas de estudarem a Tora". Alguns rabinos declaram firmemente
"é preferível que as palavras da Tora sejam destruídas pelo fogo a serem
partilhadas com uma mulher", e "aquele que ensina a sua filha a Tora é como se
ele lhe ensinasse obscenidade" (8).
A atitude de São Paulo no Novo Testamento não é mais inteligente:
"Como em todas as congregações de santos, as mulheres devem permanecer caladas nas
igrejas. Não é permitido a elas falar, e devem ser submissas, como a lei diz. Se elas
quiserem perguntar sobre alguma coisa, devem perguntar aos seus maridos em casa; porque é
vergonhoso para uma mulher falar nas igrejas". (I Coríntios 14:34/35)
Como pode a mulher se instruir se não lhe é permito falar? Como pode
uma mulher crescer intelectualmente se ela é obrigada a um estado de completa submissão?
Como pode ela delinear seus horizontes, se sua única fonte de informação é seu marido
em casa?
Agora, para ser gentil, devemos perguntar: A posição alcorâmica é
diferente? Uma pequena estória narrada no Alcorão resume sua posição concisamente.
Khawlah era uma muçulmana, cujo marido Aws declarou, em um momento de raiva: "Para
mim você é como as costas de minha mãe". Isto era tomado como uma declaração de
divórcio pelos árabes pagãos e liberava o marido de qualquer responsabilidade conjugal,
mas não deixava a esposa livre para deixar a casa do marido ou para se casar de novo.
Tendo ouvido estas palavras de seu marido, Khawlah estava em uma triste situação. Ela
foi direto ao Profeta do Islam para apelar para o seu caso. O Profeta era de opinião que
ela deveria ser paciente, desde que parecesse que não havia outro caminho. Khawlah
continuou questionando o Profeta, na esperança de salvar o seu casamento. Rapidamente, o
Alcorão interveio e o apelo de Khawlah foi aceito. O veredicto divino aboliu este costume
iníquo. Um capítulo inteiro (Capítulo 58) do Alcorão, intitulado A Discussão, ou
"A mulher que questionou", foi nomeado após este incidente:
"Alá ouviu e aceitou a declaração da mulher que apela a você
(o Profeta) acerca de seu marido e leva sua queixa à Alá e Alá ouve os argumentos entre
vocès, porque Alá ouve e vê todas as coisas ..." (58:1)
A mulher na concepção alcorâmica, tem o direito de argumentar, mesmo
com o Profeta do Islam. Ninguém tem o direito de instruí-la a ficar calada. Ela não é
obrigada a considerar seu marido a única referência em matéria de lei e religião.
A Mulher Suja e Impura
As leis e regulamentos judaicos, referentes à mulher menstruada, são
extremamente restritivos. O Velho Testamento considera qualquer mulher menstruada impura e
suja. Além disso, sua impureza "infecta" outras pessoas também. Qualquer um ou
qualquer coisa tocada por ela torna-se sujo por um dia: "Quando uma mulher tem seu
fluxo regular de sangue, a impureza de seu período mensal durará por sete dias e
qualquer um que a toque estará sujo até a noite. Qualquer lugar onde ela se deite,
durante o seu período, ficará sujo e qualquer lugar onde ela se sente ficará sujo.
Qualquer um que toque sua cama precisa lavar suas roupas e banhar-se com água e ele
ficará sujo até a noite. Qualquer um que toque qualquer lugar onde ela se senta deve
lavar suas roupas e banhar-se com água e ele estará sujo até a noite. Se for a cama ou
qualquer coisa que ela estava sentada, que alguém tocou, ele ficará sujo até a
noite" (Levítico 15:19/23).
Devido à sua natureza "contaminadora", uma mulher menstruada
era "banida" algumas vezes, a fim de evitar qualquer possibilidade de contato
com ela. Ela era mandada para um lugar especial, chamado "a casa das impuras",
por todo o período de sua impureza (9). O Talmud considera a mulher menstruada como
"fatal", mesmo que não haja qualquer contato físico: "Nossos rabinos
ensinaram: ... se uma mulher menstruada passar entre 2 (homens), se ela estiver no início
de suas regras, ela matará um deles e se estiver no final de suas regras ela causará
briga entre eles" (bPes. 111a.)
Além disso, o marido de uma mulher menstruada era proibido de entrar
na sinagoga, se ela o tivesse feito ficar impuro, mesmo que pela poeira de seus pés. Um
pastor, cuja esposa, filha ou mãe estivessem menstruadas, não podia recitar as
bênçãos na sinagoga (10) . Não espanta que muitas mulheres judias se refiram à
menstruação como "a maldição".
O Islam não considera a mulher menstruada como possuída por qualquer
espécie de "sujeira contagiosa". Ela não é nem "intocável" nem
"amaldiçoada". Ela pratica sua vida normal, apenas com algumas restrições. Um
casal não pode ter relações sexuais durante o período menstrual. Qualquer outro
contato físico entre eles é permitido. Uma mulher menstruada está isenta de alguns
rituais, tais como as preces diárias e o jejum durante o seu período.
Dar o Testemunho
Outra questão, na qual o Alcorão e a Bíblia discordam, é a que se
refere ao testemunho da mulher. Na verdade, o Alcorão instruiu os crentes a fazerem
transações financeiras com o testemunho de 2 homens ou 1 homem e 2 mulheres (2:282).
Contudo, é também verdade que o Alcorão, em outras situações,
aceita o testemunho da mulher tão igual quanto ao do homem. Realmente, o testemunho da
mulher pode mesmo invalidar o do homem. Se um homem acusa sua esposa de falta de
castidade, exige-se dele um juramento solene pelo Alcorão, por 5 vezes, como evidência
da culpa de sua esposa. Se a esposa nega e jura igualmente 5 vezes, ela não é
considerada culpada e em qualquer dos casos o casamento é dissolvido (24:6/11).
Por outro lado, as primeiras sociedades judaicas (12) não permitiam o
testemunho feminino . Os rabinos contavam entre as 9 maldições infligidas às mulheres
por causa da queda, a de não ser capaz de prestar testemunho (ver a seção "Legado
de Eva").
Hoje, em Israel, as mulheres não podem apresentar provas em cortes
rabínicas (13). Os rabinos justificam o fato de as mulheres não poderem prestar
testemunho, citando o Gênesis 18:9/16, onde está estabelecido que Sara, esposa de
Abraão, havia mentido. Por causa desse incidente, os rabinos desqualificaram o testemunho
feminino. Deve-se notar que esta estória narrada em Gênesis 18:9/16 foi mencionada mais
de uma vez no Alcorão, sem qualquer sugestão de que Sara houvesse mentido (11:69/74,
5l:24/30). No ocidente cristão, as leis civis e eclesiásticas proibiam as mulheres de
dar testemunho até o final do século passado (14).
Se um homem acusa sua mulher de infidelidade, seu testemunho, segundo a
Bíblia, não será considerado de maneira nenhuma. A esposa acusada tinha que ser
submetida a um julgamento penoso. Neste julgamento, a esposa enfrentava um ritual complexo
e humilhante, no qual se supunha provar sua culpa ou inocência (Números 5:11/31). Se ela
fosse culpada ela seria sentenciada à morte. Se ela fosse inocente, seu marido seria
inocentado de qualquer injustiça. Além disso, se um homem toma uma mulher como esposa e,
então, ele a acusa de não ser virgem, o testemunho dela não será levado em conta. Seus
pais tinham que trazer provas de sua virgindade ante os mais velhos da cidade. Se os pais
não pudessem provar a inocência de sua filha, ela seria apedrejada até a morte na
soleira da casa de seus pais. Se os pais não fossem capazes de provar sua inocência, o
marido seria obrigado a pagar uma multa e não poderia se divorciar da esposa enquanto ele
vivesse: "Se um homem toma uma esposa e, após deitar com ela, se desagrada dela e a
difama chamando-a por nomes feios, dizendo, "Eu me casei com esta mulher, mas quando
eu me aproximei dela eu não encontrei provas de sua virgindade", então os pais da
moça deverão trazer para os mais velhos da cidade a prova de que ela era virgem. O pai
da moça dirá aos mais velhos, "Eu dei minha filha em casamento a este homem, mas
ele se antipatizou com ela. Agora, ele está difamando-a e diz "eu não encontrei a
sua filha virgem". Mas, aqui está
a prova da virgindade da minha filha". Então, seus pais exibirão
a roupa perante os anciãos da cidade e eles punirão o homem.
Eles o multarão em 100 moedas de prata e as darão ao pai da moça,
porque esse homem deu um nome mau para uma virgem israelita. Ela continuará a ser sua
esposa e ele não poderá se divorciar dela enquanto viver. Se, contudo, a acusação for
verdadeira e nenhuma prova da virgindade da moça puder ser encontrada, ela será trazida
à porta da casa de seu pai e lá, os homens da cidade a apedrejarão até a morte. Ela
fez uma coisa vergonhosa para Israel, sendo promíscua enquanto estava na casa de seu pai.
O mal deve ser expurgado de entre vocês." (Deuteronômio 22:13/21)
O Adultério
O adultério e a fornicação são considerados pecados em todas as
religiões. A Bíblia decreta a sentença de morte para ambos os adúlteros (Levítico
20:10). O Islam, igualmente, pune tanto o adúltero como a adúltera (24:2). Contudo, a
definição alcorâmica é muito diferente da definição bíblica. O adultério, de
acordo com o Alcorão, é o envolvimento de um homem casado ou uma mulher casada em um
caso extraconjugal. A Bíblia somente considera adultério o caso extraconjugal de uma
mulher casada. (Levítico 20:10, Deuteronômio 22:22. Provérbios 6:20/7:27).
"Se um homem é encontrado dormindo com a esposa de outro homem,
ambos devem morrer. Deve-se expurgar o mal de Israel" (Deuteronômio 22:22).
"Se um homem comete adultério com a esposa de outro homem, ambos,
adúltero e adúltera devem ser colocados para morrer" (Levítico 20:10).
De acordo com a definição bíblica, se um homem casado dorme com uma
mulher solteira, isto não é considerado crime de forma nenhuma.
O homem casado, que tem relações extraconjugais com mulheres
solteiras, não é um adúltero e as mulheres solteiras envolvidas com ele não são
consideradas adúlteras. O crime de adultério é cometido somente quando um homem, seja
casado ou solteiro, dorme com uma mulher casada. Neste caso, o homem é considerado
adúltero, mesmo que ele não seja casado, e a mulher é considerada adúltera. Em resumo,
o adultério é qualquer ato sexual ilícito envolvendo mulher casada. O caso
extraconjugal de um homem casado não é, de per si, um crime na Bíblia. Por que este
padrão moral duplo? De acordo com a Enciclopédia Judia, a esposa era considerada como
posse de seu marido e o adultério constituía a violação do exclusivo direito do marido
sobre ela; a esposa, como posse do marido, não tinha direito sobre ele (15). Quer dizer,
se um homem tinha uma relação sexual com uma mulher casada, ele estaria violando a
propriedade de outro homem e, assim, deveria ser punido.
Nos dias atuais em Israel, se um homem casado se entrega a um caso
extraconjugal com um mulher solteira, seus filhos com esta mulher são considerados
legítimos. Mas, se uma mulher casada tem um caso com outro homem, seja casado ou
solteiro, seus filhos com este homem são considerados ilegítimos e bastardos e são
proibidos de casar com qualquer outro judeu, exceto com os convertidos e com outros
bastardos. Este impedimento cessa após a 10a. geração, quando se presume que a mancha
do adultério enfraqueceu-se (16).
O Alcorão, por outro lado, nunca considera uma mulher como posse de
qualquer homem. O Alcorão eloqüentemente descreve a relação entre os esposos dizendo:
"E entre os Seus sinais está que Ele criou para vós companheiros
de entre vós mesmos, os quais vós podeis habitar em tranqüilidade com eles e Ele
colocou amor e misericórdia em vossos corações: verdadeiramente, nisto há sinais para
aqueles que refletem" (30:21).
Este é o conceito alcorâmico de casamento: amor, misericórdia e
tranqüilidade, não posse e padrões duplos.
Juramentos
De acordo com a Bíblia, um homem deve cumprir quaisquer juramentos que
ele possa fazer a Deus. Ele não pode quebrar a sua palavra. Por outro lado, o juramento
de uma mulher não cria necessariamente uma obrigação para ela. Deve ser aprovado pelo
seu pai, se ela está morando em sua casa, ou por seu marido, se ela for casada. Se um
pai/marido não endossa os juramentos de sua filha/esposa, todas as garantias feitas por
ela tornam-se nulas e inócuas: "Mas, se seu pai a proíbe quando ele a ouve fazer o
juramento, nenhum de seus juramentos ou garantias pelas quais ela se obrigava,
permanecerão ... Seu marido pode confirmar ou anular qualquer juramento que ela faça ou
qualquer garantia prometida para negar-lhe" (Números 30:2/15).
Por que a palavra de uma mulher não a sujeita de per si? A resposta é
simples: porque ela é propriedade de seu pai, antes do casamento, ou de seu marido após
o casamento. O controle paterno sobre sua filha era absoluto até o ponto em que, se ele o
desejasse, poderia vendê-la! Está indicado nos escritos dos rabinos que: "O homem
pode vender sua filha, mas a mulher não pode vender sua filha; o homem pode contratar
casamento para a sua filha, mas a mulher não pode fazê-lo para sua filha". (17). A
literatura rabínica também indica que o casamento representa a transferência de
controle do pai para o marido: "o noivado, fazendo da mulher a posse sacrossanta - a
propriedade inviolável -- do marido ..."; Obviamente, se a mulher é considerada
propriedade de alguém, ela não pode dar qualquer garantia que seu dono não aprove.
É de interesse notar que esta instrução bíblica, relativa aos
juramentos das mulheres, teve repercussões negativas sobre as mulheres judias e cristãs
até o início deste século. Uma mulher casada, no mundo ocidental, não tinha status
legal. Nenhum ato seu tinha qualquer valor legal. Seu marido podia repudiar qualquer
contrato, comércio ou negócio feito por ela. As mulheres no ocidente (as maiores
herdeiras do legado judaico-cristão) eram tidas como incapazes de cumprir contratos
porque elas eram praticamente a posse de alguém. As mulheres ocidentais sofreram por
quase 2 mil anos por causa da postura bíblica em relação à posição da mulher,
vis-a-vis seus pais e maridos (18).
No Islam, o juramento de cada muçulmano, homem ou mulher, o/a sujeita.
Ninguém tem o poder de repudiar as garantias de quem quer que seja. Falhar na
manutenção de um juramento solene, feito por um homem ou uma mulher, tem que ser expiado
conforme indicado no Alcorão: "Ele (Deus) vos chamará pelos vossos juramentos
deliberados: como expiação, alimentai dez pessoas indigentes, da maneira como alimentais
vossa família,. ou vesti-os, ou libertai um escravo. Se isso estiver além de vossas
posses, jejuai por 3 dias. Esta é a expiação para os vossos perjúrios. Mantenham,
pois, vossos juramentos" 5:89).
Os companheiros do Profeta Mohammad, homens e mulheres, costumavam
apresentar seus juramentos de submissão a ele pessoalmente. As mulheres, tanto quanto os
homens, vinham livremente até ele e prestavam seus juramentos: "Ó Profeta, quando
as mulheres crentes vierem a ti para fazer um acordo contigo de que elas não atribuirão
parceiros a Deus, nem roubarão, ou fornicarão, ou matarão seus próprios filhos, não
matarão ninguém, nem desobedecerão a ti em qualquer assunto, então tome este
compromisso com elas e peça a Deus o perdão para os pecados delas. Na verdade, Deus é
Perdoador e o mais Misericordioso (60:12).
Um homem não pode fazer um juramento por conta de sua filha ou esposa.
Nem pode um homem repudiar o juramento feito por quaisquer de suas parentes femininas.
Propriedade da Esposa ?
As três religiões dividem uma fé inabalável na importância do
casamento e da vida familiar. Elas também concordam na liderança do marido sobre a
família. No entanto, diferenças gritantes existem entre as três religiões, com
relação aos limites dessa liderança. A tradição judaico-cristã, diferente do Islam,
virtualmente estende a liderança do marido até o direito de posse de sua esposa.
A tradição judaica, com referência ao papel do marido em relação a
sua esposa, origina-se do conceito de que ele a possui como sua escrava (19). Este
conceito foi a razão que norteou o padrão duplo nas leis do adultério e na capacidade
de o marido anular os juramentos de sua esposa. Este conceito foi também o responsável
para se negar à esposa qualquer controle sobre sua propriedade ou ganhos. Assim que a
mulher judia se casava, ela perdia completamente qualquer controle sobre sua propriedade e
ganhos para o seu marido. Os rabinos judeus afirmavam que o direito do marido sobre a
propriedade de sua esposa era um corolário de sua posse sobre ela: "Desde que
alguém entre na posse da mulher não deveria entrar na posse de sua propriedade
também?" , e "Desde que ele tenha adquirido a mulher, não deve ele adquirir
sua propriedade também?" (20).
Assim, o casamento determinava que a mulher mais rica se tornasse
praticamente sem um tostão. O Talmud descreve a situação financeira da esposa como se
segue:
"Como pode uma mulher ter alguma coisa; o que quer que seja dela,
pertence ao seu marido? O que é dele é dele e o que é dela é também dele ... Seus
ganhos, e o que ela possa encontrar nas ruas, também são dele. Os artigos domésticos,
mesmo as migalhas de pão sobre a mesa, são dele. Ter um convidado em sua casa e
alimentá-lo é roubar de seu marido ..." (San. 71a, Git. 62a.).
A questão é que a propriedade da mulher judia significava atrair
pretendentes. A família judia fixaria para sua filha uma quota representativa do estado
de seu pai, a ser usada como dote em caso de casamento. Era este dote que tornava as
filhas judias um peso inoportuno para seus pais. O pai tinha que educar sua filha por anos
e então prepará-la para o casamento, providenciando um grande dote. Assim, a moça na
família judia era uma obrigação e não um direito (21). Esta responsabilidade explica
por que o nascimento de uma filha não era celebrado com alegria nas antigas sociedades
judias (ver a seção "Filhas Vergonhosas?". O dote era o presente de casamento
apresentado ao noivo sob os termos de contrato. O marido agiria como o proprietário do
dote mas não podia vendê-lo. A noiva perderia qualquer controle sobre o dote no momento
do casamento. Além disso, esperava-se dela trabalhar após o casamento e todos os seus
ganhos tinham que ir par seu marido, como paga por sua manutenção, a qual era
obrigação dele. Ela poderia ter de volta sua propriedade somente em duas situações:
divórcio ou a morte do marido. Se ela morresse primeiro, ele herdaria sua propriedade. No
caso da morte do marido, a esposa poderia retomar sua propriedade de antes do casamento,
mas ela não se habilitava a herdar qualquer cota de propriedade do marido falecido. Deve
ser acrescentado que o noivo também tinha que apresentar seu presente de casamento à
noiva, contudo, de novo, ele era praticamente o proprietário deste presente enquanto eles
estivessem casados. (22).
O cristianismo, até recentemente, seguiu a mesma tradição judaica.
No império cristão romano (após Constantino), tanto as autoridades civis como as
religiosas, exigiam um acordo sobre a propriedade, como condição para o reconhecimento
do casamento. As famílias ofereciam às suas filhas aumento dos dotes e, como resultado,
os homens tendiam a se casar mais cedo, enquanto que as famílias retardavam o casamento
delas até o máximo. (23). Pela lei canônica, uma esposa se habilitava à restituição
de seu dote se o casamento fosse anulado, a menos que ela fosse culpada de adultério.
Neste caso, ela perdia seu direito ao dote, o qual permanecia nas mãos do marido (24).
Pelas leis canônica e civil, uma mulher casada, na Europa cristã e na América, até o
final do séc. XIX e início do séc. XX, perdia os direitos a sua propriedade. Os
direitos da mulher inglesa, por exemplo, foram compilados e publicados em l632. Estes
"direitos" incluíam: "Aquilo que o marido possui é seu. Aquilo que a
esposa tem é do marido" (25)
A esposa não somente perdia sua propriedade após o casamento, como
perdia sua personalidade também. Nenhum ato jurídico dela tinha valor legal. Seu marido
podia repudiar qualquer compra ou presente feito por ela como sendo nulo de qualquer valor
legal. A pessoa com quem ela tivesse contratado era tomado como um criminoso por ter
participado de uma fraude. Além disso, ela não podia processar, sequer seu marido, nem
ser processada (26). Uma mulher casada era praticamente tratada como uma criança aos
olhos da lei. A esposa simplesmente pertencia a seu marido e, por isso, ela perdia sua
propriedade, sua personalidade jurídica e seu nome de família (27)
O Islam, desde o séc. VII d.C, garantiu às mulheres casadas
personalidade independente, conquista essa que as mulheres ocidentais se viram privadas
até muito recentemente. No Islam, a noiva e sua família não têm obrigação de
presentear o noivo.
A moça, numa família muçulmana, não é responsável. Uma mulher é
tão dignificada no Islam que ela não precisa presentear ninguém, a fim de atrair
maridos em potencial. É o noivo que precisa presentear a noiva com um presente de
casamento. Este presente é considerado sua propriedade e, nem o noivo nem a família da
noiva têm qualquer direito ou controle sobre tal presente. Em algumas sociedades
muçulmanas de hoje, um presente de casamento no valor de US$100.000,00 não é incomum. A
noiva fica com o seu presente de casamento, mesmo que mais tarde ela se divorcie. Não é
permitida a participação do marido na propriedade de sua esposa, a não que ela ofereça
a ele por sua livre e espontânea vontade (29). O Alcorão estabelece sua posição a esse
respeito muito claramente: "E concedei os dotes que pertencem às mulheres; mas se
elas, de boa vontade, conceder-vos uma parte, aceitai-o e desfrutai-o com bom
proveito" (4:4). A propriedade e os ganhos da esposa estão sob seu completo controle
e para seu uso somente, uma vez que a sua manutenção e a das crianças é
responsabilidade do marido (30). Não importa quão rica seja a esposa, ela não é
obrigada a agir como co-provedora para a família, a menos que, voluntariamente, escolha
fazê-lo. O casal herda entre si. Além disso, uma mulher casada no Islam conserva sua
personalidade legal independente e o nome se sua família (3l). Um juiz americano, certa
vez, comentando sobre os direitos das mulheres muçulmanas, disse: "Uma muçulmana
pode se casar 10 vezes, mas sua individualidade não é absorvida pela de seus vários
maridos. Ela é um planeta solar, com um nome e uma personalidade jurídica própria"
(32).
Mães
Em muitos lugares, o Velho Testamento recomenda tratamento gentil e
atencioso aos pais e condena aqueles que os desonram. Por exemplo, "Se alguém
amaldiçoa seu pai ou sua mãe, ele deve morrer" (Levítico 20:9) e "Um homem
sábio traz alegria para seu pai, mas um homem tolo despreza sua mãe" (Provérbios
15:20). Embora honrar o pai somente seja mencionado em alguns lugares, por exemplo,
"Um homem sábio presta atenção às instruções de seu pai" (Provérbio
(13:1), a mãe nunca é mencionada. Além disso, não há ênfase especial para o
tratamento gentil à mãe, como um sinal de apreço pelo seu grande sofrimento pelo parto
e pela amamentação. Por outro lado, as mães não herdam nada de seus filhos, como seus
pais herdam (42).
É difícil falar sobre o Novo Testamento como uma escritura que se
lembre de honrar a mãe. Pelo contrário, tem-se a impressão de que o Novo Testamento
considera o tratamento gentil às mães como um impedimento para o caminho de Deus. De
acordo com o Novo Testamento, ninguém pode tornar-se um bom cristão, digno de tornar-se
um discípulo de Cristo, a menos que ele odeie sua mãe. Atribui-se a Jesus ter dito:
"Se alguém vem a Mim e não odeia seu pai e sua mãe, sua esposa e filhos, seus
irmãos e irmãs - sim, mesmo sua própria vida - ele não pode ser Meu discípulo"
(Lucas 14:26).
Além disso, o Novo Testamento pinta um quadro de Jesus como
indiferente, ou mesmo desrespeitoso, em relação a sua própria mãe. Por exemplo, quando
ela chegou procurando por ele, enquanto ele pregava para multidão, ele não se preocupou
em ir ter com ela: "Então, a mãe e os irmãos de Jesus chegaram. Em pé, do lado de
fora, eles pediram a alguém para chamá-lo. Uma multidão estava sentada em volta dele e
eles lhe disseram: Sua mãe e seus irmãos estão lá fora procurando-o.
Quem são minha mãe e meus irmãos?, ele perguntou. Então ele olhou
para aqueles que estavam sentados à volta dele e disse: Estes são minha mãe e meus
irmãos! Quem quer que faça a vontade de Deus é meu irmão e irmã e mãe" (Marcos
3:3l/35)
Alguém pode argumentar que Jesus estava tentando ensinar a seus
ouvintes uma importante lição de que os laços religiosos não são menos importantes do
que os laços familiares. Contudo, ele podia ter ensinado aos seus ouvintes a mesma
lição sem mostrar uma tal absoluta indiferença para com sua mãe. A mesma atitude
desrespeitosa aparece quando ele se recusou a endossar uma declaração feita por um
membro de sua audiência, abençoando o papel de sua mãe, que o havia gerado e
alimentado: "Como Jesus dissesse estas coisas, uma mulher na multidão o chamou
,"abençoada seja a mãe que lhe deu à luz e
o alimentou". Ele respondeu: "Abençoados antes sejam aqueles
cujos corações ouvem a palavra de Deus e obedecem" (Lucas 11:27/28);
Se uma mãe, com a estatura da virgem Maria, foi tratada com tal
descortesia, conforme relatado no Novo Testamento, por um filho da estatura de Jesus
Cristo, o que dizer então do tratamento dispensado pelos filhos cristãos comuns às suas
mães cristãs?
No Islam, a honra, o respeito e a estima pela maternidade é sem
paralelo. O Alcorão coloca a importância da gentileza para com os pais vindo em segundo
lugar, após a adoração a Deus, o Poderoso: "O teu Senhor decretou que não adoreis
ninguém a não ser Ele, que sejais indulgentes com os vossos pais, mesmo que a velhice
alcance a um deles ou a ambos, em vossa companhia: não os reproveis, nem os rejeiteis;
outrossim, dirigi-lhes palavras honrosas. E estende sobre eles a asa da humildade e dizei:
O Senhor meu, tenha misericórdia de ambos, como eles tiveram de mim, criando-me desde
pequeno" (17:23/24).
O Alcorão em muitas outras partes dá ênfase especial para o grande
papel da mãe que dá à luz e alimenta o filho: "E recomendamos ao homem
benevolência para com os seus pais. Sua mãe o suporta entre dores e sua desmama é aos
dois anos. Mostre gratidão a Mim e a seus pais" (31:14)
Este lugar muito especial para as mães no Islam, foi descrito
eloqüentemente pelo Profeta: "Um homem perguntou ao Profeta: "A quem deve
honrar mais?" O Profeta respondeu: "Sua mãe". "E quem vem
depois?" perguntou o homem. O Profeta respondeu: "Sua mãe". "E quem
vem depois?" perguntou o homem. O Profeta respondeu: "Sua mãe". E que vem
depois?", perguntou o homem. O profeta respondeu: "Seu pai". (Bukhari e
Muslim).
Entre os poucos preceitos do Islam, que os muçulmanos ainda observam
fervorosamente até os dias atuais, é o tratamento atencioso para com as mães. A honra
que as mães muçulmanas recebem de seus filhos e filhas é exemplar. As relações
afetuosas entre as mães muçulmanas e seus filhos, e o profundo respeito com que os
homens se aproximam de suas mães, deixa os ocidentais espantados (43).
Poligamia
Passemos agora para a importante questão sobre a poligamia. A
poligamia é uma prática muito antiga, encontrada em muitas sociedades humanas. A Bíblia
não condenou a poligamia. Pelo contrário, o Velho Testamento e os escritos rabínicos
freqüentemente atestam a legalidade da poligamia. Dizem que o Rei Salomão teve 700
esposas e 300 concubinas (Reis 11:3).
Também o Rei Davi teve muitas esposas e concubinas (2 Samuel 5:13). O
Velho Testamento tem algumas injunções em como distribuir a propriedade de um homem
entre seus filhos de diferentes mulheres (Deuteronômio 22:7). A única restrição com
relação à poligamia é a proibição de tomar uma irmã da esposa como uma esposa rival
(Levítico 18:18). O Talmud aconselha a um máximo de 4 esposas (51). Os judeus europeus
continuaram a praticar a poligamia até o século XVI.
Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até a chegada
a Israel, onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei religiosa, que sobrepuja a lei
civil em tais casos, a poligamia é permitida (52).
E com relação ao Novo Testamento? De acordo com o padre Eugene
Hilman, em seu penetrante livro, a Poligamia é reconsiderada, "Em parte alguma do
Novo Testamento há uma orientação expressa de que o casamento deve ser monogâmico ou
qualquer orientação que proíba a poligamia". (53). Além disso, Jesus não falou
contra a poligamia, embora ela fosse praticada pelos judeus de sua época. O padre Hillman
chama a atenção para o fato de que a Igreja de Roma proibiu a poligamia, a fim de se
adequar à cultura Greco-romana (que prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que
tolerava o concubinato e a prostituição). Ele citou Santo Agostinho, "Agora, em
nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido tomar uma outra
esposa" (54). As igrejas africanas e os cristãos africanos muitas vezes lembram a
seus irmãos europeus que a proibição da poligamia é mais uma tradição cultural do
que uma autêntica injunção cristã.
O Alcorão também permitiu a poligamia, mas não sem algumas
restrições: "Se vós temeis não serdes capazes de conviver justamente com os
órfãos, casai com mulheres de sua escolha, 2 ou 3 ou 4 vezes; mas se temerdes que não
sereis capazes de conviver justamente com elas, então casai somente com uma" (4:13).
O Alcorão, ao contrário da Bíblia, limitou o número de esposas a 4, sob a estrita
condição de que as esposas sejam tratadas igualmente. Isto não deve ser entendido como
uma exortação a que os crentes pratiquem a poligamia, ou que a poligamia é considerada
como um ideal. Em outras palavras, o Alcorão "tolera" ou "permite" a
poligamia, e não mais, mas por que? Por que a poligamia é permitida? A resposta é
simples: há lugares e épocas em que razões morais e sociais compelem para a poligamia.
Como os versos do Alcorão acima indicam, a questão da poligamia no Islam não pode ser
entendida como parte das obrigações da comunidade com relação aos órfãos e viúvas.
O Islam, como uma religião universal, aplicável para todos os lugares e tempos, não
poderia ignorar essas pressões.
Em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em
quantidade. Em um país como a Guiné, há 122 mulheres para cada 100 homens. Na
Tanzânia, há 95,1 homens para 100 mulheres (55). O que uma sociedade deve fazer para
resolver esse desequilíbrio? Existem várias soluções, e alguns podem sugerir o
celibato, outros preferem o infanticídio feminino (que ainda acontece no mundo de hoje em
alguns lugares). Outros, ainda, podem achar que a única saída é a sociedade tolerar
todas as formas de permissividade sexual: prostituição, sexo fora do casamento,
homossexualismo, etc. Para outras sociedades, como a maior parte das sociedades africanas
de hoje, a saída mais honrosa é permitir o casamento poligâmico, como uma instituição
culturalmente aceita e socialmente respeitada. A questão, que é muitas vezes
incompreendida no ocidente, é que muitas mulheres de outras culturas necessariamente não
vêm a poligamia como um sinal de degradação da mulher. Por exemplo, muitas jovens
noivas africanas, sejam cristãs ou muçulmanas, prefeririam se casar com um homem casado,
que tenha provado a ele mesmo, ser um marido responsável.
Muitas esposas africanas persuadem seus maridos a tomar uma segunda
esposa e assim eles não se sentem sozinhos (56).
Uma pesquisa realizada na segunda maior cidade da Nigéria com 600
mulheres, com idades entre 15 e 59 anos, mostrou que 60% dessas mulheres não se
importariam que seus maridos tivessem uma outra esposa. Somente 23% expressaram raiva ante
a idéia de dividirem seus maridos com outras mulheres. 76% das mulheres que se
manifestaram numa pesquisa realizada no Quênia, viram a poligamia positivamente. Em outra
pesquisa realizada no campo, 25 de 27 mulheres consideraram a poligamia melhor do que a
monogamia.
Estas mulheres sentiram que a poligamia pode ser uma experiência feliz
e benéfica se as co-esposas cooperarem umas com as outras (57). A poligamia, na maior
parte das sociedades africanas é uma instituição tão respeitada, que algumas igrejas
protestantes começaram a tolerá-la, "Embora a monogamia possa ser ideal para a
expressão do amor entre o marido e a esposa, a igreja deve considerar que em certas
culturas a poligamia é socialmente aceitável e que a crença de que a poligamia é
contrária ao cristianismo não se sustenta por muito tempo". (58) Depois de um
cuidadoso estudo sobre a poligamia africana,
o Reverendo David Gitari, da Igreja Anglicana, concluiu que a
poligamia, como idealmente praticada, é mais cristã do que o divórcio e o novo
casamento, porque há uma preocupação com as esposas e crianças abandonadas. (59) Eu
pessoalmente conheço algumas esposas africanas, finamente educadas, que apesar de terem
vivido no Ocidente por muitos anos, não fazem qualquer objeção à poligamia. Uma delas,
que mora nos USA, solenemente estimula seu marido a tomar uma segunda esposa para
ajudá-la na criação das crianças.
O problema do desequilíbrio entre os sexos começa na verdade nos
problemáticos tempos de guerra. Os índios nativos americanos costumavam sofrer com essa
desigualdade de número entre homens e mulheres, principalmente após as perdas dos tempos
de guerra. As mulheres dessas tribos, que na verdade desfrutavam de uma alta posição,
aceitavam a poligamia como a melhor proteção contra a tolerância por atividades
indecentes. Os colonos europeus, sem oferecerem qualquer outra alternativa, condenavam a
poligamia indiana como "incivilizada" (60).
Após a segunda guerra mundial, havia na Alemanha 7.300.000 mais
mulheres do que homens (3.3 milhões delas eram viúvas).
Havia 100 homens na idade de 20 a 30 anos para cada 167 mulheres
naquele mesmo grupo de idade. (6l) Muitas dessas mulheres necessitavam de um homem, não
apenas como uma companhia mas, também, como um mantenedor para a casa, num tempo de
miséria e injustiça sem precedentes. Os soldados do exército aliado vitorioso
exploravam a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas jovens e viúvas tinham ligações
com membros das forças de ocupação. Muitos soldados americanos e britânicos pagavam
por seus prazeres com cigarros, chocolates e pães. As crianças ficavam felizes com os
presentes que os estrangeiros traziam. Um menino de 10 anos, vendo esses presentes com
outras crianças, desejava ardentemente um "inglês" para a sua mãe e assim,
ela não precisaria passar fome por tanto tempo (62). Devemos perguntar para nossa
consciência sobre esta questão: O que dignifica mais uma mulher? Uma segunda esposa,
aceita e respeitada, ou uma prostituta virtual, como no caso da abordagem
"civilizada" das forças aliadas na Alemanha? Em outras palavras, o que
dignifica mais uma mulher, a prescrição alcorâmica ou a teologia baseada na cultura do
império romano?
É interessante notar que, em uma conferência da juventude
internacional, acontecida em Munique, em 1948, o problema alemão do desequilíbrio no
número de homens e mulheres foi discutido. Quando ficou claro que não havia solução
consensual, alguns participantes sugeriram a poligamia. A reação inicial da reunião foi
uma mistura de choque e repugnância. Contudo, após um estudo cuidadoso da proposta, os
participantes concordaram que a poligamia era a única solução possível.
Consequentemente, a poligamia estava incluída entre as recomendações
finais da conferência. (63)
Atualmente o mundo possui mais armas de destruição em massa do que
jamais houve em qualquer tempo e as igrejas européias podem, mais cedo ou mais tarde, se
verem obrigadas a aceitar a poligamia como o único caminho. O Padre Hillman, após muito
pensar, admitiu este fato, "É quase conceptível que aquelas técnicas genocidas
(nuclear, biológica, química...) podem produzir um desequilíbrio tão drástico entre
os sexos que o casamento plural poderia ser um meio necessário de sobrevivência... Em
tal situação, os teólogos e os líderes das igrejas deveriam rapidamente produzir
razões importantes e textos bíblicos que justifiquem um novo conceito de
casamento". (64)
Nos dias atuais, a poligamia continua a ser a solução viável para
alguns males das sociedades modernas. As obrigações comunitárias a que o Alcorão se
refere, juntamente com a permissão da poligamia, são mais perceptíveis atualmente nas
sociedades ocidentais do que na África. Por exemplo, nos USA de hoje, há uma séria
crise de na comunidade negra. Um em cada 20 jovens rapazes negros podem morrer antes de
atingirem a idade de 2l anos. Para aqueles que estão entre os 20 e 35 anos, o homicídio
lidera a causa da morte (65). Além disso, muitos rapazes negros estão desempregados, na
prisão ou são viciados (66). Como conseqüência, um em 4 mulheres negras, na idade de
40 anos, nunca se casaram, enquanto que este número é de 1 para 10 mulheres brancas
(67). Além disso, muitas jovens negras se tornam mães solteiras antes dos 20 anos e se
encontram na situação de serem mantidas. O resultado final dessas trágicas
circunstância é que há um aumento no número de mulheres negras comprometidas com
"homem-partilhado" (68). Isto é, muitas dessas infelizes mulheres negras
solteiras estão envolvidas em casos com homens casados. As esposas muitas vezes não têm
consciência do fato de que outras mulheres estão dividindo seus maridos com elas. Alguns
observadores da crise do "homem-partilhado" na comunidade Africana na América
têm recomendado a poligamia consensual, como uma resposta temporária para a diminuição
do número de homens negros, até que reformas mais abrangentes na sociedade americana
sejam tomadas (69). Esses observadores entendem poligamia consensual como a poligamia
sancionada pela comunidade e na qual todas as partes envolvidas concordem, em oposição
ao segredo dos casos com homens casados, os quais sempre prejudicam tanto a esposa como a
comunidade em geral.
O problema do "homem-partilhado" na comunidade africana na
América foi tópico de discussão em um painel realizado na Universidade de Temple, na
Filadélfia, em 27.01.93 (70). Alguns dos palestrantes recomendaram a poligamia como um
remédio potencial para a crise. Eles também sugeriram que a poligamia não podia ser
banida por lei, particularmente em uma sociedade que tolera a prostituição e as
concubinas. O comentário de uma das mulheres participantes, de que os negros americanos
precisavam aprender com a África, onde a poligamia era praticada responsavelmente,
conseguiu entusiásticos aplausos.
Philip Kilbride, um antropólogo americano, de tradição católica
romana, em seu livro provocativo, Casamento Plural para o Nosso Tempo, propõe a poligamia
como solução para alguns dos males da sociedade americana. Ele argumenta que o casamento
plural pode servir como uma alternativa potencial para o divórcio em muitos casos,a fim
de eliminar o impacto danoso do divórcio sobre as crianças. Ele afirma que muitos
divórcios foram causados pelo excessivo número de casos extraconjugais ocorridos na
sociedade americana. De acordo com Kilbride, transformar um caso extraconjugal em um
casamento poligâmico, ao invés do divórcio, é melhor para as crianças. Além disso,
ele sugere que outros grupos também se beneficiarão do casamento plural, tais como:
mulheres mais velhas, que enfrentam uma crônica diminuição de homens e os negros
americanos que estão envolvidos com o "homem-partilhado". (7l)
Em 1987, uma votação conduzida por um estudante de jornalismo da
Universidade de Berkeley, perguntava aos estudantes se eles concordavam em que os homens
poderiam ser autorizados, por lei, a terem mais de uma esposa, tendo em vista a visível
diminuição do número de candidatos masculinos para o casamento na Califórnia. Quase
todos os votantes aprovaram a idéia.
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