História do Movimento Umbandista no Brasil
O Movimento Umbandista é um movimento filo-religioso surgido no final
do século XIX , no Brasil, quando entidades espirituais, integrantes da Confraria dos
Espíritos Ancestrais, passaram a manifestar-se, pela mediunidade, em rituais de cultos
praticados por Africanos e Indígenas, miscigenados com elementos do catolicismo
introduzidos pela Raça Branca.
Na verdade, a eclosão do Movimento Umbandista foi decorrência das
necessidades cármicas que fizeram reunir, no solo brasileiro, representantes das raças
branca, amarela, negra e remanescentes da vermelha. Assim, o Brasil possibilitou o
encontro de coletividades que alimentavam rivalidades entre si e, de alguma forma,
mantinham em seus sistemas religiosos, fragmentos do Conhecimento Verdadeiro usurpado pela
humanidade em sua odisséia terrena.
O Brasil, conhecido pelos índios pré-cabralinos como BARA - TZIL (
Terra da Cruz ou Terra da Luz) , deveria ser o local do surgimento do Movimento Umbandista
porquê, originalmente, havia recebido a revelação do Aumbandan na época dos Lêmures,
no apogeu da Raça Vermelha, no Tronco Tupy. Foi aqui também que a Tradição foi
deturpada em sua essência, consubstanciando-se na Cisão do Tronco Tupy nos grupos
Tupy-Nambá e Tupy-Guarany que defendiam, respectivamente, o Princípio Espiritual e o
Princípio Natural. Embora os Tupys tenham, algum tempo depois, voltado ao seu caminho
evolutivo original, os resultados de sua Cisão ainda se fazem sentir até hoje,
persistindo na mentalidade humana o dilema entre o Espírito e a Matéria.
Aqueles seres do Tronco Tupy não mais encarnam no Planeta e mesmo
poderiam partir para outros locais mais evoluidos do Universo, entretanto, optaram por
trabalhar em prol da Humanidade, auxiliando-a a encontrar sua via justa de evolução,
restabelecendo a Tradição-Una, o Aumbandan.
Para servir a este propósito, o Governo Oculto do Planeta, no momento
adequado, lançou as sementes do Movimento Umbandista, visando inicialmente o Brasil, para
futuramente revelar os aspectos cósmicos da Doutrina para todos os povos. E assim, por
dentro dos cultos degenerados de várias raças existentes no Brasil, passaram então a
manifestar-se pela incorporação, os Espíritos Ancestrais da Humanidade que se
apresentavam, inicialmente, na forma de Indios e, depois, também na forma de
Pretos-Velhos e Crianças. Apresentavam-se desta forma para atingir mais facilmente a
coletividade brasileira, que se identificava, sincreticamente, com estes arquétipos da
Simplicidade, da Humildade e da Pureza.
O aparecimento destas entidades veio a configurar as bases do Movimento
Umbandista, que recebeu uma primeira organização ritualística a partir de 1908, com o
médium Zélio Fernandino de Moraes, tomando o nome inicial de Alabanda e, depois, de
Umbanda. Quase 50 anos transcorreram até que, em 1956, o famoso Médium W.W. da Matta e
Silva revelou ao público os primeiros aspectos da Doutrina Esotérica de Umbanda marcando
a história com o livro Umbanda de Todos Nós.
Atualmente o Movimento Umbandista conta com uma coletividade estimada
em 70 milhões de adeptos e simpatizantes, entretanto, números mais precisos sobre esta
população são de difícil aquisição devido à própria estrutura do Movimento
Umbandista.
Esta estrutura comporta uma infinidade de Terreiros ou Templos com
rituais diferentes entre si, consequentes de uma maior ou menor assimilação sincrética
de elementos de outras culturas e sistemas filo-religiosos. Este sincretismo visa
estabelecer uma ponte de ligação que permita a transição gradual de indivíduos
oriundos de outros sistemas para a Umbanda.
Embora o panorama geral propiciado por estas variações ritualísticas
possa parecer heterogêneo, esta foi uma estratégia utilizada pelos espíritos da
Confraria Cósmica de Umbanda como forma de minimizar as desigualdades sociais e
discriminações de qualquer origem. Portanto, o Movimento Umbandista é capaz de receber
indivíduos com características e concepções sobre a espiritualidade muito variadas;
para cada um deles haverá um Terreiro ou Templo que mais se adapte ao seu nível
consciencial.
Como elemento de ligação dos diversos templos, encontra-se a
mediunidade através da incorporação de espíritos que se apresentam nas três formas
arquetipais de "Caboclos", "Pretos-Velhos" ( mais adequadamente
chamados de Pais-Velhos ) e "Crianças". Estas Entidades procuram impulsionar,
paulatinamente, as pessoas que procuram os terreiros para patamares superiores de
compreensão de si mesmos, do Mundo Material e do Mundo Espiritual. Obviamente, quanto
mais sincrético for um terreiro, mais distanciado estará da Essência e mais preso
estará à Forma. Mesmo naqueles templos onde predominam a busca da Essência e a
verdadeira Iniciação de Umbanda, os rituais abertos ao público apresentam apenas uma
ínfima parte da Doutrina, por respeito e caridade aos consulentes, guardando para o
interior do Templo os fundamentos que esperam o momento certo para serem revelados.
A partir de 1989, com o lançamento da obra Umbanda - a Proto-síntese
Cósmica, que mostrou ângulos inéditos da Umbanda, foi inaugurada uma nova fase do
Movimento Umbandista, revelando-se o caráter cósmico desta doutrina. Os rituais dos
diversos templos vêm-se modificando, mais adequados à tendência da globalização, que
certamente consolidará um Mundo sem fronteiras para os habitantes do Planeta Terra,
estabelecendo seus laços de ligação não apenas pelo comércio de bens materiais, mas
principalmente pela comunhão de valores espirituais.
Aspectos Básicos da Doutrina de Umbanda
Uma visão geral dos vários tipos de ritual, encontráveis nos
terreiros de Umbanda, não mostra prontamente a Doutrina de Umbanda. Isto se deve à
presença do sincretismo que mascara a verdadeira Doutrina, de forma a se adaptar às
necessidades da população que freqüenta os templos afins. Os princípios que servem de
base para todo o Movimento Umbandista são sensíveis, especialmente, nos Templos
Iniciáticos e nos rituais internos de alguns terreiros, onde se percebe um interesse
maior na busca da evolução espiritual, sem os véus da ilusão ditados pelo mito.
Partindo desta observação, podemos obter duas informações
preciosas: A primeira é que, se fôssemos tentar compor uma Doutrina consistente, a
partir das manifestações sincréticas, seria impossível atingir um quadro coerente, e
mesmo que fosse possível, o mesmo ainda estaria absolutamente distante dos ensinamentos
transmitidos pela "corrente iniciática". A segunda informação importante é a
de que, excluindo-se as manifestações do sincretismo nos diversos terreiros de Umbanda,
é possível isolar determinados pontos de semelhança e conceitos compartilhados, que
apontam para um sistema lógico, inicialmente insuspeitado, que encontra-se velado pelo
caos aparente.
Dentre as semelhanças existentes entre os diversos terreiros
ressalta-se a presença de Seres Espirituais da Corrente Astral de Umbanda que se
manifestam pela incorporação nas formas de "Caboclos",
"Pretos-velhos" e "Crianças". Este pode-se considerar o ponto básico
que serve até como qualificador da doutrina professada por determinado núcleo
espiritualista. A homogeneidade no encontro deste fator que eclodiu em coletividades
distintas e fez surgir o Movimento Umbandista, leva à conclusão que a Doutrina de
Umbanda é fruto da revelação destas entidades através de seus médiuns e não o
resultado de uma miscigenação de cultos afro-ameríndios.
A partir desta pedra angular, constrói-se toda a Doutrina de Umbanda,
fundada no Tríplice Caminho constituído pela Doutrina Mântrica, pela Doutrina Yântrica
e pela Doutrina Tântrica que velam o mistério da Cosmogênese. Todos os processos
relacionados à evolução dos Seres Espirituais no Reino Natural são observados à luz
destes princípios ternários e através da lei das analogias, aplicados desde o nível
microssomático até o macrocósmico.
As entidades que se apresentam na Umbanda vêm personificar a
Simplicidade, a Pureza e a Sabedoria, em nome de Oxalá - o Cristo Jesus - o Tutor Máximo
do Planeta Terra. Através de seus conselhos, exemplos e mesmo da movimentação das
forças naturais, conseguem acender a chama da Fé no coração dos consulentes que
procuram os templos de Umbanda. A partir da Fé e da Razão incutem, gradualmente, na
coletividade planetária, a compreensão dos mecanismos da reencarnação, das Leis
Cármicas, das atrações por afinidade e sintonia e ensinam-nos os meios para caminhar
seguramente em direção da nossa própria essência espiritual.
Estas Entidades de grande evolução, na verdade, são nossos
Ancestrais Primevos, os primeiros seres a encarnar no Planeta Terra e que eram senhores do
Conhecimento Integral já na época de suas encarnações, anteriores aos Atlantes. Toda a
Sabedoria Planetária revelou-se como Aumbandan e deu origem, posteriormente a todas as
filosofias, ciências, artes e religiões que conhecemos atualmente. É por este motivo
que encontramos na Doutrina de Umbanda vários conceitos que ainda foram conservados por
alguns setores filo-religiosos.
Na verdade, o surgimento das religiões e todo conhecimento
fragmentário da atualidade deveu-se à deturpação e uso inadequado do Conhecimento-Uno
existente na época do Tronco Tupy. Por consequência, o homem perdeu a chave deste
mistério e da capacidade de compreender, de forma sintética, a vida em suas causas e
efeitos.
Na expectativa de reconstruir este conhecimento perdido e de receber os
influxos destas portentosas Entidades é que apareceram os Cultos aos Ancestrais Primevos,
apregoados pelos grandes patriarcas e iniciados , cujos resquícios se fazem presentes,
ainda hoje, em algumas tradições, especialmente as orientais.
Por misericórdia divina, os integrantes da Confraria dos Espíritos
Ancestrais vêm trazer as sementes dos novos tempos, manifestando-se através da
mediunidade, auxiliando-nos na jornada evolutiva, para que novamente o Aumbandan se faça
presente na coletividade terrena.
Mediunidade e Iniciação na visão da Umbanda
Todos nós somos espíritos encarnados e, consequentemente, se
perecíveis no corpo físico, imortais em nossa essência que segue sua via evolutiva
conforme as Leis Cármicas. Entretanto, ainda estamos muito distantes dos princípios da
espiritualidade superior, sendo prova disto a limitação que temos para perceber o Mundo
Astral e também a nós mesmos em nossas várias encarnações, sem falar da situação
das relações de troca injustas entre humanos e das infames guerras fratricidas.
A Umbanda ensina que sem Caridade não há Salvação e que não se
deve esperar a Iluminação sem se desvencilhar do Egoísmo, da Vaidade e do Orgulho. O
caminho preconizado é o da Simplicidade, da Humildade e da Pureza. Uma via longa e penosa
quando se pretende sair da Ilusão e, realmente, partir para a conquista destes altos
valores do espírito, capazes de nos libertar do obscurecimento consciencial a que estamos
submetidos.
Tão difícil é esta via que seria praticamente impossível atingir
estes objetivos sem o concurso dos Mestres da Simplicidade, da Humildade e da Pureza,
transfigurados nas entidades que baixam nos terreiros de Umbanda. Pela nossa condição
moral, não haveria como estes Mestres chegarem até nós, a não ser pela mediunidade.
Assim, médiuns são aqueles espíritos que receberam, antes da
presente encarnação, determinados ajustes em seu Organismo Astral e nas suas
concepções morais, que possibilitem ceder sua constituição física à comunicação
mediúnica, trabalhando em prol da Caridade e da evolução, própria e dos seus
semelhantes. Este é um compromisso firmado entre este Ser e os Espíritos da Confraria
Cósmica de Umbanda antes do nascimento e que deve florescer de maneira natural ao longo
da encarnação do indivíduo.
Atualmente, raros são os médiuns com atividades positivas e ligados a
Espíritos com ordens e direitos do Astral Superior. Também o grau de atividade da
faculdade mediúnica varia entre os médiuns, de acordo com seu grau consciencial e com a
sua experiência ao longo das encarnações exercendo esta faculdade.
Deixo claro que não é necessário ser médium para ser umbandista e a
mediunidade não é uma dádiva estendida a "eleitos" ao reino dos Céus. Na
verdade, os médiuns são espíritos de alguma forma comprometidos carmicamente com a
evolução planetária, na maioria devedores antigos que, em maior ou menor grau, são
cientes de seus débitos e trabalham para quitá-los perante a Lei.
Alguns destes médiuns são espíritos velhos no Planeta, que embora
possam ter-se desviado, em algum momento, da via justa da evolução, carregam consigo
considerável experiência e conhecimento, tanto das coisas do espírito como das forças
da Natureza e, principalmente, da psicologia humana. Estes são chamados Iniciados, cada
um dentro de seu grau, da Corrente Astral de Umbanda.
A Iniciação é um processo contínuo, que se desenvolve no decorrer
de várias e várias encarnações dedicadas a este aprendizado, também não acaba nunca
pois é infinita a evolução espiritual e cada minúscula porção de conhecimento
trazido por um iniciado deve ser fruto da sua própria vivência orientada por mestres.
Sim, cada fio de cabelo da cabeça de um Iniciado é contado...
A Iniciação de Umbanda não é vetada a ninguém, todavia
pouquíssimos carregam este selo conferido pelas Hostes do Bem, como um legado cármico.
Muitos ainda surgirão, e cada vez de maior porte. Àqueles que iniciam agora a jornada,
lembro que muitas vidas os aguardam e cada pequeno degrau é alçado às custas de um
esforço indescritível, mas não impossível.
Afirmo que não há, na Umbanda, um Sumo-pontífice, embora respeitemos
as religiões que têm tal cargo. Nossos pontífices (pontifex-aquele que constroi a ponte
até o Divino) são as Entidades que baixam nos terreiros e nos conduzem à nossa
essência em nome de Oxalá.
Sei, igualmente, que as Federações e similares, têm um papel
predominante de coligações entre humanos encarnados, sem uma maior representatividade
espiritual. No entanto, existe uma tendência de que no decorrer do tempo (talvez décadas
ou séculos) comece a haver uma profunda união entre os vários templos de Umbanda, fruto
do compartilhamento dos mesmos princípios e diretrizes, adaptados às coletividades de
cada terreiro.
No futuro, todos os que dirigem terreiros serão verdadeiros Sacerdotes
Iniciados de Umbanda e poderão promover um atendimento aos seus consulentes em uma
profundidade compatível com seu grau iniciático, podendo o consulente ser encaminhado a
outros templos irmanados de acordo com suas necessidades. Enfim, a Umbanda vem mostrando
que os laços eternos são os do Espírito...
A Organização de um Terreiro de Umbanda
Na parte espiritual as principais autoridades umbandistas são os pais-de-santo
ou mães-de-santo ou madrinhas, que incorporam as entidades, zelam pela manutenção da
doutrina e presidem as sessões realizadas no terreiro (o templo). Abaixo deles estão os
pais e mães pequenos, filhos ou filhas-de-santo, que também são médiuns. Há ainda os
auxiliares de culto, que ajudam a organizar o terreiro e assessoram os pais-de-santo e
médiuns de incorporação durante as sessões. Os auxiliares mais conhecidos são :
Cambones : São os médiuns que cuidam do orixá, servindo suas
bebidas, comidas, o cigarro ou charuto, suas vestes, escrevendo para ele, enfim auxiliando
em todo o trabalho. O cambone é, sem dúvida alguma, o médium mais difícil de doutrinar
(aprender), por que ele deve conhecer como é cada orixá , saber o que cada orixá como,
o que bebe, saber servir enfim é uma arte.
Ogan : Os ogans são os responsáveis pela "puxada" dos
pontos do terreiro. Eles devem ser detentores da sabedoria e reconhecer qual ponto deve
ser puxado para qual entidade. Para os ogans a parte que deve ser mais difícil é não
saber o que mas sim o quando. Um ogan deve no mínimo conhecer 7 pontos de cada entidade e
de cada momento (pontos de abertura, saudações, pontos de bater cabeça, etc).
Tabaqueiros : Os tabaqueiros são os responsáveis pela curimba, ou
seja, pelo toque das atabaques. Um toque diferente pode comprometer qualquer trabalho e
ainda ser responsável pelo cruzamento da linha com o candomblé. É muito importante o
entrosamento com o Ogan, uma vez que dependem dele para saber o ponto que será puxado e
assim poder dar o toque. Os tabaqueiros também devem saber quando, como e porque de cada
toque, repique, etc.
Os Orixás e as Entidades na Umbanda
Aqui estão relacionados os orixás mais cultuados na Umbanda. Variando
de terreiro pra terreiro podem aparecer outros cultos como por exemplo para Obá e
Ossãem. Além desses, há a incorporação de outras entidades como : crianças,
pretos-velhos, baianos, boiadeiros e marinheiros. Existem ainda outros terreiros em que
podem aparecer a linha das almas onde as pessoas incorporam pessoas da família que
trabalharam no espiritismo e também outros santos como Joana D'Arc, porém esse tipo de
trabalho é muito raro.
OXALÁ
Oxalá a autoridade Suprema na Umbanda. Oxalá na Umbanda é Jesus
Cristo. Ele é quem dá as ordens aos orixás para virem até a Terra ajudar seus filhos.
Sua imagem é qualquer representanção de Jesus Cristo, normalmente sem a Cruz. Não há
incorporação de Oxalá na Umbanda. Cor : Branca
OGUM
Ogum na Umbanda é São Jorge, ou como os umbandistas chamam São Jorge
Guerreiro. Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa.
Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, essa característica pode
ser percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua imagem
é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um Ogum
especificamente (dependendo do terreiro).
Ogum tem em sua falange, outros Oguns que vem em seu nome, alguns deles
se apresentam como : Ogum Megê, Ogum de Lei, Ogum Rompe Mato, Ogum Iara, Ogum Sete Ondas,
Ogum Beira Mar, entre outros.
A incorporação de Ogum é fácil de se perceber : Seus filhos tomam
uma forma militar com os ombros retos, peito estufado, andar ereto e com a mão ou dedo
esticado acima da cabeça. Cor : Vermelho e branco
XANGÔ
Orixá da Justiça, Xangô na Umbanda é São Jerônimo. Diz a lenda no
Candomblé que Xangô teve três esposas : Iansã, Oxum e Obá. Xangô tem como lugar as
pedreiras. Sua imagem é representanda por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a
tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado. Xangô tem sua falange também, o mais
conhecido é Xangô Kaô. Cor : Marrom
IEMANJÁ
Rainhas do Mar, é um do orixás mais conhecidos do Brasil. Senhora das
águas, não há filho que não faça sua reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é
Nossa Senhora da Imaculada Conceição na Umbanda. Iemanjá é conhecida nos terreiros
pelo seu canto longo (outros dizem que é uma espécie de choro), suas mãos fazem
movimentos para frente e para cima como se fossem ondas do mar. Iemanjá não tem uma
falange especifica, porém em sua linha há as sereias e princesas do mar, conhecida por
Janaína. Sua imagem é representada por uma mulher de cabelos compridos e negros, com um
vestido azul comprido de mangas largas sobre as águas e com flores a sua volta, de suas
mãos saem gotas de águas que mais se parecem com moedas (a riqueza do mar), na cabeça
uma coroa que pode ter uma estrela no centro. Cor : Azul ou Azul e Branco
IANSÃ
Iansã é a rainha dos ventos e tempestades, na Umbanda também é
reverenciada por Santa Bárbara ou como os umbadistas chamam A Virgem da Coroa. Iansã é
a santa de expressão séria e de porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansã na
umbanda incorpora com expressão altiva e com o braço direito estendido para cima e com a
mão direita a balançar, como se estivesse chamando os raios. Iansã pode aparecer na
corrente tanto na sua própria linha como na linha de Iemanjá - adentrando assim na linha
das águas. A imagem de Iansã no terreiro é a imagem de Santa Bárbara, ou seja, uma
moça de cabelos claros com uma túnica vermelha por cima de um vestido amarelo, pode
estar segurando um ramo ou uma espada. Cor : amarelo-ouro
OXUM
Oxum a Senhora das águas doces, dos rios e cachoeiras. Na Umbanda ela
é saudada como Nossa Senhora Aparecida. No terreiro Oxum com sua expressão serena
aparece com os braços esticados na altura da cintura, fazendo o movimento circulares e
para frente. Normalmente vem na linha das águas, logo após a incorporação de Iemanjá
(isso pode variar de terreiro pra terreiro). Cor : roxo ou azul escuro.
Linha de Cosme, Damião e Doun ou Linha das Crianças
Os filhos de Ogum são a presença mais alegre da Umbanda. A presença
das crianças na Umbanda traz renovações e esperança, reforçando a natureza pura e
ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que
traz na face do médium. Aliás essa linha é fácil de perceber a incorporação pois o
semblante da pessoa fica suave, sua voz mais fina e sempre com aquele ar de criança. Por
sua natureza e pelos padrinhos da linha A linha de Cosme e Damião também traz a cura
para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra as
crianças. Podem aparecer no decorer do ano, mas o seu dia de comemoração acaba virando
uma grande festa de aniversário, onde tem bolo, bexigas, doces e refrigerante, não
faltando é claro o "Parabéns à você".
Linha dos Pretos-Velhos
A linha mais experiente da Umbanda e sem dúvida a mais respeitada das
entidades, pelo seu sofrimento e pela sua sabedoria e humildade. É isso tudo que passa a
linha dos pretos-velhos, o que um preto velho fala ninguém discute. Como diz seu próprio
ponto cantado "Filhos de Umbanda não tem querer" é assim que eles vem :
trazendo saúde e esperança, ajudando seus filhos e cobrando deles a humildade e bondade
no espírito. Se existe algo que os pretos-velhos não admitem é a soberbia em seus
filhos de fé. Sua homenagem fica para o dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos.
Nesse dia os filhos de umbanda servem a eles uma mesa repleta de legumes, verduras
cozidas, feijão de corda e feijoada e frutas docinhas, uma vez que serviram tanto a nós
em outras épocas.
As diferenças entre a Umbanda e o Candomblé
Esses são alguns tópicos que relacionei sobre as diferenças entre a
Umbanda e o Candomblé, e com isso você poderá aprender um pouco mais sobre a religião.
Alguns grupos de Umbanda assimilam mais elementos do espiritismo, dando
origem à umbanda de mesa, que nesse tipo de ritual os adeptos costumam chamar de
"Mesa Branca". Porém a maior predominância é dos rituais que parecem
semelhantes aos do Candomblé. Essa predominância varia de terreiro para terreiro,
dependendo da doutrina de cada pai ou mãe de santo, se essa predominância for muito
grande, chamamos de "Umbandomblé".
Apesar de alguns rituais e entidades serem as mesmas do Candomblé,
existem ainda algumas particularidades que diferenciam a Umbanda do Candomblé, por
exemplo os orixás no Candomblé não se comunicam diretamente com a assistência. Para
que a assistência possa saber alguma coisa para melhorar sua vida, ela precisa falar com
o Babalorixá que consultará os Búzios, só assim os orixás poderão orientar a pessoa
sobre seus problemas.
Na Umbanda, a assistência pode consultar as entidades diretamente, sem
precisar do jogo de Búzios, uma vez que as entidades podem utilizar o corpo do médium
para se comunicar. Essa consulta só pode acontecer nos dias de gira de trabalhos, essa
gira é especialmente para isso. Existem outras giras, como por exemplo a Gira de
Desenvolvimento, onde os médiuns novatos praticam e se aperfeiçoam na comunicação com
o orixá e entidades.
Há ainda para se dizer que na Umbanda os orixás maiores ou santos
(Iemanjá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Oxum, Iansã, etc) não falam, quando eles
"baixam" no terreiro, só sua presença já é uma benção, os santos não tem
a falange (linguajar) para que as pessoas possam entender, eles já transcenderam da Terra
há muitos anos e adquiriram muita luz, portanto, aqui na Terra, o máximo que fazem são
emitir sons (ou mantras) como por exemplo o canto de Iemanjá, que para uns pode ser um
canto e para outros um choro.
As consultas ficam por conta das entidades de cada linha como por
exemplo: os baianos, preto-velhos, boiadeiros, marinheiros, crianças, etc, que por
estarem mais próximos de nossa realidade (pois desencarnaram a apenas algumas décadas -
como no caso dos pretos-velhos), podem nos ajudar por conhecerem bem mais de perto os
problemas terrenos.
Outra característica marcante é o congar de um terreiro de Umbanda
que tem, lado a lado, imagens de santos católicos (estes representando os orixás) e
imagens das entidades (marinheiros, caboclos ameríndios, pretos-velhos, crianças, etc) e
também podem ter outras imagens como de Santa Luzia, Santo Agostinho, Santo Expedito,
etc. Em terreiros de candomblé cada orixá tem seu lugar, como por exemplo um quartinho,
onde ficam os objetos do orixá.
Os médiuns também não precisam ficar o dia inteiro no terreiro e nem
dedicar todo o seu dia a ele, basta apenas ter a responsabilidade de estar nos dias de
gira e cumprir sua missão com amor e caridade no coração.
Os médiuns não incorporam cada um um orixá, os médiuns seguem a
linha que os tabaqueiros e o Ogan (sabendo-se que ele só irá puxar um ponto quando o Pai
ou Mãe de Santo autorizar) puxam, por exemplo, se estiverem cantando um ponto sobre
Oxóssi, os médiuns e a assistência já sabem que quem vem para trabalhar são os
caboclos.
Outra diferença básica é como os médiuns se preparam para
incorporar, ao contrário do Candomblé que dançam num círculo em movimento, rodopiando
seus corpos ao som dos atabaques e outros instrumentos, na Umbanda o médium fica parado,
acompanhando por palmas os pontos cantados e esperando o momento exato para a
incorporação dos orixás ou das entidades.
Para os médiuns novatos, a Mãe ou Pai de Santo "puxam" a
linha dos orixás fazendo o sinal da cruz em sua testa e trazendo os orixás para que
médium que ainda não tem experiência suficiente para incorporar o orixá sozinho, possa
trabalhar (porém nesse estágio ainda não podem dar consultas nem passes).
A música também é bem diferente, uma vez que no Candomblé vai
depender de que nação é, já na Umbanda os cânticos são todos cantados em português.
As roupas são brancas em geral e o uso das cores fica reservado para
os Pais e Mães de Santo e em dias de festa e homenagem no terreiro.
As roupas pretas e vermelhas são usadas em dia de Gira de Exu, e
também reservado apenas ao direito do médium de incorporação e Pais e Mães de Santo,
os outros médiuns (novatos, ogans, cambones, etc) devem usar roupas brancas somente ou
com uma fita vermelha presa a sua cintura.
A assistência deve sempre ir a um terreiro de roupas claras,
deixando-a escura para as giras de exus, ainda assim muitos terreiros orientam aos
freqüentadores a usar a roupa branca; na Umbanda, o branco significa proximidade com a
clareza, paz de espirito e abertura de seu corpo para as coisas boas (uma vez que o preto
significa luto - corpo fechado) se a pessoa quer receber uma graça, ela deve estar
receptiva para que isso aconteça. Cada orixá vibra em uma cor, por exemplo, Oxossi vibra
na cor verde assim como Iansã na cor amarela, mas indiscutivelmente o branco (Oxalá) é
aceito por qualquer linha.
Linhas e Falanges -- No candomblé os orixás formam um sistema,
estando ligados por laços de casamento e descendência; por exemplo: Nanã é a ancestral
feminina, a avó, enquanto Ogum é filho de Oxalá com Iemanjá e assim por diante. Assim
no candomble cada orixá tem sua história, suas paixões, lutas e apresentam
preferências alimentares de cada um, cores, roupas, adereços, etc.
Os espíritos dos antepassados bantos e as entidades ameríndias - os
caboclos - não apresentam esse tipo de organização: estão distribuídos em aldeias,
reinos, tribos e, em vez de formarem um sistema, justapõem-se entre si. Com a influência
do kardecismo, a Umbanda usa para sua organização o que chamamos de LINHAS e FALANGES -
princípios de organizações e classificação dos espíritos. Linhas e Falanges
constituem divisões que agrupam as entidades de acordo com as afinidades intelectuais e
morais, origem étnica e, principalmente, segundo o estágio de evolução espiritual em
que se encontram, no astral.
De acordo com os mais variados critérios e sem limite de número, o
que na prática se traduz em uma multiplicidade de esquemas, a partir das sete linhas
tradicionais da Umbanda, por sua vez subdivididas em sete falanges ou legiões.
Linha de Oxalá
Linha de Iemanjá ou Linha das Águas
Linha de Oxóssi
Linha de Xangô
Linha do Oriente / Linha de Cosme e Damião*
Linha Africana ou das Almas
Linha de Ogum
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