Naturalidade: Bairro Santana, São Paulo, SP
Data da Entrevista: 08/03/2007

Soninha Francine estudou cinema na Universidade de São Paulo.
Trabalhou na MTV (de 1990 a 2000) como redatora, diretora de programas
e apresentadora, e na TV Cultura, apresentando um programa diário
sobre política, cidadania, meio ambiente, arte, cultura, educação,
etc. De 2000 a 2004, forneceu conteúdo para a área jovem da America
Online. Desde 99 é apresentadora e comentarista da ESPN-Brasil e
escreve uma coluna semanal no caderno Esporte da Folha de São Paulo.
Foi comentarista de futebol do sistema Globo/CBN de rádio. Assina
colunas na revista mensal Vida Simples e no site Oba Oba. É vereadora
em São Paulo, presidente do Instituto Gol Brasil e professora voluntária
do Instituto Sala 5. É budista, palmeirense, tem três filhas e há
um ano assina um Blog na Folha Online.
1) Você acredita na existência de
um deus ou Poder Superior ? Como você chegou à descoberta de um Deus ?
R: Acredito na existência de uma essência pura, perfeita, que permeia todas as coisas. O bem em si; o amor em si. Não "alguém" que seja bom, alguém que ame e seja sábio, mas a pureza absoluta, completamente acessível a quem se deixar abrir para ela. Eu fui católica muito tempo, e me comunicava com Deus como "alguém", um ser que me ouvia e me inspirava. Depois desacreditei disso; concluí que era uma criação minha. Depois, quando conheci o budismo, entendi e concordei com essa percepção de que Deus - ou Buda... - é a essência pura de todas as coisas. Não o Criador, não o responsável por punir ou exaltar, mas simplesmente o amor e a sabedoria.
2) Como conceituaria sua
espiritualidade e o contato com o seu Deus ?
R: Meu caminho espiritual é minha referência máxima; minha Constituição, minha Lei Orgância. Em caso de dúvida, consulto os princípios desse caminho -- amor, compaixão, desapego, altruísmo, a negação do ego como centro de todas as coisas, a prioridade absoluta ao fim do sofrimento do outro. Meu contato com Deus é renovado diariamente por meio da meditação, basicamente de dois tipos: ora contemplo o sofrimento, a impermanência, a compaixão, o amor, o desapego; ora procuro relaxar a mente, sem cultivar nenhum conceito, sem me deixar levar por eles, sem julgar, procurando abrir mão de tudo o que nos separa da essência pura, não contaminada por fabricações mentais. Além desse momento em que treino para aquietar minha mente, procuro aplicar os resultados do treino o dia todo...
3) Se você pudesse ser seu Deus,
qual sua primeira atitude para melhorar este planeta ?
R: Infundir todos os seres de compaixão, isto é, da sincera preocupação com o sofrimento do outro. Na verdade, a compaixão nem precisaria ser concedida; bastaria revelar o impulso inato de todos os seres... Afinal, até os animais são capazes de se incomodar com o sofrimento alheio, a ponto de tomarem atitudes para minimizá-lo. Não é comovente quando um bichinho adota outro, até mesmo de espécie diferente?
4) O que você pensa das religiões
na sociedade ?
R: Acho que as pessoas têm relações muito diferentes com suas religiões. Algumas seguem um caminho espiritual por desencargo de consciência... Por hábito... Porque se sentem obrigadas. Outras, porque buscam respostas para seus anseios - qual o sentido da vida; por que há tanto sofrimento? Algumas tentam ser melhores do que são agora; outras anseiam pela companhia de pessoas que tenham as mesmas inquietações ou inclinações que elas... A devoção pode fazer bem ou mal às pessoas; por extensão, pode fazer bem ou à sociedade. Mas as religiões são parte inerente da nossa cultura, e quando seus princípios fundamentais de amor e solidariedade são aplicados, elas cumprem um papel fundamental de revelar o máximo de humano na humanidade...
5) Atingido o sucesso ou
realização, algo mudou ou tem mudado sua vida? Você, sua espitiritualidade, seu Deus,
as pessoas ao seu redor ?
R: O "sucesso" não, a espiritualidade é que mudou bastante a maneira de me relacionar com as pessoas, os problemas, as dificuldades.
6) Qual a frase que você não ouviu
e gostaria de ter ouvido aos 18 anos de idade ?
R: A vida é sofrimento, mas também é ilusão... As coisas não são concretas como parecem.
7) Chegando ao céu, qual frase
gostaria de ouvir do seu Deus ?
R: "Fique tranqüila, um dia todos virão para cá; mais cedo ou mais tarde, todos terão um lampejo de sabedoria e se renderão ao bem".
Soninha também publicou livro "Por que sou budista", da Editora Jaboticaba, que eu escrevi a convite deles como parte da coleção "Por que sou" (tem também "Por que sou espírita" e "Por que sou católico"). E o Instituto Sala 5, uma ONG que funciona na Vila Brasilândia, em São Paulo, que oferece vários cursos e atividades e produz uma revista de história em quadrinhos com seus alunos e professores (voluntários) para arrecadar recursos para seu próprio funcionamento e gerar renda para os alunos. Telefone para mais informações: (11) 39836789.
ou www.soninha.com.br